Incêndios são o risco climático mais “preocupante” para empresas do PSI
Entre os riscos físicos, destacam-se os riscos associados ao aumento da temperatura, em particular os associados a incêndios florestais, que se apresentam como os mais preocupantes", afirma a CMVM.
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) lançou um relatório no qual analisa os riscos climáticos que ‘assombram’ as empresas cotadas. No caso de 14 das empresas que constituem o principal índice bolsista nacional, o PSI, a conclusão é que os incêndios florestais são os riscos que mais preocupam.
“Entre os riscos físicos, destacam-se os riscos associados ao aumento da temperatura, em particular os associados a incêndios florestais, que se apresentam como os mais preocupantes para a generalidade dos emitentes“, lê-se no Relatório Anual sobre a Exposição do Mercado de Capitais ao Risco Climático, publicado esta terça-feira, pelo regulador dos mercados.
Os emitentes devem divulgar os riscos relacionados com as “Alterações Climáticas” que identifiquem no âmbito da análise de materialidade e clarificar se entendem que os mesmos se reconduzem a riscos físicos ou de transição. O risco climático físico refere-se às potenciais perdas que surgem diretamente dos impactos tangíveis e diretos das alterações climáticas, e são reportados pelos emitentes na sequência da legislação europeia de reporte de sustentabilidade.
O regulador indica que a maioria – um quinto – dos riscos físicos, relacionados com o clima que foram identificados pelos emitentes, está relacionada com incêndios florestais. Em segundo lugar, ocupando uma fatia de 18%, são identificados como riscos os “eventos climáticos extremos”.
São mencionados ainda como riscos, com pesos entre os 4% e os 8%, as variações de temperatura no ar e nas águas, assim como a alteração dos regimes e tipos de precipitação, quer seja chuva, granizo ou neve, as inundações, a pressão sobre os recursos hídricos, seca e subida do nível da água do mar.
A maioria (cerca de 70%) dos riscos físicos reportados por emitentes são riscos agudos, com origem num evento, que decorrem de perigos específicos, especialmente fenómenos relacionados com as condições meteorológicas. É menos frequente a apresentação de riscos crónicos, que “decorrem de alterações climáticas a longo prazo, como variações de temperatura, aumento do nível do mar, menor disponibilidade de água, perda de biodiversidade e alterações na produtividade da terra e do solo.
“Ainda que não sejam inteiramente claros os motivos para esta diferença, é possível que a mesma se deva a algum foco nos efeitos de curto prazo (em parte devido à sua severidade), mas também a alguma incerteza relativamente à ocorrência e efeitos de riscos crónicos”, lê-se no relatório.
O regulador nota ainda que, apesar da diversidade de setores e geografias dos emitentes, é possível identificar a existência de efeitos dos vários riscos climáticos físicos que afetam de forma transversal a generalidade dos emitentes, como é o caso de danos em ativos devido a eventos extremos e da disrupção de atividade.
Já em relação aos riscos de transição, que resultam de mudanças nas políticas, regulamentações, tecnologias ou mercados, associadas à transição para uma economia de baixo carbono, constituem a maioria dos riscos reportados (56%). Neste âmbito, destacam-se os de “Mercado” e “Políticos e Legais”, nos quais se incluem, por exemplo, o “aumento dos custos operacionais” e o “aumento do preço do carbono”.
Contudo, ressalva a CMVM, “tal não é, por si só, indicativo de uma maior exposição a estes riscos por oposição aos riscos físicos”. Para uma comparação objetiva dos potenciais efeitos dos riscos físicos e de transição, continua a CMVM, “será essencial a evolução do reporte no sentido da quantificação dos seus efeitos”.
Para já, isto não é possível, dado que a maioria dos emitentes divulgou apenas informação qualitativa sobre os efeitos financeiros, havendo alguns que procuraram incluir informação quantitativa, uma tendência que também se verifica a nível europeu.
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