Fórum para a Competitividade antecipa “ligeira recuperação do crescimento”
Economia portuguesa deverá recuperar crescimento, de 1,9% em 2025 para entre 1,9% e 2,2% em 2026 à boleia do consumo interno. Riscos externos são significativos e afetam negativamente as exportações.
O Fórum para a Competitividade antecipa “uma ligeira recuperação do crescimento”, de 1,9% em 2025 para entre 1,9% e 2,2% em 2026 e entre 1,9% e 2,3% em 2027, à boleia do consumo interno.
O Fórum para a Competitividade alinha com a previsão de crescimento de 1,9%, em 2025, que apenas é suplantada pelos 2% do Governo e do Banco de Portugal. E mais uma vez, o Fórum fica 0,1 pontos percentuais abaixo da previsão de Miranda Sarmento e Álvaro Santos Pereira para este ano, no limite superior do intervalo. O Conselho das Finanças Públicas é a instituição mais pessimista ao prever um crescimento de 1,8%, este ano e de 1,6% no próximo. Para 2027, o Fórum é o mais otimista ao admitir que o crescimento poderá chegar aos 2,3%, ano em que Portugal já não conta com as verbas do Plano de Recuperação e Resiliência.

“A generalidade das instituições prevê que a economia portuguesa cresça ligeiramente mais em 2026 do que em 2025, talvez um pouco acima da tendência de médio prazo, com perspetivas europeias resilientes e o nosso país a beneficiar de algum dinamismo da procura interna, em especial da reta final de execução do PRR”, sublinha o economista Pedro Braz Teixeira. “A questão principal, no entanto, são os riscos, sobretudo internacionais que rodeiam o cenário central, que é benigno. Estes já eram muito elevados no final de 2025 e aceleraram extraordinariamente nas primeiras semanas de 2026”, acrescenta o diretor do Gabinete de Estudos do Fórum para a Competitividade, responsável pelos textos destas Perspetivas Empresariais, elencando a intervenção de Trump na Venezuela, as ameaças crescentes dos EUA à Gronelândia e os ataques à independência da Reserva Federal.
“Se compararmos o desempenho da produtividade com a dos países da UE com um grau de desenvolvimento semelhante ao nosso, verificamos que houve um claro padrão de convergência nestes, em claro contraste com a divergência portuguesa (de 73% da média em 2000 para 69,1% em 2024)”, acrescenta o diretor do Gabinete de Estudos do Fórum para a Competitividade, responsável pelos textos destas Perspetivas Empresariais.
“Os fatores que estimularam o aumento do consumo privado em 2025 deverão continuar a estar presentes no corrente ano, mas com uma intensidade inferior, de que deverá resultar algum abrandamento da despesa das famílias que, de qualquer forma, estava a exibir um crescimento excecional”, estima o Fórum na nota de conjuntura a que o ECO teve acesso. O consumo privado “deverá continuar forte, beneficiando de um forte crescimento do emprego, mesmo se inferior ao de 2025, do alívio das tabelas de retenção do IRS, embora inferior à do ano anterior, mas já sem beneficiar de descidas das taxas de juro pelo BCE” e os salários deverão registar “um novo aumento em termos reais, impulsionado pela baixa taxa de desemprego e pela dificuldade de muitas empresas em encontrar pessoal, sobretudo com as qualificações desejadas”.
Já no capítulo das exportações de bens, que se tem pautado por grande volatilidade no final de 2025, num ambiente internacional “de grande perturbação”, O Fórum considera que para 2026 o cenário central é “relativamente benigno”, “mas com riscos muito significativos, que o poderão alterar de forma muito substancial”. “Além disso, há ainda a considerar a muito forte apreciação do euro (12% face ao dólar até dezembro), que tem prosseguido no início do novo ano, retirando competitividade às exportações nacionais”, sublinha o economista.
Os ataques de Trump à independência da Reserva Federal têm conduzido à depreciação do dólar e concomitante apreciação do euro, que “terá tendência a reforçar-se, podendo até acentuar o processo de desinflação em curso”. Por isso, o Fórum para a Competitividade estima uma desaceleração da inflação nacional, de 2,3% em 2025 para entre 1,8% e 2,1% em 2026 e entre 1,7% e 2,1% em 2027.
O Fórum antecipa ainda uma ligeira redução da taxa de desemprego, de 6% em 2025 para entre 5,7% e 5,9% este ano. “O cenário central para o PIB é relativamente benigno, embora também sujeito a grandes riscos, alguns dos quais já muito evidentes em janeiro de 2026. Assim, a tendência central do desemprego será de ligeira descida, também sob o efeito de aumento das restrições à imigração, tendo esta sido um dos grandes responsáveis do forte crescimento do emprego”, justifica Braz Teixeira.
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