Grupo têxtil Okaïdi avança com pedido recuperação judicial em França
Com lojas em Portugal, o grupo indica que o pedido não diz respeito às “filiais estrangeiras e ao conjunto das franquias do grupo”.
O grupo IDKIDS, proprietário da marca de roupa infantil Okaïdi que tem lojas em Portugal, anunciou esta terça-feira que solicitou a recuperação judicial para as suas atividades em França, onde emprega 2.000 pessoas. Uma audiência terá lugar em 3 de fevereiro no tribunal comercial de Lille, acrescentou a IDKIDS à agência AFP.
Este pedido diz respeito às marcas Obaïbi (para crianças de 0 a 3 anos), Okaïdi (3-14 anos), Oxybul (jogos educativos) e à plataforma logística IDLOG, mas não à marca Jacadi, também propriedade do grupo, precisou este último num comunicado. Este pedido não diz respeito às “filiais estrangeiras e ao conjunto das franquias do grupo”, sublinhou.
A Okaïdi, marca histórica do grupo com sede em Roubaix, gera um volume de negócios de 600 milhões de euros em todo o mundo, dos quais 300 milhões em França, precisou uma porta-voz do grupo à AFP. No seu conjunto, o grupo IDKIDS está presente em 70 países, onde conta com um volume de negócios de 800 milhões de euros e emprega 6.000 pessoas.
O grupo explicou que é vítima de um “efeito ampulheta”, ou seja, o segmento premium do setor, por um lado, e o low-cost e o ultra fast-fashion, por outro, resistem bem, enquanto as marcas de gama média, das quais faz parte a Okaïdi, enfrentam dificuldades. “A Okaïdi-Obaïbi tem sofrido há vários anos a pressão dos custos e da concorrência (lojas generalistas de baixo custo, fast-fashion, segunda mão), que pesaram fortemente nos resultados da marca em 2025”, indica a IDKIDS.
“A Okaïdi deve evoluir o seu modelo operacional e reafirmar a sua singularidade para se manter competitiva”, continua o grupo. Várias empresas francesas de pronto-a-vestir enfrentaram dificuldades nos últimos anos: IKKS, Camaïeu, Kookaï, Gap France, Jennyfer, André, Comptoir des Cotonniers, Princesse Tam Tam, Kaporal, entre outras.
Após a difícil transição para as vendas online, a covid-19, a inflação e agora a concorrência do mercado de segunda mão e da moda ultra-efémera, a atividade do setor do vestuário/têxtil recuou 1,3% em 2025 e 8,5% desde 2019, de acordo com o Instituto Francês da Moda (IFM).
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Grupo têxtil Okaïdi avança com pedido recuperação judicial em França
{{ noCommentsLabel }}