CEO da Ryanair acusa Governo de impedir crescimento da Portela para proteger a TAP

Michael O'Leary considera que "basta uma caneta" para aumentar a capacidade do aeroporto Humberto Delgado. Operação nos Açores é mesmo para fechar.

O CEO da Ryanair acusou o Governo de limitar o crescimento da capacidade do aeroporto Humberto Delgado para proteger a TAP durante a privatização. Michael O’Leary confirmou também que a companhia deixará de voar para os Açores a partir do final de março, culpando os impostos ambientais da União Europeia.

O Governo “está a proteger a TAP enquanto está a ser vendida e entretanto os portugueses, os cidadãos de Lisboa, estão a pagar tarifas mais elevadas”, afirmou o gestor da companhia aérea irlandesa durante uma conferência de imprensa esta quarta-feira em Lisboa. “A capacidade na Portela pode ser aumentada com uma caneta”, afirmou.

A capacidade atual do aeroporto Humberto Delgado é de 38 movimentos por hora, em média. Um aumento para 45 movimentos, que está previsto pelo Governo, requer uma avaliação de impacto ambiental e a aprovação pela APA. A ANA prevê entregar o estudo de impacto ambiental ainda este ano.

Michael O’Leary, que diz ter reunido com o Governo há cerca de um ano, repetiu o apelo para que “o Montijo seja construído até 2028” e afirmou que o aeroporto em Alcochete “não será construído durante o tempo em que estiver vivo”. “São idiotas”, disse sobre a incapacidade do Executivo para resolver o problema da capacidade em Lisboa.

A Ryanair tem 12 aviões baseados no Porto e em Faro, mas apenas quatro em Lisboa. O gestor afirmou que com um aumento da capacidade a Ryanair poderia estar a operar 20 a 25 aeronaves a partir de Lisboa, contribuindo para o crescimento do turismo.

O gestor foi também crítico dos atrasos no controlo de passageiros no Aeroporto Humberto Delgado, considerando que se devem a “ineficiência”. “É uma questão de pessoal. Contratem mais pessoal, tenham mais máquinas automáticas e façam com que as pessoas passem [o controlo] mais rapidamente”.

Venda da TAP a gigantes da indústria vai aumentar preço dos bilhetes

Michael O’Leary acrescentou que se na privatização a TAP for vendida à Lufthansa, IAG ou Air France “o preço das passagens vai aumentar ainda mais”, reforçando a necessidade de haver mais capacidade para as companhias low cost poderem operar.

O CEO da Ryanair confirmou o encerramento da operação para Ponta Delgada a partir do final de março, culpando as taxas ambientais que diz tornarem a operação “não lucrativa” e não competitiva com outras rotas que pode operar a partir de Lisboa. A companhia não tem intenção de voltar aos Açores este ano e O’Leary diz que só o fará se as taxas forem retiradas.

O’Leary apelou a que “as taxas sobre a aviação sejam eliminadas” para que a aviação europeia seja “mais competitiva”, deixando fortes críticas à presidente da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, acusando-os de inação. Para o CEO da companhia de baixo custo, deveria ser criada uma exceção no pagamento de impostos ambientais nos voos para as ilhas periféricas.

A Ryanair anunciou esta quarta-feira um número recorde de rotas para Portugal para o verão. A companhia aérea low cost vai operar 160 rotas, incluindo quatro novas: uma a partir de Faro, para Varsóvia, e três a partir do Porto, com destino a Gotemburgo, Rabat e Varsóvia. Michael O’Leary anunciou também “a 12ª aeronave baseada em Faro, um investimento adicional de 100 milhões de euros”. Em Lisboa não haverá qualquer crescimento.

(Notícia atualizada às 10h32)

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