Economia portuguesa cresceu 1,9% em 2025, aquém das previsões do Governo. É o terceiro ano de abrandamento

É o terceiro ano consecutivo de abrandamento, com as exportações a penalizarem o desempenho da economia, à boleia da paragem da refinaria da Galp em Sines.

A economia portuguesa cresceu 1,9% em 2025, abaixo da progressão de 2,1% em 2024 e aquém da previsão de 2% do Executivo e do Banco de Portugal. Foi o terceiro ano consecutivo de abrandamento do crescimento económico nacional, com as exportações a penalizarem o desempenho da economia, à boleia da paragem da refinaria da Galp em Sines. De acordo com a estimativa rápida divulgada esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o crescimento no quarto trimestre foi de 1,9% após os 2,3% no trimestre precedente.

“No conjunto do ano 2025, o PIB registou um crescimento de 1,9% em volume, após o aumento de 2,1% em 2024″, escreve o INE. A procura interna teve um contributo positivo para esta variação, tendo sido superior ao observado no ano anterior, reflexo da aceleração do consumo privado e do investimento. E as exportações tiveram um contributo mais negativo, dada a desaceleração pronunciada.

No entanto, “o contributo da variação de existências passou a positivo enquanto a formação bruta de capital fixo registou um abrandamento“, acrescenta a mesma nota. O abrandamento do investimento contraria as expectativas tendo em conta a necessidade de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

“O contributo da procura externa líquida foi mais negativo em 2025, tendo as exportações de bens e serviços em volume desacelerado de forma mais pronunciada que as importações de bens e serviços”, escreve o INE, sublinhando que se verificou “uma desaceleração pronunciada das importações de bens e serviços e uma redução das exportações de bens e serviços. Note-se que estas evoluções foram determinadas pela componente de bens, refletindo, em larga medida, a diminuição das transações de produtos petrolíferos”, explica o INE.

Recorde-se que a Galp tinha prevista uma paragem de 50 dias, no final do ano, para fazer a manutenção da refinaria de Sines. O anúncio foi feito logo em março pela diretora da refinaria.

Em termos trimestrais o PIB, em volume, registou uma variação homóloga de 1,9% nos últimos três meses 2025, após um crescimento de 2,3% no trimestre anterior. Nesta comparação trimestral, o contributo negativo das exportações foi “menos acentuado”, mas houve ainda assim “uma desaceleração pronunciada das importações de bens e serviços e uma redução das exportações de bens e serviços”.

Por outro lado, o contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu, verificando-se uma desaceleração do consumo privado e do investimento. Esta comparação é impactada negativamente pelo facto de, no final de 2024, o consumo privado ter sido impulsionado pela alteração adicional dos escalões de IRS e pelo suplemento extraordinário das pensões. Em 2025, os pensionistas puderam usufruir do bónus em setembro, ou seja, no terceiro trimestre, que registou uma progressão homóloga de 2,3%.

Já na avaliação em cadeia, ou seja, comparando com o terceiro trimestre de 2025, o PIB aumentou 0,8% em volume, após um crescimento de 0,7% nos três anteriores. “O contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB passou a positivo, refletindo uma redução acentuada das importações de bens e serviços, devido, em grande medida, ao já referido comportamento das transações de produtos petrolíferos”, sublinha o INE. Já o contributo da procura interna passou a negativo, verificando-se uma redução significativa do investimento e uma desaceleração do consumo privado.

(Notícia atualizada com mais informação)

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