Private equity na saúde atinge valor global recorde de 191 mil milhões

Europa foi uma das regiões que mais contribuiu para este crescimento do capital privado em 2025, segundo o relatório a consultora Bain & Company.

O investimento mundial de private equity (capital privado) na área da saúde atingiu um novo recorde em 2025, com um valor estimado de 191 mil milhões de dólares (cerca de 164 mil milhões de euros) em transações, de acordo com os dados divulgados esta segunda-feira pela Bain & Company. O montante supera o pico anterior de 2021 e deve-se aos meganegócios neste setor.

Houve um forte aumento nas transações superiores a mil milhões de dólares (aproximadamente 859 milhões de euros) e compensou a desaceleração do segundo trimestre na América do Norte e na Ásia-Pacífico resultante das tarifas anunciadas por Donald Trump, segundo a consultora internacional.

Já o número de operações de private equity na saúde, embora não tenha sido recordista, também se manteve robusto, a crescer e só não foi ultrapassado pelo pós-pandemia. No ano passado, os investidores de capital anunciaram 445 aquisições, o segundo maior número registado pela Dealogic. Mais uma vez, 2021 venceu com 514 negócios.

“O capital privado no setor da saúde apresentou um desempenho recorde no ano passado, com um aumento significativo nas grandes transações e no número de transações a todos os níveis, lideradas pelos segmentos biofarmacêutico e de prestadores de serviços, impulsionados pela atividade de tecnologias da informação na área da saúde”, explicou Álvaro Pires, sócio da Bain & Company, num comentário enviado com o relatório.

“O cenário está pronto para um 2026 ativo, devido aos altos níveis de capital disponível e a um crescente conjunto de ativos pertencentes a patrocinadores que estão a chegar ao fim da vida útil dos seus fundos”, antevê o senior partner da Bain, cofundador do escritório de Lisboa e responsável pelo departamento de private equity.

Quanto ao valor de saída (exit) subiu para 156 mil milhões de dólares (134 mil milhões de euros), o que significa que mais que duplicou em relação aos 54 mil milhões de 2024, num contexto em que as transações entre patrocinadores (sponsor-to-sponsor deals) recuperaram das quebras pós-pandemia, concluiu o relatório Global Healthcare Private Equity Report 2026 da Bain.

“Após uma desaceleração em 2023 e 2024, os negócios entre patrocinadores continuam a crescer como um tipo de negócio de aquisição, sinalizando a força do mercado de capital privado na área da saúde. Tanto o volume como o valor atingiram níveis recorde em 2025, com mais de 150 negócios entre patrocinadores previstos e um valor estimado superior a 120 mil milhões”, detalham os consultores.

Destaca-se ainda o facto de o crescimento global do private equity na saúde ter sido impulsionado pela atividade sustentada da Europa, bem como pelo ressurgimento na América do Norte e na Ásia-Pacífico, após as contrações relacionadas com tarifas no segundo trimestre.

No Velho Continente, o valor das transações prepara-se para duplicar face ao ano anterior, para um valor estimado de 59 mil milhões de dólares (51 mil milhões de euros) à boleia do setor biofarmacêutico. Aliás, cinco investimentos em biofarmacêuticas foram as cinco maiores transações da Europa e corresponderam à maioria (65%) do valor total das transações.

A título de exemplo, a britânica Alliance Pharma aceitou a proposta de compra do fundo DBAY Advisors, que a avaliou em 362 milhões de libras esterlinas (417 milhões de euros).

Estamos otimistas quanto às perspetivas para o capital privado na área da saúde este ano, especialmente porque a confiança dos investidores nos fundamentos do mercado permaneceu elevada perante os desafios enfrentados na última primavera. De futuro, os investidores vão precisar de convicção nas suas estratégias de criação de valor para obter retornos acima da média, uma vez que a concorrência por ativos continua intensa”, referiu ainda Álvaro Pires.

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