Pagamentos imediatos: “Agora o cliente compara-nos ao Whatsapp”

Regulamento dos pagamentos imediatos criou oportunidades de negócio, mas também elevou o nível de exigência. “Agora o cliente compara-nos ao Whatsapp”, diz responsável do BPI.

Os pagamentos imediatos criaram oportunidades de negócio para bancos e fintech, mas também elevaram o nível de exigência do mercado. Que o diga o BPI. “Agora o cliente compara-nos ao Whatsapp”, sublinhou Miguel Barreto Pontes, diretor de canais do banco na 6.ª edição da conferência New Money, organizada pelo ECO e pela Morais Leitão.

“O que o cliente espera é uma total conveniência na execução, rapidez e transparência com que executa a transferência, seja um particular ou uma empresa”, destacou o responsável do BPI.

Para Barreto Pontes, foi essa mudança estrutural que o regulamento europeu dos pagamentos imediatos, em vigor desde 2024, trouxe. “Mais que ver o pagamento imediato como um puro método de pagamento, mais uma oferta que temos de dar, acho que mudou absolutamente o paradigma para um regime operacional distinto”.

“Mais que um banco, somos quase uma all-in-one utility. Isto obrigou-nos a repensar várias coisas (…) desde a parte jurídica, do compliance, contact center, operações, à experiência do cliente, canais e IT”, explicou o diretor do BPI, dando um exemplo prático de como tudo deixou de funcionar em silos dentro do banco.

“O cliente, quando faz uma transferência ou um pagamento imediato, não está muito preocupado como é que está a liquidez do BPI, como é que o BPI montou a infraestrutura ou como é que nós vamos gerir se isto falhar? O cliente não quer saber. O cliente, mais uma vez, quer executar aquilo naquele momento. Portanto, ganhamos aí um problema de gestão não só interna”, disse.

Unicre reinventa-se

Para Carla Amorim, diretora de gestão de riscos, compliance e jurídico da Unicre, o regulamento europeu representou uma “evolução regulatória” que obrigou a instituição com mais de meio século de existência a reinventar-se (outra vez), até para responder à concorrência de novos players, como instituições de pagamento (IPs) e instituições de moeda eletrónica (IMEs), com maior agilidade e capacidade de adaptação.

Nesse sentido, explicou a responsável, a Unicre tem vindo a diversificar a sua oferta. Deu o exemplo da introdução da aceitação do PIX (solução brasileira semelhante ao nosso MB Way) e outras soluções de financiamento aos comerciantes, como o factoring, que permite antecipar valores de transações realizadas em prestações.

A Unicre também está a apostar em serviços de “acquiring as a service”, disponibilizando a sua estrutura a IP e IME que querem entrar no mercado, mas sem o peso regulatório e de compliance. Ainda assim, alertou que “pode haver uma perda do controlo de relacionamento com o comerciante”.

Marcelo Sá, chief business officer do Braza Bank, considerou que o facto de uma entidade ser uma IME ou uma IP não significa, por si só, que tenha maior capacidade para desenvolver produtos do que a banca tradicional. Mas como são nichadas podem ter vantagens e deu o exemplo do split payment [divisão do pagamento].

Segundo explicou é muito comum no Brasil e pode funcionar fora do circuito tradicional dos cartões. “Pode ser aplicado no salão de cabeleireiro. O salão recebe o pagamento e uma parte do valor é pago diretamente ao profissional que está lá a trabalhar”. Aqui o desafio será como monetizar esta solução, salientou.

Rui Miranda, diretor da bFeedzai, destacou que tudo o que os pagamentos trazem de positivo – rapidez, pouca fricção e inovação, também é positivo para as fraudes. Por isso, defende que a inovação nunca deve ser lançada sem proteção antifraude, mas essa proteção tem de ser rápida e ágil, para não travar o negócio nem a competitividade face às fintechs.

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