Imigração? Governador defende que o “importante” é conhecer “necessidades” de mão-de-obra para as suprimir
Governador do Banco de Portugal mostra-se favorável a uma política migratória ativa, mas alerta para a importância de identificar as necessidades de mão-de-obra para a adequar.
O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, defendeu esta sexta-feira que Portugal deve ter uma política migratória “bastante ativa” devido ao envelhecimento da população portuguesa, mas que é preciso identificar as necessidades de mão-de-obra para a suprimir para a adequar a esse contexto.
“Sou totalmente a favor de termos uma política migratória bastante ativa. Com o envelhecimento bastante acelerado da população e com uma descida da população ativa em Portugal, os fluxos imigratórios vão ser absolutamente essenciais nos próximos anos, disso não há dúvida nenhuma“, disse Álvaro Santos Pereira durante a conferência de imprensa de apresentação do “Boletim Económico” de dezembro, no Museu do Dinheiro, em Lisboa.
O responsável do banco central português respondia a questões colocadas pelos jornalistas sobre o impacto de uma eventual redução da imigração na sequência das alterações introduzidas pelo Governo.
“O que é importante é dizer quais são as nossas necessidades para conseguirmos exatamente suprimir as necessidades de mão-de-obra em certas áreas ou suprimir necessidades quantitativas de mão-de-obra. É a isso que temos de fazer as contas e depois decidir o que vamos fazer“, considerou.
O que é importante é dizer quais são as nossas necessidades para conseguirmos exatamente suprir as necessidades de mão-de-obra em certas áreas ou suprir necessidades quantitativas de mão-de-obra. É a isso que temos de fazer as contas e depois decidir o que é que vamos fazer.
Para o ilustrar apontou o seu caso pessoal. “Vivi durante muitos anos em países que recebiam muita imigração. Isso acontecia com políticas de imigração em que se tentava ver exatamente quais eram as necessidades da economia e contava-se o número de pessoas que deviam entrar no país, que tipo de qualificações são precisas, o que é que nos faz falta, quer sejam pessoas na construção, quer sejam na inteligência artificial ou outras áreas”, recordou.
O relatório do Banco de Portugal destaca que, no período mais recente, o saldo migratório foi o principal determinante do aumento do número de famílias em Portugal.
“Desde 2017, o saldo migratório tem sido positivo e acelerou, atingindo a partir de 2019 níveis não observados desde 1991. De acordo com as estatísticas demográficas, no período 2021–2024 o saldo migratório foi de 127 mil indivíduos em média por ano, o que compara com dez mil no período 1981–2021″, pode ler-se na análise.
Assumindo que a dimensão média das famílias imigrantes é igual à das famílias residentes em 2021, o Banco de Portugal estima que a entrada líquida de indivíduos implicou um aumento médio anual no número de famílias de 52 mil no período entre 2021 e 2024, o que compara com uma redução de 15 mil famílias decorrente de um saldo natural negativo.
“Mesmo que se assumissem cenários diferentes para a dimensão das famílias imigrantes neste período, a variação do número de famílias continuaria a ser determinada no período mais recente principalmente pelo saldo migratório”, conclui.
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