Mais otimista, Álvaro prevê apenas um terço do défice de Centeno em 2026

Banco de Portugal projeta um saldo orçamental equilibrado em 2025 e um défice de 0,4% em 2026, quando em junho apontava para um saldo negativo de 0,1% este ano e de 1,3% no próximo.

O Banco de Portugal de Álvaro Santos Pereira está mais otimista do que o de Mário Centeno sobre as contas públicas do Governo, prevendo um saldo orçamental equilibrado este ano e um défice de 0,4% em 2026, quando no mandato do antecessor a projeção era de um défice de 0,1% em 2025 e de 1,3% em 2026.

No “Boletim Económico de dezembro”, divulgado esta sexta-feira, o Banco de Portugal melhora a projeção do saldo orçamental face a junho, relatório divulgado um dia depois de Álvaro Santos Pereira tomar posse e ainda elaborado durante o mandato do seu antecessor.

“O saldo orçamental deverá estar equilibrado em 2025, prevendo-se défices nos anos seguintes: 0,4% do PIB em 2026, 0,9% em 2027 e 1% em 2028″, indica o regulador bancário, que justifica a revisão com, entre outros fatores, as “novas medidas de política, a alteração das hipóteses relativas aos empréstimos do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] e o impacto da revisão do cenário macroeconómico na receita fiscal”.

O saldo orçamental deverá estar equilibrado em 2025, prevendo-se défices nos anos seguintes: 0,4% do PIB em 2026, 0,9% em 2027 e 1% em 2028.

Banco de Portugal

Boletim Económico de dezembro

Apesar da atualização nas projeções, o Banco de Portugal mantém-se mais pessimista do que o Governo, que projeta um excedente de 0,3% este ano e um saldo orçamental nulo no próximo.

“A trajetória de deterioração do saldo orçamental é explicada, sobretudo, por descidas de impostos e pelo aumento permanente da despesa nos anos recentes. O comportamento da receita fiscal tem mitigado essa trajetória, o que poderá apresentar um desafio para as contas públicas no caso de uma desaceleração económica”, explica o regulador.

Durante a conferência de imprensa, Álvaro Santos sublinhou que “as contas públicas portuguesas e principalmente a inexistência de défices é saudável”, mas apesar de o saldo se deteriorar quando comparado “com o resto da Europa, Portugal está numa posição mais saudável”.

Na mesma linha, o governador do Banco de Portugal admitiu que poderá verificar-se um excedente orçamental este ano, apesar das previsões oficiais, por seguirem o modelo do Eurosistema e apenas considerarem decisões já adotadas. “É bastante possível que tenhamos um excedente orçamental”, disse.

“Não é à toa que temos uma imagem externa bastante boa”, referiu. No que toca à dívida pública, prevê uma trajetória descendente, diminuindo de 93,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, para 88,2% do PIB em 2025 e para 79,5% do PIB em 2028.

Álvaro Santos Pereira recusou ainda que a mudança de governador tenha influência no otimismo das previsões. “Era só o que faltava dizer que a mudança de governador pode levar a mudança de práticas nas previsões”, disse Álvaro Santos Pereira, após uma questão sobre a diferença nas projeções inscritas no boletim de dezembro às de junho.

(Notícia atualizada às 11h30 com intervenção de Álvaro Santos Pereira)

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