Bolsa de Lisboa vive melhor ano desde 2009 à boleia do “sprint” do BCP
Índice PSI fechou o ano com uma valorização superior a 29%, num ano em que metade das cotadas do índice registaram subidas superiores a 30%. Lisboa superou ganhos do índice europeu, que subiu 16%.
Depois de ter terminado 2024 com um desaire de 0,3% em 2024, a contrariar os ganhos na generalidade das praças mundiais, a bolsa de Lisboa regressou – em força – aos ganhos, em 2025, animado pela escalada de cotadas como o BCP ou a Sonae. O índice de referência PSI subiu mais de 29%, o melhor desempenho desde a crise financeira de 2009 e um dos maiores na Europa, num ano de novos recordes para as ações na Europa e nos EUA.
2025 prometia ser um ano desafiante para a economia e para as bolsas. O anúncio de tarifas por parte da nova administração norte-americana, a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente, associadas ao fraco crescimento da economia apresentaram-se como uma ameaça à confiança dos investidores, sobretudo nos primeiros meses do ano.
No entanto, à medida que os meses passaram as bolsas consolidaram os ganhos, com os índices europeus e dos EUA a fixarem novos recordes, animados pela descida das taxas de juro e anúncio de investimentos, com destaque para o pacote alemão de 500 mil milhões para investimentos em defesa e infraestruturas.
O índice europeu Stoxx 600 subiu cerca de 16%, o melhor ano desde 2021, impulsionado pelos fortes ganhos do setor da banca — que escalou 67% em 2025, a maior subida desde a crise financeira de 2008 — e da defesa, com ganhos de 57%. Entre as principais praças europeias, o espanhol Ibex-35 destacou-se, de longe, com um disparo de cerca de 50%, enquanto o alemão Dax-30 somou 23% e o britânico Footsie 22%, com o francês CAC-40 a ser o que subiu menos: 10%.
Em Portugal, o PSI, que voltou a ter 16 cotadas após a promoção da Teixeira Duarte em setembro, fechou o ano com um ganho de 29,58% para 8.263,65 pontos, a subida mais expressiva desde 2009, quando escalou 33,47%, após a crise do subprime. Trata-se de um dos melhores desempenhos a nível europeu, apenas superado pela bolsa madrilena, pela italiana (31%) e grega, que marcou ganhos acima de 44%.

Num ano em que quase todos ganharam em Lisboa – apenas quatro cotadas terminaram com sinal negativo (Corticeira Amorim, Altri, Navigator e Galp) – o principal motor dos ganhos da bolsa foi o BCP, que disparou 92,86%, e a Sonae, com uma subida de 76,37%.
Segundo João Queiroz, head of trading do Banco Carregosa, em 2025, “Lisboa beneficiou de dois relevantes motores: reavaliação de múltiplos (mercado pequeno, onde os fluxos contam) e melhoria de visibilidade em alguns casos core, ou núcleo”. O índice PSI “premiou momentum e narrativas com visibilidade, e castigou negócios onde o timing do ciclo (ou a leitura do ciclo) se tornou mais ambíguo”, refere o mesmo especialista.
Para 2026 espera-se para Portugal um crescimento acima da média europeia, alicerçado numa taxa de desemprego reduzida, com um rácio de dívida face ao PIB em declínio e com uma taxa de inflação controlada à volta dos 2%. (…) é natural que o destaque para 2026 possa surgir das empresas que beneficiem do crescente dinamismo da nossa economia.
Olhando para o futuro, Pedro Barata, gestor de ações nacionais da GNB, destaca que “para 2026 espera-se para Portugal um crescimento acima da média europeia, alicerçado numa taxa de desemprego reduzida, com um rácio de dívida face ao PIB em declínio e com uma taxa de inflação controlada à volta dos 2%”.
“A somar a isso, temos também um aumento do salário mínimo, uma redução da taxa de IRS e um aumento do investimento público via verbas do PRR. Assim, face a esta realidade, e sem querer particularizar, é natural que o destaque para 2026 possa surgir das empresas que beneficiem do crescente dinamismo da nossa economia”, antecipa o gestor do fundo GNB Portugal Ações.
Na visão de João Queiroz, o próximo ano será mais “stock picking”. “O PSI pode continuar a desempenhar bem, mas a amplitude entre vencedores e perdedores tenderá a aumentar — e o mercado vai ser mais exigente com o detalhe: margens, fluxos de caixa e capacidade de execução”.
António Seladas, fundador da AS Independent Research, realça que, “admitindo dólar fraco, as exportadoras deverão continuar pressionadas, por outro lado o consumo interno dever-se-á manter firme. Ou seja, de imediato é difícil antecipar alterações nas tendências”, remata.
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