Autoeuropa vai parar 70 dias para adequar fábrica ao novo modelo

Autoeuropa apresentou à Comissão de Trabalhadores o calendário de produção de 2026 “que inclui paragens significativas”. Paragem deverá ser de 70 dias. Trabalhadores aceitaram recurso ao lay-off.

ECO Fast
  • A Autoeuropa irá parar 70 dias em 2026 para manutenções e reestruturação, com os trabalhadores a aceitarem o recurso ao lay-off para mitigar impactos.
  • A empresa planeia um investimento de 300 milhões de euros, com 30 milhões de euros em apoios comunitários, para descarbonização e eletrificação da fábrica.
  • Os trabalhadores exigem um aumento salarial de 15%, enquanto a administração propõe um pré-acordo que garante a manutenção do emprego durante 2026.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A Autoeuropa vai ter de parar 70 dias, além das habituais paragens, para manutenções, reestruturação e eletrificação da fábrica de Palmela. Os trabalhadores já aceitaram que a empresa recorra ao lay-off.

A empresa apresentou à Comissão de Trabalhadores, há cerca de duas semanas, o calendário de produção de 2026 “que inclui paragens significativas”, lê-se no comunicado da Comissão de Trabalhadores de 9 de dezembro. Esta paragem deverá ser de 70 dias, ao que o ECO apurou, além dos dias normais de paragem que a fábrica tem todos os anos. Por exemplo, este ano, a Autoeuropa vai parar a partir de 19 de dezembro – embora ainda haja turnos a trabalhar no fim de semana – até 12 de janeiro no âmbito destas paragens técnicas normais.

Quando apresentou o calendário para o próximo ano, a administração sugeriu várias ferramentas legais que poderão ser utilizadas durante as paragens: encerramento e redução temporária de atividade, lay-off, AE17 ou AE15 (diferentes tipos de horários). Mas os trabalhadores defendem a manutenção do atual horário (AE19), “bem como o rendimento dos trabalhadores (salário base e subsídio de turno)”, à semelhança do que foi feito em anos anteriores, nomeadamente quando foi necessário fazer uma paragem relativa às obras da pintura em 2024.

Como as “propostas iniciais eram mais lesivas para os trabalhadores”, a Comissão de Trabalhadores aceitou o recurso ao lay-off sendo que a empresa se compromete a pagar uma fatia um pouco maior. As regras do lay-off determinam que a Segurança Social é chamada a pagar 46,6% da retribuição do trabalhador, que por sua vez perde 33% do salário. O remanescente (20%) é pago pela empresa. Mas, no pré-acordo ficou estabelecido a empresa assegura 28,4% do salário e subsídio de turno dos trabalhadores em lay-off sendo os restantes 25% compensados através de down days, que, na prática também são pagos pela Autoeuropa.

Esta foi a solução encontrada em 2024 quando a fábrica de Palmela no âmbito de uma reestruturação para produção de novos modelos e descarbonização da fábrica, mas a Autoeuropa respondia pelo pagamento de 33,4% do salário e subsídio de turno aos trabalhadores em lay-off. O “primeiro passo para que a Volkswagen Autoeuropa reduza em cerca de 85% as emissões de CO2, alinhando-se desta forma com a estratégia Zero Impact Factory do Grupo Volkswagen”, explicou a empresa o ano passado.

“A Comissão de Trabalhadores entende não haver qualquer justificação para reduzir turnos, equipas ou trabalhadores, especialmente num momento de investimento e crescimento da Volkswagen Autoeuropa. Todos os trabalhadores são essenciais para os próximos anos, e a experiência passada mostra que existem soluções para enfrentar períodos de menor produção”, lê-se no mesmo comunicado.

A Autoeuropa vai entrar numa nova fase com o arranque da produção do novo T-Roc híbrido. Para já a fábrica monta em exclusivo mundial este modelo com motor de combustão interna, mas passará a ter uma espécie de modelo de transição que culminará no futuro modelo 100% elétrico ID.Every1, que Portugal já assegurou e deverá estar no mercado em 2027. É uma viatura de quatro lugares, totalmente elétrica e com um preço de entrada de 20 mil euros.

Mas é necessário preparar a linha de montagem e as paragens vão servir para isso mesmo. Mas não só, a Autoeuropa vai construir uma nova unidade de pintura dos automóveis que produz, de modo a substituir o consumo de gás natural nos fornos de secagem por energia elétrica, uma característica que levou a Autoeuropa a abandonar o consórcio do PRR por violação das regras ambientais.

No âmbito deste plano de investimento em descarbonização, a Autoeuropa vai receber 30 milhões de euros em apoios comunitários para alavancar um investimento de 300 milhões.

Trabalhadores pedem aumentos de 15%

A Comissão de Trabalhadores ainda não chegou a acordo com a administração sobre os aumentos salariais no próximo ano. Em cima da mesa está um pedido de aumento salarial de 15% com um mínimo de 150 euros, a proposta aprovada pelos trabalhadores em plenário e que supera os 9%, com um mínimo de 140 euros, sugeridos pela CT.

Mas, para já, há um pré-acordo que durante o ano de 2026 não haverá despedimentos, os dias de não produção (down days) estão fixados a 16 de fevereiro, 30 de novembro e 7 de dezembro, além de ser considerado como turno de não produção, o turno da noite de segunda-feira a seguir à Páscoa. Por outo lado, já há acordo para a paragem habitual no final de dezembro de 2026, mas ainda não está fechado quantos dias serão em janeiro.

A empresa passará a “contribuir com um máximo de 4% do salário pensionável a todos os trabalhadores aderentes ao fundo de pensões”, de acordo com a contribuição do trabalhador. Ou seja, se o trabalhador contribuir com 1% a empresa equipa a contribuição, se o trabalhador contribuir com 2 a 3% a Autoeuropa contribuirá com 2%. Esta percentagem sobe para 3% caso o trabalhador desconte 4 a 7% para o fundo de pensões e para 4% se o desconto rondar os 8 a 10%.

Os saldos positivos de down days de anos anteriores poderão ser canalizados para o fundo de pensões, “nos mesmos moldes dos valores disponíveis na conta de tempo de compensação, já contemplada atualmente no regulamento do Fundo de Pensões” e os “down days do ano transato (pagos em janeiro) podem ser convertidos em contribuição para o fundo de pensões, com isenção de Segurança Social e sem retenção mensal de IRS, embora sejam incluídos na declaração anual”, lê-se no comunicado da Comissão de Trabalhadores.

A Comissão de Trabalhadores voltou a sugerir à administração a criação de um “plano demográfico” para apoiar a saída de trabalhadores com idade próxima da reforma (superior a 58 anos ou 40 anos de carreira contributiva). Mas a empresa ainda não aceitou ainda. Recorde-se que em 2022 houve um plano de rescisões.

Outro dos temas sobre os quais já existe pré-acordo são os seguros de saúde. “Será incluída uma cobertura adicional no âmbito das doenças graves, com implementação em julho de 2026, o plafond para partos será aumentado de 500 para 700 euros, com implementação em julho de 2026 e durante a vigência do acordo, não serão aumentadas as franquias, nem reduzidos os plafonds.

Os pontos sobre os quais já existe pré-acordo terão de ser ainda validados pelos trabalhadores em plenário. Só depois existe um verdadeiro acordo.

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