Governo formaliza candidatura de Centeno a vice-presidente do BCE
Governo recebeu "manifestação de interesse" do antigo governador do Banco de Portugal em candidatar-se à vice-presidência do BCE e já apresentou a candidatura ao presidente do Eurogrupo.
O Governo já entregou formalmente a candidatura de Mário Centeno a vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), depois do anúncio do ex-governador em declarações exclusivas ao ECO.
“Tendo o Governo português recebido a manifestação de interesse do Doutor Mário Centeno em candidatar-se a vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), o Ministério das Finanças apresentou essa candidatura ao presidente do Eurogrupo ontem ao fim do dia”, afirma o Ministério das Finanças num curto comunicado divulgado esta manhã.
O prazo para os Estados-membros da zona euro apresentarem candidatos à vice-presidência do BCE termina esta sexta-feira, um cargo que vai ficar vago no final de maio com a saída do espanhol Luis de Guindos, em final de mandato.
Para já, há mais cinco candidatos: o ex-comissário europeus finlandês Olli Rehn; o governador do banco central da Croácia, Boris Vujčić; o governador do Banco da Letónia, Mārtiņš Kazāks; o ex-ministro letão das Finanças, Rimantas Šadžius; e o governador do banco central da Estónia, Madis Müller.
Mais tarde, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, explicou o processo. “O professor Centeno transmitiu, pediu ao Governo para que a candidatura fosse apresentada, uma vez que tem de ser apresentada a apoiada formalmente por governos dos Estados-Membros”, indicou o governante.
“O Governo fez diligências para interpretar a situação e as possibilidades, comunicou ao professor Centeno a leitura que tinha, o professor Centeno transmitiu o desejo e pedido de se candidatar. O Governo português decidiu apresentar formalmente a candidatura“, detalhou Leitão Amaro no final da reunião do conselho de ministros.
Centeno explicou ao ECO as razões da sua candidatura. “Incentivado por contactos europeus mantidos durante o período em que exerci funções como governador do Banco de Portugal, manifestei junto dos líderes europeus a minha disponibilidade para me candidatar ao cargo de vice-presidente do Banco Central Europeu, em que mantive informado o Governo português”, disse o ex-governador do Banco de Portugal, sublinhando que esta candidatura se integra no seu “persistente contributo para o aprofundamento da integração europeia, sustentado na experiência adquirida” ao longo do seu percurso profissional.
O processo de decisão de quem irá suceder ao espanhol Luis de Guindos dará um próximo passo na reunião do Eurogrupo de 19 de janeiro na qual será proposto o nome, mas ainda terá de passar pelo BCE e Parlamento Europeu. Ainda assim, o mais provável é que o nome possa só sair na reunião seguinte, em fevereiro.
Centeno já era apontado como um dos nomes na corrida à sucessão de Luis de Guindos. Em novembro, o ministro das Finanças disse que o Governo “vê sempre com satisfação” que um português concorra a um alto cargo europeu, quando questionado sobre a eventual candidatura de Mário Centeno.
“O Governo, naturalmente, como acontece sempre – e como aconteceu, por exemplo, com o doutor António Costa [antigo primeiro-ministro ministro, agora presidente do Conselho Europeu] recentemente – vê sempre com satisfação quando um português pode chegar a um cargo internacional”, disse Joaquim Miranda Sarmento.
O primeiro cargo a ficar vago no BCE será o de vice-presidente, quando o mandato de Luis de Guindos terminar em 31 de maio de 2026. Em seguida, serão abertas candidaturas para substituir o economista-chefe, Philip Lane, em maio de 2027 e a presidente, Christine Lagarde, em outubro desse ano.
(Notícia atualizada às 13h10 com declarações de Leitão Amaro)
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