Marcelo quer derrubar “novos muros” neste Natal
O Presidente da República evocou Jorge Sampaio e lembrou a queda do muro de Berlim para apelar a uma maior tolerância, sobretudo na época natalícia.
O Presidente da República defende que esta época natalícia é uma oportunidade para derrubar os “novos muros” que se ergueram em Portugal, onde há pobreza, envelhecimento da população ou “mais leis” que prometem futuro e “mais medos”. Num contexto político e socioeconómico fragmentado, Marcelo Rebelo de Sousa apela à tolerância neste Natal.
Num artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias (JN), o Chefe de Estado recorda as eleições autárquicas de 1989, quando concorreu à Câmara Municipal de Lisboa, no mesmo ano da queda do muro de Berlim. “Sublinhei esse momento decisivo na História contemporânea – e que viria a substituir as duas superpotências de décadas pelas duas superpotências de hoje, com a que deixou de o ser a nunca desistir do sonho do que fora. E converti o momento, em sinal para o futuro, também de Portugal”, escreve.
O seu principal adversário na corrida à maior câmara do país, o amigo de longa data Jorge Sampaio, ter-lhe-á dito uma frase “simples” que não esquece por ter sido tão poderosa: “Mais importantes do que o muro de Berlim são os muros que existem na nossa terra”.
“Antigos muros caíram. Novos muros se ergueram. Pobreza com envelhecimento coletivo imparável. Menos jovens a ficarem e mais gerações antigas a entrarem em becos sem saída. Mais leis a prometerem melhor futuro com mais abertura, tolerância, paz, segurança e, ao mesmo tempo, mais medos, reais ou imaginários, mas todos vividos como reais, a convidarem a mais muros, muros mais altos, tão altos que não se veja nada senão muros”, explica. Embora reconheça que “há muros que podem ser difíceis de demolir”, garante que “não são impossíveis”.
Na sua última mensagem de Natal no JN antes de abandonar Belém, Marcelo Rebelo de Sousa alerta ainda para a solidão de quem não tem, nunca teve e nunca terá Natal. “As televisões recordam os que sofrem na Ucrânia, no Médio Oriente, no Sudão. Mais raramente, os que nasceram, vivem e morrem sem nunca ninguém saber que existem e quem são”, salienta, no artigo intitulado “Os nossos muros ou a lembrança de Jorge Sampaio”.
O texto de Natal no JN é uma tradição que Marcelo Rebelo de Sousa tem desde 2017, mas chegou a ser interrompida em 2022 e 2023.
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