Ventura propõe adiar votação. Seguro fala em “incentivos à desmobilização eleitoral”

O candidato presidencial apoiado pelo Chega quer adiar a segunda volta das eleições presidenciais, devido às tempestades que têm afetado o país. Seguro remete decisão para as autoridades.

André Ventura propõe adiar a nível nacional segunda volta das eleições presidenciais, marcada para este domingo, 8 de fevereiro, devido às tempestades que têm afetado o país, anunciou esta quinta-feira o candidato presidencial apoiado pelo Chega. Uma opção que o seu opositor, António José Seguro, remete para as autoridades, mas avisa que o essencial é que as eleições se realizem, identificando “incentivos à desmobilização” eleitoral.

“Temos grande parte do país em estado de calamidade. Francamente, não temos condições de termos eleições disputadas e marcadas neste contexto”, afirmou André Ventura durante uma ação de campanha em Silves, Algarve, reconhecendo que a campanha e as eleições “estavam marcadas há meses”, mas que “isto não estava previsto acontecer”.

 

“E um político tem de perceber a prioridade neste momento e o que eu noto é neste momento a última preocupação das pessoas são as eleições, são os votos” sinalizou, durante um almoço com apoiantes da candidatura e autarcas da região.

“As pessoas estão sem comunicações, sem abastecimento, sem luz, sem bens essenciais para si e para os seus, as pessoas estão a passar mal”, continuou. Por isso, considera que não é “injusto ou desproporcional” pedir o adiamento das eleições presidenciais em todo o território nacional.

“Vou propor hoje e vou propor ao outro candidato e ao Presidente da República e aos vários poderes municipais que, por uma questão de igualdade de todos os portugueses, que se adie uma semana o ato eleitoral. É o último apelo que faço e espero que seja ouvido!”, anunciou.

“Há muitas zonas do país onde nem sequer vai ser possível votar, não podemos ter portugueses de primeira e de segunda”, justificou. O apelo de Ventura surge depois de autarquia de Alcácer do Sal ter decidido adiar a segunda volta das eleições presidenciais para 15 de fevereiro, na sequência da sugestão do próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Menos de uma hora depois, durante uma ação de campanha, o seu opositor, António José Seguro, assegurou ainda não ter recebido qualquer chamada do presidente do Chega — até porque não tem o seu número de telefone, diz — e não mostrou qualquer entusiasmo com a ideia.

“Não faço comentários sobre coisas tão relevantes. Aquilo que considero essencial é que as eleições se realizem e que os portugueses possam ter a possibilidade de votar. Já houve portugueses que votaram na semana passada, no domingo. Portanto, não vejo problema que, para além dos votos que vão poder realizar-se este domingo, nos concelhos em que os presidentes de câmara entendam que não há condições agora se fazer as eleições no domingo seguinte“, disse o antigo secretário-geral do PS, em declarações aos jornalistas.

Seguro remeteu para o “quadro legal e constitucional” e “para as autoridades” a decisão sobre o tema. “Não sou deputado, sou um cidadão comum”, disse.

“O meu papel como candidato é dizer duas coisas: nenhum português que queira votar deve ser impedido de votar. Ou agora ou não outro dia. Em segundo lugar, apelar aos portugueses que possam votar que o vão fazer no próximo domingo. Vejo muitos incentivos à desmobilização eleitoral dos portugueses, faço o contrário. Quero que os portugueses vão votar“, aventou o candidato presidencial.

A Câmara Municipal de Alcácer do Sal anunciou que foi adiada a realização da segunda volta das eleições presidenciais no concelho. A data do ato eleitoral transita para 15 de fevereiro. Entre os motivos apresentados pela autarquia está o facto de, até 8 de fevereiro, o concelho de Alcácer do Sal estar em situação de calamidade, decretada pelo Governo em Conselho de Ministros.

Além deste estado de alerta, a Câmara Municipal de Alcácer do Sal faz referência às “condições meteorológicas extremas”, que causaram “danos significativos” nas infraestruturas e condicionaram “de forma grave” a circulação da população e de mercadorias.

Na lista de razões é também mencionado o corte das estradas que fazem a ligação até Santa Catarina, Casebres, Vale de Guizo, Torrão e São Romão do Sado devido a cheias ou derrocadas. A autarquia sadina adverte, em comunicado, para “a impossibilidade ou acesso condicionado a locais de voto, bem como perturbações nas redes de transporte, comunicações e fornecimento de serviços essenciais” e o “comprometimento das condições de segurança, igualdade e liberdade de participação dos cidadãos no ato eleitoral”.

“Atendendo ao caráter excecional e imprevisível dos acontecimentos ocorridos, não estando reunidas as condições mínimas para a realização normal e universal das eleições presidenciais no concelho de Alcácer do Sal, foi solicitado o seu adiamento”, conclui a câmara.

(Notícia atualizada às 16h45 com a posição de António José Seguro)

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