Impasse entre EUA e Gronelândia abala Wall Street. S&P 500 a caminho do pior dia em dois meses
Três principais índices abrem sessão no vermelho. Wall Street regressa às negociações após o feriado que celebra o aniversário de Martin Luther King e reage a um fim de semana de alvoroço diplomático.
A bolsa de Nova Iorque abriu esta terça-feira em terreno negativo perante a ameaça de Donald Trump de impor impostos alfandegários a todos os países que se opõem à anexação da Gronelândia por parte dos Estados Unidos. Wall Street regressou às negociações após o feriado que celebra o aniversário do ativista Martin Luther King e reage a um fim de semana de novo alvoroço na diplomacia.
Entre os principais índices, reina o encarnado. O Dow Jones caiu 1,32%, para os 48,706.26 pontos logo depois do toque do sino, o financeiro S&P 500 perdeu 1,39%, para os 6,843.59 pontos — e caminha para registar o pior dia em dois meses — e o tecnológico Nasdaq desvalorizou 1,64%, para os 23.130,15 pontos. Já o Russell 2000 desceu 1,39%, para os 2.642,98 pontos.
Destaque ainda para o facto de o índice de volatilidade CBOE, também conhecido como medidor do ‘medo’ de Wall Street, ter atingido esta manhã máximos de dois meses, nos 20,61 pontos. “Com o feriado de ontem nos Estados Unidos, as implicações das ameaças de tarifas sobre a Gronelândia ainda não se tinham refletido por completo nos mercados financeiros. Os mercados reagiram, mas há claramente espaço para movimentos maiores se a retórica se intensificar ainda mais”, Jim Reid, analista do Deutsche Bank, numa análise de mercado divulgada pela CNBC.
Os Estados Unidos têm vindo a insistir no controlo da Gronelândia e o tema da guerra comercial voltou a dominar o mundo. A Casa Branca pretende aplicar uma taxa adicional de 10%, no próximo mês, que aumentaria até 25% a partir de junho, caso não fosse alcançado um acordo na ilha gelada. Por sua vez, a Europa avalia impor taxas sobre 93 mil milhões de euros em bens de bens norte-americanos.
Neste contexto, os analistas do Bankinter afirmam que a geoestratégia continuará a dominar o mercado ao longo do dia. “Para acrescentar um pouco mais de confusão, o Supremo Tribunal poderá decidir sobre a legalidade dos impostos alfandegários, não estes últimos, mas os anunciados após o Dia da Liberação. Se não o fizer, a próxima oportunidade surgirá dentro de um mês”, acrescentam, em research.
Numa fase em que a atenção dos investidores está na agenda do Fórum Económico Mundial em Davos, com o discurso de Donald Trump marcado para amanhã, sobressaem as cotadas que divulgam resultados. É o caso da 3M, fabricante dos blocos de notas Post-it, cujos títulos tombam mais de 7% para 155,53 dólares, após publicar previsões de lucro anual abaixo da estimativa dos analistas. Quanto à United Airlines, que também vai apresentar contas, cai 1,80% para 111,45 dólares.
Quanto às matérias-primas, o preço do ouro negro está a valorizar mais de 1%. A cotação do barril de Brent, o crude do mar do Norte que serve de referência para a Europa, avança 1,20% para os 64,66 dólares, enquanto o valor do WTI, produzido no Texas, sobe 1,35% para os 60,14 dólares por barril.
No que diz respeito ao mercado cambial, o euro valoriza 0,73% face ao dólar, para 1,173 dólares, e a libra esterlina ganha 0,25% face à moeda dos Estados Unidos, para 1,3449 dólares norte-americanos.
Notícia atualizada às 15h35
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