Governo e cotadas ‘representam’ Portugal em Davos
Miranda Sarmento, ministro das Finanças, terá a companhia dos líderes de empresas como Sonae, EDP ou Galp. Encontro do Fórum começa na segunda-feira e tem como tema "Um espírito de diálogo".
- Donald Trump será a figura central do 56.º encontro do Fórum Económico Mundial em Davos, que ocorrerá entre 19 e 23 de janeiro.
- Portugal estará representado por várias personalidades de destaque, incluindo Joaquim Miranda Sarmento e líderes de empresas como EDP e Galp, que discutirão temas relevantes.
- A presença de jovens líderes, como Maria Loureiro, bioengenheira de 26 anos a trabalhar em Inteligência Artificial aplicada à saúde, destaca a importância de incluir novas vozes nas discussões sobre inovação e tecnologia no evento.

O presidente norte-americano, Donald Trump, vai ser a figura central do 56.º encontro do Fórum Económico Mundial, que decorre em Davos, na Suíça, entre 19 e 23 de janeiro, até porque o seu estilo choca com o tema escolhido para a edição deste ano, “Um espírito de diálogo”. Mas, para Portugal, há um conjunto de figuras de relevo que vão marcar presença no encontro, visto como um dos eventos mais influentes e importantes de debate sobre empresas, tendências e economia mundial.
Ao que o ECO apurou, está confirmada a presença de mais de uma dezena de personalidades, nomeadamente ligadas às empresas. Do Governo, o Ministério das Finanças confirmou a presença de Joaquim Miranda Sarmento, embora a sua agenda esteja ainda mais congestionada do que o habitual, uma vez que há reuniões de Eurogrupo e Ecofin a coincidir com o arranque do encontro na estância de ski. Na própria segunda-feira há uma reunião muito importante de onde poderá sair o nome do próximo vice-presidente do BCE, com o Governo português a defender a solução Mário Centeno.
Há ainda a possibilidade de o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, também marcar presença, mas “ainda não está fechado”, Recorde-se que, o ano passado, o então ministro da Economia, Pedro Reis, aproveitou a ida a Davos para realizar encontros com governantes de Angola e da Arábia Saudita, com o objetivo de tentar captar investimentos. Foi ao novo ministro da Economia, Castro Almeida, que coube liderar a missão empresarial composta por mais de 50 empresários, em novembro, a Riade.
Do lado das empresas também não faltarão pesos-pesados, nomeadamente de algumas das maiores companhias nacionais. Do lado da EDP estarão Miguel Stilwell D’Andrade, CEO, e Pedro Vasconcelos, administrador executivo. “A presença da EDP em Davos terá como principal objetivo contribuir para o debate global sobre caminhos acionáveis e orientados para soluções que reforcem a resiliência, a competitividade e um crescimento inclusivo, em alinhamento com o mote central do WEF 2026, “Um Espírito de Diálogo”, e num momento em que o setor da energia desempenha um papel decisivo a nível global”, refere a empresa.
Ao longo da semana, a EDP participará em diferentes sessões e discussões dedicadas a desafios estruturais do setor energético e da economia, abordando temas como a energia enquanto pilar da segurança, a eletrificação como espinha dorsal da transição energética, a resiliência das infraestruturas, a inovação e a aceleração da inteligência artificial, bem como o papel das renováveis na competitividade e reindustrialização mundiais.
Ainda na energia, a Galp leva também duas pessoas, neste caso os dois Co-CEO, Maria João Carioca e João Marques da Silva. “A energia é uma indústria global. O debate em torno das perturbações no sistema energético mundial, dos potenciais avanços tecnológicos no setor e dos impactos da descarbonização em atividades económicas centrais para o desenvolvimento das economias tem assumido um papel cada vez mais relevante no Fórum de Davos. Estes são temas de elevada importância para o negócio de uma empresa internacional cuja atividade está exposta às dinâmicas globais dos mercados energéticos“, afirma ao ECO fonte oficial da empresa. Neste contexto, “a Galp entende ser oportuno e relevante marcar presença no Fórum Económico Mundial, um espaço para reflexão e diálogo que permite ara antecipar tendências e compreender melhor o enquadramento global para a tomada de decisão de empresários e políticos”.
Quem também vai marcar presença é Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, que vai assistir a algumas discussões e foi convidada a escrever para o site da organização um artigo de opinião sobre o tema da liderança no feminino. Mas o grande retalho nacional estará também representado através de um responsável da Jerónimo Martins: será Luís Araújo, membro da direção executiva do Grupo e CEO da Biedronka, a unidade do grupo na Polónia.
Juventude e outras empresas
A voz nacional mais jovem a estar presente é a de Maria Loureiro, bioengenheira de 26 anos a trabalhar em Inteligência Artificial aplicada à saúde, foi selecionada como uma das apenas 40 jovens líderes mundiais para participar no evento, no âmbito do programa Global Shapers Community, uma rede internacional criada pelo Fórum Económico Mundial que reúne 11.600 jovens líderes espalhados por 155 países. Em declarações ao ECO, Maria Loureiro explica o espírito com que encara esta participação: “Estar em Davos representa dar voz a uma geração que raramente está presente nestas conversas, engenheiros jovens que constroem as tecnologias que moldam o futuro mas que, muitas vezes, não têm assento nas decisões estratégicas. Vou levar a perspetiva de quem trabalha diretamente em IA aplicada à descoberta de fármacos e em capacitação digital de comunidades sub-representadas no Porto. A minha missão é clara: garantir que a inovação, seja em saúde ou em tecnologia, chega a todos, e não apenas aos mais privilegiados”.
Também António Guterres, Secretário-geral da ONU, participará, enquanto orador, repetindo uma presença de anos anteriores. Guterres fala às 11 horas de 21 de janeiro, quarta-feira, inserido no tópico geral “Como podemos cooperar num mundo mais contestado”. Curiosamente, poucas horas depois, é no mesmo registo e sobre o mesmo tópico que falará o presidente norte-americano, Donald Trump.
António Simões, antigo dirigente do HSBC e do Santander e atualmente CEO do grupo Legal & General, será um dos oradores do painel “A economia física está de volta”, que decorre no dia 22 às 15h00, englobado no tópico “Como podemos aplicar a inovação com escala e de forma responsável?”.
Ricardo Baptista Leite, enquanto CEO da HealthAI Agência Global para a Inteligência Artificial na Saúde, também vai marcar presença “sobretudo para participar como orador em alguns painéis sobre AI e sobre saúde global/geopolítica“, explicou ao ECO. Já Miguel Teixeira, responsável da NTT Data para as áreas da Ibéria, organismos Internacionais, América Latina, e a consultoria de França e Benelux, é um repetente no encontro. “É o meu segundo ano em Davos, aprende-se e saímos com reflexões valiosas”, explica. “Vou com os outros CEO regionais representar a NTTData. Estarei com os nossos clientes, assistindo às principais sessões económicas e especialmente de tecnologia – IA e o que vai impactar nos próximos anos“, acrescenta. Entre os portugueses na localidade suíça estará também, entre outros, Luís Leite Rio, a liderar o Euronews HUB, entidade parceira do Fórum Económico Mundial.
O 56.º encontro anual do Fórum Económico Mundial decorre entre 19 e 23 de janeiro, e são esperados pela organização mais de três mil delegados de mais de 130 países, bem como mais de 60 chefes de Estado ou de Governo.
Notícia atualizada às 16:57 com a inclusão das informações sobre a participação de António Guterres e António Simões
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