Paramount lança ‘bomba’ de 108 mil milhões em Hollywood para comprar Warner Bros.

Paramount lança oferta hostil pela Warner que supera largamente a proposta da Netflix e acende a maior guerra empresarial no entretenimento. Hollywood nunca esteve tão dividido.

A guerra pelo controlo da Warner expõe duas visões opostas do futuro do streaming e coloca Paramount e Netflix frente a frente.
ECO Fast
  • A Paramount lançou uma oferta hostil de 108 mil milhões de dólares pela Warner Bros. Discovery, desafiando a proposta de 72 mil milhões da Netflix.
  • A Paramount argumenta que a Netflix enfrenta obstáculos regulatórios significativos devido à sua quota de mercado no streaming.
  • Os acionistas da Warner têm até 8 de janeiro para decidir se vão vender as suas ações à Netflix ou a Paramount.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Há guerras de titãs que revelam o verdadeiro rosto do capitalismo moderno. A que decorre agora em Hollywood é uma delas. A Paramount, aquela que muitos julgavam estar condenada ao esquecimento, acaba de lançar uma oferta hostil de 108 mil milhões de dólares pela Warner Bros. Discovery, dias após a gigante Netflix ter fechado um acordo de 72 mil milhões de dólares. Esta não é apenas uma proposta lançada num leilão, mas uma declaração de guerra ao establishment do streaming.

David Ellison, o homem que comanda a Paramount, foi direto ao ponto, numa entrevista à CNBC esta manhã: “Estamos cá para terminar o que começámos.” A oferta é toda em dinheiro num montante equivalente a 30 dólares por ação e promete aos acionistas da Warner 18 mil milhões de dólares a mais do que a Netflix oferece, avaliando a empresa em mais de 108 mil milhões de dólares (face aos 82,7 mil milhões da proposta da Netflix).

É um número que não se ignora. Mas há mais nesta história do que simples matemática financeira. A Paramount alega que a Netflix nunca conseguirá atravessar os obstáculos regulatórios que se erguem nos mercados americano e internacional, sublinhando que a Netflix tem uma quota de mercado gigantesca no streaming, e os reguladores não fecharão os olhos.

A confiança da Paramount não é ilusória. Tem o dinheiro garantido pela família Ellison — de Larry Ellison, co-fundador da Oracle e próximo de Trump — e de fundos soberanos da Arábia Saudita, Abu Dhabi e Qatar; e tal como a Netflix, inclui na sua proposta uma contingência de 5 mil milhões de dólares, caso a operação não se concretize.

O Bank of America, Citi e Apollo comprometeram 54 mil milhões em financiamento. É uma fortaleza financeira que não se desconstrói com discursos vazios. Crucialmente, estes parceiros renunciaram a direitos de voto, uma jogada que esbatia preocupações políticas em Washington.

Os acionistas têm até 8 de janeiro para decidir se aceitam a oferta hostil da Paramount. Nos mercados, as apostas expressas na plataforma Polymarket mudaram: as probabilidades de a Netflix fechar o acordo caíram de 23% para 16% no prazo de dias.

Além disso, a Paramount conta ainda com uma recente declaração do Presidente dos EUA sobre a oferta da Netflix. No domingo, Donald Trump afirmou que o acordo Netflix-Warner “poderia ser um problema” pela quota de mercado excessiva que geraria, acrescentando que ia “estar envolvido nessa decisão.”

A Netflix, por seu lado, incluiu uma taxa de rescisão de 5,8 mil milhões de dólares, uma das maiores de sempre, justamente porque está “altamente confiante” na aprovação regulatória.

A Warner encontra-se agora numa encruzilhada que qualquer gestor temia. O acordo com Netflix foi fechado a 27,75 dólares por ação num esquema de numerário e ações pós-divisão da empresa. Se a empresa abandonar este caminho para aceitar a Paramount, terá de pagar 2,8 mil milhões à Netflix. Tudo está em jogo: HBO, Harry Potter, DC Comics, tudo.

Os acionistas da Warner têm até 8 de janeiro para decidir se vão vender as suas ações à Netflix ou a Paramount, a menos que o prazo seja prorrogado. Nos mercados, as apostas expressas na plataforma Polymarket mudaram: as probabilidades de a Netflix fechar o acordo caíram de 23% para 16% no prazo de dias.

Esta é a guerra que Hollywood merecia. Duas visões inconciliáveis do futuro do entretenimento colidem agora em cheio. A Netflix como monopolista do streaming versus a Paramount como guardiã da velha guarda empresarial.

As ações da Netflix encontram-se a transacionar com uma queda de 4,1%, enquanto os títulos da Paramount seguem a valorizar mais de 7% e as ações da Warner sobem 3,8%.

O vencedor não só herdará um império de conteúdos icónicos, mas definirá como a indústria funciona na próxima década. Reguladores, políticos e acionistas têm agora uma palavra a dizer. E todos eles sabem que não haverá empates neste jogo.

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