Quanto vale Bad Bunny, a estrela latina que irritou Donald Trump
O espetáculo no intervalo da Super Bowl já foi visto mais de 9 milhões de vezes em menos de 12 horas só no YouTube. Tornou-se tendência de pesquisa e irritou o presidente dos EUA.
Menos de 12 horas depois de ter atuado no intervalo da final da Super Bowl, em que os Seahawks se vingaram dos Patriots, Bad Bunny era tendência de pesquisa no Google e o vídeo oficial desta performance de 14 minutos já contava mais de 9 milhões de visualizações no Youtube — fora os espectadores que seguiram em direto na televisão. Também já tinha conseguido irritar o presidente dos Estados Unidos.
“Absolutamente terrível, um dos piores, DE SEMPRE! Não faz sentido, é uma afronta à Grandeza da América, e não representa os nossos padrões de sucesso, criatividade e excelência. Ninguém entende uma palavra do que este tipo diz…”, escreveu Donald Trump na rede social Truth Social, à mesma hora que Bad Bunny atuava. E acrescentava: “Este ‘espetáculo’ é uma ‘chapada na cara’ do nosso país, que está a estabelecer novos padrões e recordes todos os dias – incluindo melhor mercado de ações e 401k) da História! Não há nada de inspirador nesta confusão do espetáculo do intervalo, vão ter grandes críticas da Fake News Media, porque eles não sabem nada do que se passa no MUNDO REAL”.
Sobre estabelecer novos padrões e recordes, Benito Antonio Martínez Ocasio (a.k.a. Bad Bunny) pode responder com vários números: foi o artista mais ouvido no Spotify em 2025 com 19,8 mil milhões de streams. E é a quarta vez que o consegue na sua carreira (depois de 2020, 2021 e 2022). Nenhum outro músico conseguiu este feito.
A atuação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl acontece uma semana depois de ter vencido o prémio de melhor álbum nos Grammy e ter estabelecido outro recorde: foi a primeira vez que um artista venceu com um disco totalmente cantado em espanhol.
Foi também a primeira vez que o espanhol foi a língua predominante nesta final da NFL. Não há mistério, escrevem meios norte-americanos. Dados de 2024, publicados pela NPR, dizem que cresceu 11% o número de espectadores latinos. Por outro lado, mais de 40 atletas da NFL são de origem latina e há mesmo uma campanha de internacionalização do desporto, com Brasil e Espanha na mira.
Bad Bunny é uma máquina de popularidade. A digressão iniciada em 2025, a propósito do álbum Debí Tirar Más Fotos, tem mais de 50 datas e vai levá-lo por 18 países, incluindo Portugal com dois concertos (26 e 27 de maio no Estádio da Luz). Trinta destes espectáculos aconteceram na sua terra natal, Puerto Rico, e terão injetado 200 milhões de dólares na economia do país desde 15 de julho.
Já os EUA ficaram de fora da digressão (para já), por razões políticas, explicadas pelo próprio Bad Bunny numa entrevista à I-D Magazine. “Havia aquele tema de… o ICE podia estar lá fora [dos recintos dos meus concertos]. Foi um assunto que abordámos, e com grande preocupação”. Quando Trump critica a performance de Bad Bunny está, também, a atirar contra um dos seus mais ferozes críticos.
Mais sonoro ou mais subtil, Bad Bunny, 31 anos, tem feito um combate às políticas de imigração de Trump, que vai para lá da não inclusão do país na sua digressão. Está na frase “ICE out” proferida no palco dos Grammy quando recebia o seu prémio. Essa estatueta foi entregue esta madrugada ao menino que o ICE queria deportar.
Um gesto simbólico entre outros gestos simbólicos. Dos campos agrícolas onde trabalham sobretudo latinos, à comida de rua, passando pela presença de artistas como Pedro Pascal, CardiB ou Karol G, a participação especial de Ricky Martin, a referência ao êxito Gasolina de Daddy Yankee e, no final, aquele God Bless America, em inglês, referindo-se a uma América que vai do Chile ao Canadá.
A montra mais apetecida
Por esta altura, as audiências da Super Bowl ainda não são conhecidas, mas as estimativas apontam para 127,7 milhões de espectadores espalhados pelo mundo (em Portugal, a cerimónia foi transmitida pela DAZN).
Este ano, o preço por spot publicitário de 30 segundos atingiu o seu recorde. Algumas marcas pagaram cerca de 8,48 milhões de euros por slot publicitário, segundo Mark Marshall, diretor global de publicidade e parcerias da NBC Universal, citado pelo Financial Times. Em 2006, o preço médio era de 2,5 milhões de dólares por 30 segundos.
O valor de Bad Bunny está também na exposição global que o artista está a dar à Zara, a marca do fato bege que usou durante a atuação (não se sabendo se foi uma decisão orgânica ou um patrocínio), à Adidas, com os seus ténis, ou ao relógio Audemars Piguet de 75 mil dólares que usou pulso.
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