Num ‘bom lugar’, BCE não precisa de pôr um corte dos juros no sapatinho de Natal

A inflação e o crescimento da Zona Euro portaram-se bem e o BCE não vai ser obrigado a reduzir os juros. Sinais sobre resoluções para 2026 - na política monetária e nas projeções - centram atenções.

ECO Fast
  • O Banco Central Europeu deverá manter as taxas de juro inalteradas na última reunião do ano, refletindo dados de inflação e crescimento resilientes.
  • A maioria dos economistas acredita que a taxa de depósitos permanecerá nos 2%, com previsões de estabilidade até meio de 2026, apesar de algumas divergências.
  • As incertezas sobre a economia da Zona Euro e a dependência do estímulo fiscal alemão podem influenciar futuras decisões do BCE, especialmente em 2027.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Os dados da inflação e do crescimento continuam “resilientes”, permitindo ao Banco Central Europeu (BCE) ficar no ‘lugar confortável’ em que não terá de mexer nas taxas de juro na última reunião do ano. Mas não faltarão razões de interesse quando Christine Lagarde subir ao palco em Frankfurt esta quinta-feira, à cabeça sinais sobre o rumo da política monetária e as perspetivas para o Ano Novo.

“Não vemos qualquer motivo para o BCE alterar a política monetária na reunião deste mês”, afirmou Bas van Geffen, senior macro strategist no neerlandês Rabobank. Adiantou que o continuar de uma pausa nos juros iniciada pelo banco central após a descida de junho “provavelmente consolidará a opinião dos mercados de que o ciclo de cortes chegou ao fim, mas não esperamos que Lagarde confirme isso explicitamente e provavelmente repetirá a sua analogia do ‘bom lugar’, acrescentando que o BCE permanecerá vigilante aos riscos de alta e de baixa”.

Van Geffen sublinhou que o mercado também não espera uma alteração nos juros esta quinta-feira. Numa sondagem da Reuters, conduzida entre 5 e de 10 de dezembro, os 96 economistas consultados apontaram para uma manutenção da taxa de depósitos nos 2%.

Carsten Brzeski, global head of macro do ING, recordou que desde a reunião do BCE em outubro, os dados recebidos pouco contribuíram para justificar qualquer alteração das taxas a 18 de dezembro. “Embora o crescimento do PIB no terceiro trimestre tenha sido claramente mais forte do que o esperado pelo BCE, os indicadores de confiança também apontam para uma resiliência contínua e ao mesmo tempo, os fundamentos da economia da zona euro não se alteraram”.

“As tarifas dos EUA continuam a pesar sobre as exportações, o investimento está a ser travado pela incerteza e o crescimento em 2026 continua altamente dependente do estímulo fiscal alemão”, sublinhou. “A inflação ficou ligeiramente acima do esperado, mas a implementação atrasada do Sistema de Comércio de Emissões da UE (ETS2) deverá empurrar a inflação esperada em cerca de 0,2 pontos percentuais de 2027 para 2028”.

Como resultado, “há muitas poucas razões para o BCE alterar a sua atual postura de política monetária, confirmando mais uma vez que se encontra numa ‘boa posição'”, concluiu.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

“Reunião emocionante”

Na reunião desta quinta-feira não faltarão motivos de interesse, no entanto. “Esperamos que as taxas permaneçam inalteradas, mas há opiniões divergentes sobre o que virá a seguir e uma nova rodada de projeções“, explicou Brzeski. “Espere uma reunião emocionante”.

Sobre a primeira parte dessa discussão — o rumo das taxas de juro — o Rabobank espera que o BCE mantenha as taxas inalteradas até 2026, e prevê duas subidas 2027, em março e junho, com alguns riscos de uma subida já no último trimestre de 2026. “É um longo período de inatividade, mas não é totalmente inédito, mesmo excluindo a época em que as taxas estavam próximas do limite inferior”, recordou. “Entre meados de 2003 e novembro de 2005, o BCE manteve a política inalterada por 29 meses consecutivos, também em 2%”.

Para o ING, “com previsões de inflação abaixo de 2% para os próximos três anos, vemos qualquer alteração nas taxas do BCE como um corte, e não um aumento, pelo menos até ao final da primavera do próximo ano”. Depois disso, “a janela para cortes nas taxas provavelmente fechar-se-á, e os estímulos orçamentais que atendem às restrições do lado da oferta podem trazer de volta as pressões inflacionárias”. Mas isso é uma história para 2027, e não para 2026, vincou Brzeski.

Na sondagem da Reuters, cerca de 80% dos economistas vêm as taxas de juro inalteradas até meio de 2026, com 75% a manterem essa previsão até ao final do próximo ano.

Em relação às novas projeções, Van Geffen, do Rabobank, escreveu que o BCE provavelmente atualizará o crescimento, mas a incerteza continua excecionalmente alta”.

Também poderemos ver uma ligeira atualização da previsão de inflação para 2026. “Mas essa a previsão e uma primeira projeção para 2028 serão referências mais importantes para o objetivo de médio prazo do BCE”, concluiu.

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