Powell deixa conselho ao sucessor: “Fique fora da política”

Trump, independência e sucessão: Jerome Powell saiu em defesa do banco central, que não irá perder credibilidade apesar dos ataques, e deixou conselhos a quem vier a seguir.

O líder da Reserva Federal americana (Fed) não acredita que o banco central irá perder a credibilidade, apesar dos ataques constantes do Presidente Donald Trump. Jerome Powell, que se prepara para abandonar o cargo em maio, deixou ainda alguns conselhos ao seu sucessor. O primeiro deles: “Fique fora da política”.

Não se envolvam na política. Não façam isso”, respondeu Powell aos jornalistas, depois de questionado sobre se tinha recomendações para quem o suceder na liderança do banco central mais poderoso do mundo.

Essa escolha pertence a Trump e as apostas dão Rick Rieder, senior managing director na BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, como grande favorito nessa corrida.

Powell deixou ainda outro conselho: “A nossa janela para a responsabilidade democrática é o Congresso. E não é um fardo passivo para nós ir ao Congresso e falar com as pessoas”. Para o líder da Fed “é uma obrigação ativa e regular”. E se o próximo presidente “pretende legitimidade democrática, conquista-a através das suas interações com os nossos supervisores eleitos”.

E mais um: “Digo a quem quer que seja, está prestes a conhecer o grupo de pessoas mais qualificado com quem não só já trabalhou, como nunca trabalhará. E quando se conhece a equipa da Fed, e nem todos são perfeitos, não há melhor grupo de profissionais mais dedicados ao bem-estar público do que aqueles que trabalham na Fed”.

“Não perdemos credibilidade e não penso que a vamos perder”

Ao contrário da declaração de 11 de janeiro, em que acusou diretamente Donald Trump de retaliação com a investigação aos custos das obras no edifício da Fed, desta vez Powell foi mais comedido.

Ainda assim, não hesitou em responder quando lhe perguntaram sobre o que é que as pessoas têm a perder quando um banco central vê a sua independência e credibilidade colocada em causa.

Na verdade, o objetivo da independência não é proteger os decisores políticos ou algo do género. (…) É apenas um arranjo institucional que tem servido bem o povo. E este arranjo consiste em não haver controlo direto das autoridades eleitas sobre a definição da política monetária”, começou por dizer.

Não estou a falar do contexto dos EUA. Isto aplica-se a todas as democracias de economias avançadas de qualquer dimensão. (..) Se perdermos isso, será difícil restaurar a credibilidade da instituição se as pessoas perderem a fé de que estamos a tomar decisões com base apenas na nossa avaliação do que é melhor para todos, para o público em geral, em vez de tentarmos beneficiar um grupo ou outro”, acrescentou de seguida.

Isto para rematar: “Ainda não perdemos e não penso que vamos perder”.

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