Queda de “centenas de árvores” mantém A1 parcialmente cortada. Várias linhas férreas com cortes

Autoestrada do Norte, IP4, IP5 e mais vias estruturantes com cortes. Na ferrovia, quase todo o país afetado. Nível máximo de alerta estendido das 16 horas às 23h59.

A A1, principal autoestrada do país, continua com trânsito cortado a partir do nó de Torres Novas, no sentido Lisboa-Porto, não havendo previsão de quando irá reabrir, afirmou fonte da Brisa ao ECO/Local Online. Caíram “centenas de árvores, pelo que é previsível que demore” a reabertura, indicou a mesma fonte.

No sentido sul-norte, ao quilómetro 94, a GNR está a orientar os condutores para a A23. Adicionalmente, ao longo da A1 entre Pombal e Torres Novas decorrem trabalhos na via, para remoção de vegetação e reparação de sinalização caída, o que limita a velocidade de circulação.

A autoestrada do Norte é uma das vias estruturantes com trânsito cortado ao início da tarde, juntando-se a ela o IP4 e o IP5. Também relevantes, a A23 e a A25 estão com trânsito condicionado, revelou o presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), José Manuel Moura, na conferência de imprensa realizada ao final da manhã.

Devido à passagem da depressão Kristin, uma árvore de grande porte caiu sobre a linha de comboio da linha do Oeste, cortando a circulação dos comboios, nas Caldas da RainhaCARLOS BARROSO/LUSA

Na ferrovia, o balanço da Infraestruturas de Portugal aponta para vários constrangimentos. A saber:

  • Linha do Douro – Circulação suspensa entre a Régua e Tua;
  • Linha do Minho – circulação em via única entre Ermesinde e Contumil;
  • Linha do Norte – Circulação suspensa entre o Entroncamento e a Pampilhosa;
  • Linha da Beira Baixa – Circulação suspensa entre Ródão e a Guarda;
  • Linha da Beira Alta – Circulação suspensa entre Oliveirinha e a Pampilhosa;
  • Linha do Oeste – Circulação suspensa entre Meleças e Caldas da Rainha;
  • Linha do Sul – Circulação suspensa entre Grândola e Lousal.

O estado de prontidão especial de nível 4, que é o máximo, estava em vigor até às 16 horas de hoje e foi determinado […] que vai ser estendido até às 25h59 de hoje. Vamos ter o mesmo nível de empenhamento operacional.

José Manuel Moura

Presidente da ANEPC

A depressão Kristin, um fenómeno climatérico com potencial destrutivo, como a descreveu a ANEPC, passou durante esta madrugada pela região centro do continente, com maiores impactos nos distritos de Coimbra e Leiria. Com dois meios aéreos a sobrevoar as zonas afetadas e o Copernicus mobilizado para ajudar na monitorização a partir do espaço, o balanço continua a ser efetuado.

“O estado de prontidão especial de nível 4, que é o máximo, estava em vigor até às 16 horas de hoje e foi determinado no centro coordenador operacional nacional, realizado há pouco, que vai ser estendido até às 25h59 de hoje. Vamos ter o mesmo nível de empenhamento operacional”, afirmou José Manuel Moura.

Devido à passagem da depressão Kristin, uma árvore de grande porte caiu sobre uma viatura que circulava na Estrada Atlântica, que liga Salir do Porto e Foz do Arelho, nas Caldas da Rainha, 28 de janeiro de 2026CARLOS BARROSO/LUSA

Até ao final da manhã, estão contabilizadas mais de 3.300 ocorrências, um “número dinâmico”, nota o presidente da Proteção Civil, com balanço final ainda por fazer, após uma noite em que o vento chegou a rajadas de 150 km/h.

A energia continua por repor em várias zonas do país, tendo já sido recuperado o serviço para quase metade da população afetada. Do milhão de casas que chegaram a ficar às escuras, estavam, no início da madrugada, ainda por solucionar 590 mil, indica a ANPC.

Tal como já tinha avançado num primeiro momento, ainda antes da entrada do fenómeno climatérico no continente, a Proteção Civil aponta o “potencial destrutivo muito significativo”, que acabou por atingir em maior escala as zonas região de Leiria – “com grande impacto”, particulariza a entidade –, Lisboa, Península de Setúbal, Oeste, Lezíria do Tejo, Médio Tejo, Aveiro e Coimbra.

A passagem da depressão Kristin na Figueira da Foz fez cair parte do telhado da antiga Universidade e atingiu, pelo menos, sete carros,PAULO NOVAIS / LUSA

Segundo o IPMA, a depressão Kristin tratou-se de “um fenómeno raro”, que, apesar do efeito de “pequena bomba meteorológica”, passou rápido sobre o território nacional. O instituto encontra paralelo no furacão Leslie, em 2018 (que chegou a originar a paragem da fábrica da Navigator na Figueira da Foz durante uma semana) e na tempestade de 2009, igualmente destrutiva.

No balanço ao final da manhã, a entidade confirma a existência de duas vítimas mortais, uma em Vila Franca de Xira, atingida por uma árvore, e outra em Monte Real, Leiria, após queda de uma infraestrutura. No entanto, serão já cinco as vítimas mortais no total provocadas pelo temporal. No caso de Vila Franca de Xira, o acidente ocorreu na EN1, em Povos, informa a autarquia, que assegura tratar-se “de uma árvore saudável e em bom estado, cuja queda ficou a dever-se à forte intensidade do vento que se registou na última madrugada”.

Entre os danos em infraestruturas, destaca-se também o aeródromo de Coimbra, com telhado danificado e aviões atingidos, num balanço que, segundo a Lusa, atinge um milhão de euros. Ana Abrunhosa, presidente da Câmara de Coimbra, indicou, à RTP, que a situação no seu concelho demorará pelo menos dois a três dias a resolver.

“O impacto foi minimizado pelos avisos difundidos à população”, nota o presidente da ANPC, dando nota de “mais de seis milhões de mensagens” enviadas para telemóveis.

Notícia atualizada às 13h45 com informação relativa à ferrovia

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