“Gerações mais novas tendem a precisar de feedback mais rápido no trabalho”

Novo estudo mostra que satisfação no trabalho está em mínimos. Diretor-geral da HP Portugal explica como a Inteligência Artificial pode ajudar a melhorar esse cenário.

A importância do feedback para a satisfação no trabalho não é um exclusivo das novas gerações, mas estas tendem a precisar desse reconhecimento (e a exigi-lo) de forma mais rápida. Quem o diz é Pedro Coelho, diretor-geral da HP Portugal, que, no novo episódio do podcast Trinta e oito vírgula quatro“, revela que esta empresa tecnológica, em reação, encurtou mesmo os seus ciclos de avaliação dos trabalhadores.

“As gerações mais novas tendem a necessitar de feedback mais rápido. Não pode ser tão distanciado no tempo. Precisa de ser mais próximo da ação que ocorreu, porque são, se calhar, mais exigentes no retorno que lhes é dado em relação ao trabalho que realizam“, frisa o responsável.

No caso da HP Portugal, os programas de avaliação e reconhecimento passaram de uma periodicidade anual para trimestral para dar resposta às expectativas dos trabalhadores mais jovens. “E estimulamos todos os que gerem uma equipa a terem um feedback muito mais frequente e regular. Não esperar pelas reuniões trimestrais para poder assinalar o que foi bem feito e o que é preciso de melhorar”, acrescenta Pedro Coelho.

Ora, apesar de o reconhecimento ser uma das chaves para a satisfação no trabalho (das novas gerações, mas não só), menos de 40% dos trabalhadores, a nível global, sentem que o recebem de forma adequada pelas suas contribuições, de acordo com a edição deste ano do “HP Work relationship index”, estudo que tem por base respostas de 18 mil profissionais em 14 países.

Outro dado pertinente revelado por este relatório é que apenas 20% dos trabalhadores indicam ter uma relação saudável com o trabalho, mostrando que a satisfação laboral atingiu “um mínimo histórico“.

Houve um incremento muito grande nas expectativas que havia sobre os índices de crescimento que não foi acompanhado por dotar os trabalhadores de mais recursos e tecnologia para poderem dar resposta a essas exigências.

Pedro Coelho

Diretor-geral da HP Portugal

Confrontado com estes dados, Pedro Coelho avança, em jeito de explicação, que, no último ano, as expectativas das empresas em relação aos seus trabalhadores aumentaram “de forma muito significativa” sem que tivesse havido uma disponibilização correspondente de ferramentas e recursos.

“Houve uma clara desconexão das expectativas laborais e os recursos, as ferramentas e a valorização dada aos colaboradores”, sublinha.

Já numa nota mais positiva, o gestor acredita que a Inteligência Artificial (IA) poderá “dar uma mão” a melhorar a satisfação laboral dos trabalhadores.

Se temos mais tempo para acrescentar mais valor, vamos sentir maior concretização, maior valorização e daí vem um envolvimento mais próximo com a organização.

Pedro Coelho

Diretor-geral da HP Portugal

“A IA é um acelerador de produtividade pessoal e permite-nos conseguir, numa primeira fase, delegar as tarefas às quais não aportamos grande valor. São as tarefas mais rotineiras, repetitivas e homogéneas. Essas, se conseguirmos delegar em ferramentas de IA, liberta-nos tempo para nos dedicarmos a tarefas onde podemos acrescentar mais valor. Se temos mais tempo para acrescentar mais valor, vamos sentir maior concretização, maior valorização e daí vem um envolvimento mais próximo com a organização“, salienta Pedro Coelho.

Dizer muito sem abrir a boca

Este episódio do podcast “Trinta e oito vírgula quatro” conta ainda com a participação de Irina Golovanova, especialista em comunicação não verbal com 15 anos de experiência a dar formação em Portugal e autora do livro recentemente lançado “Comunicar para liderar”.

“A comunicação não verbal tem grande relevância nos ambientes de trabalho”, começa por sublinhar a especialista, que frisa que, mesmo nas reuniões à distância, é importante não descurar esta área.

Há um grande papel da comunicação não verbal na liderança, na forma como comunico com a minha equipa. Vemos uma correlação entre a imagem – a forma como me posiciono – e a satisfação da minha equipa“, garante Irina Golovanova, ainda que admita que persiste a ideia de que o que importa é apenas a experiência de um profissional.

Há um grande papel da comunicação não verbal na liderança. Vemos uma correlação entre a imagem – a forma como me posiciono – e a satisfação da equipa.

Irina Golovanova

“Há muitos líderes que nunca pensaram na comunicação não verbal. Mas quem sabe se o seu caminho [até ao topo] não seria mais fácil e rápido se tivessem pensado?“, atira.

Para os líderes que estejam agora a ponderar sobre este tema, Irina Golovanova aconselha, como primeiro passos, fazer um autodiagnóstico. “Colocar a câmara e fazer duas horas do seu trabalho. Por exemplo, fazer uma chamada ou trabalhar ao computador. Depois, ver. Como estava a postura? Como estava o meu tom? Gosto de ver o que estou a ver? Confiava uma equipa a esta pessoa?“, sugere.

O “Trinta e oito vírgula quatro” é um podcast quinzenal com entrevistas a decisores, líderes e pensadores sobre os temas mais quentes do mercado de trabalho. Numa década, a duração média estimada da vida de trabalho dos portugueses cresceu dois anos para 38,4. É esse o valor que dá título a este podcast e torna obrigatória a pergunta: afinal, se empenhamos tanto do nosso tempo a trabalhar, como podemos fazê-lo melhor?

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