Centeno diz que Frankfurt e Bruxelas devem “coordenar políticas” perante tarifas dos EUA
Na corrida para vice do BCE, ex-governador do BdP defende ao FT que as instituições europeias devem "coordenar políticas monetárias, fiscais e de concorrência" para responder à ameaça de Donald Trump.
Os decisores políticos da União Europeia (UE) em Frankfurt e Bruxelas devem ajudar as empresas do bloco comunitário a adaptarem-se à “utilização das tarifas como arma” por parte de Donald Trump, defende Mário Centeno, antigo governador do Banco de Portugal (BdP) que é um dos seis candidatos na corrida para substituir o espanhol Luis de Guindos na vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE).
Em entrevista ao Financial Times, o candidato português a número 2 de Christine Lagarde alerta que as tarifas aduaneiras norte-americanas já implementadas e as potenciais sobretaxas — que Washington quer impor aos países que não concordem com a anexação da Gronelândia (território semi autónomo que pertence à Dinamarca) — representam um “choque estrutural” para as empresas europeias, que enfrentam”desvantagens de preço” nos Estados Unidos.
No entender de Mário Centeno, a Europa deve responder às ameaças do líder da Casa Branca com uma “coordenação das políticas monetárias, fiscais e de concorrência“, sendo que as empresas terão de tornar-se “mais competitivas” e os decisores políticos europeus devem “apoiar” essa transformação, sobretudo “numa altura em que a utilização das tarifas como arma se torna parte do jogo”.
“Teríamos estado muito melhor sem as tarifas”, afirma o ex-governador do BdP ao jornal britânico. Contudo, embora as considere “um grande desafio”, ressalva que as empresas europeias que competem no mercado norte-americano e noutros locais provavelmente irão tornar-se “mais eficientes e mais competitivas com o passar do tempo”. “É uma espécie de paradoxo”, remata.
A entrevista de Mário Centeno ao Financial Times é publicada no dia em que o ex-ministro das Finanças e antigo governador do Banco de Portugal vai a votos na reunião do Eurogrupo desta segunda-feira que vai decidir quem vai ser o próximo vice-presidente do BCE.
Além do candidato português, estão na corrida para suceder ao espanhol Luis de Guindos, cujo mandato termina no próximo mês de maio, o letão Mārtiņš Kazāks — que o Parlamento Europeu, após as audições da semana passada, destacou como um dos favoritos ao cargo, a par com Centeno –; o finlandês Olli Rehn; Madis Müller, da Estónia; Rimantas Šadžius, da Lituânia; e Boris Vujčić, da Croácia.
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