Empresas com mobilidade interna alta conseguem reter trabalhadores durante mais tempo

Oportunidades de mobilidade interna estimulam satisfação no trabalho e, à boleia, ajudam na fidelização do talento, mas ainda não são realidade na maioria das empresas.

As empresas que oferecem aos seus trabalhadores mais oportunidades de mobilidade interna conseguem reter esse talento durante mais tempo, segundo um novo estudo da consultora de recursos humanos Michael Page. Mas estas políticas de gestão de recursos humanos ainda não existem na maioria das organizações europeias.

“Os profissionais que integram empresas com elevados índices de mobilidade interna permanecem, em média, mais tempo, nessas organizações (cerca de 60%)”, salienta a Michael Page no estudo “Candidate pulse – vertical vs horizontal career change“, que tem por base as respostas de mais de 6.800 candidatos a emprego em toda a Europa continental, incluindo Portugal.

De acordo com a consultora, a ausência de políticas estruturadas de rotação e mentoria contribui mesmo para níveis elevados de insatisfação e rotatividade. Aliás, mais de metade dos inquiridos (58% dos ouvidos em Portugal) identificaram a ausência de oportunidades interna como um “fator relevante para abandonar a empresa” e procurar uma nova oportunidade.

Ainda assim, os empregadores ainda não facilitam a mobilidade interna. Cerca de 58% dos candidatos ouvidos garantem que a empresa onde trabalham “não promove a mobilidade interna para a função que desempenham”.

Mais: embora três em cada quatro manifestem abertura para mudar de especialização, “menos de metade avança efetivamente nesse sentido, evidenciando a importância de programas de mentoria, rotações estruturadas e mercados internos de talento para ampliar o acesso a novas oportunidades”, destaca a Michael Page.

"Setores como engenharia e jurídico destacam-se pela preferência por promoções e ascensão hierárquica, enquanto os profissionais de vendas e marketing tendem a valorizar mais movimentos horizontais.”

Michael Page

Por outro lado, o estudo conclui que a maioria dos profissionais (62%) privilegia a progressão vertical na carreira, “associada à assunção de maiores responsabilidades e à evolução nas funções“, em detrimento de movimentos laterais.

Ou seja, seis em cada dez valorizam promoções internas e ascensão na hierarquia, enquanto os demais atribuem maior importância às transições laterais. “Setores como engenharia e jurídico destacam-se pela preferência por promoções e ascensão hierárquica, enquanto os profissionais de vendas e marketing tendem a valorizar mais movimentos horizontais”, é detalhado.

Importa realçar também que 70% dos candidatos ouvidos em Portugal considera que assumir funções de maior responsabilidade está diretamente associado a um aumento da satisfação profissional.

"Mesmo sentindo-se capazes, mais de metade (54%) considera que não existem reais possibilidades de crescimento dentro da sua empresa, uma perceção particularmente expressiva entre cargos de direção.”

Michael Page

Apesar desta perceção positiva, e de muitos candidatos se considerarem preparados para assumir funções de maior responsabilidade, uma fatia assinalável (17%) queixa-se da falta de suporte organizacional para tal, isto é, referem necessitar de apoio ou formação adicional, “sobretudo os profissionais mais jovens e aqueles que não desempenham funções de gestão”.

“Mesmo sentindo-se capazes, mais de metade (54%) considera que não existem reais possibilidades de crescimento dentro da sua empresa, uma perceção particularmente expressiva entre cargos de direção. Adicionalmente, 26% afirmam que não existem políticas de mobilidade interna, reforçando a distância entre a ambição dos profissionais e as práticas das organizações”, reforça a Michael Page.

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