Exclusivo Caixa avalia aumentar a participação na Fidelidade

Banco público vendeu seguradora à Fosun em 2014, por mil milhões de euros, mas manteve participação de 15%. Agora está a negociar reforço da posição, eventualmente na entrada em bolsa em 2027.

ECO Fast
  • A Caixa Geral de Depósitos está a negociar um aumento da sua participação na Fidelidade, podendo chegar a 30% do capital da seguradora.
  • A CGD manteve uma participação de 15% na Fidelidade após a venda em 2014, e a seguradora planeia um IPO para o próximo ano.
  • O reforço da participação da CGD poderá aumentar a rentabilidade e o impacto no seu capital, aproveitando lucros acumulados.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está em negociações para um eventual aumento da sua participação na Fidelidade, segundo adiantou fonte próxima do processo ao ECO. O reforço poderá acontecer no âmbito da oferta pública inicial (IPO) apontado para o início do próximo ano, com o banco liderado por Paulo Macedo a poder vir a assumir uma posição total de até 30% do capital da seguradora.

O banco do Estado vendeu a Fidelidade ao grupo chinês Fosun em 2014, a troco de mil milhões de euros, mas manteve uma participação de 15% e ainda um contrato de distribuição de seguros por 25 anos. Tem dois administradores não executivos no board da seguradora: Nuno Martins e José João Guilherme, nomeados no ano passado.

Agora, a Caixa está em conversações para reforçar a sua posição na companhia liderada por Jorge Magalhães Correia e Rogério Campos Henriques. Oficialmente, nenhuma das partes confirma o potencial negócio, mas o ECO sabe que, caso a operação se concretize, o banco público não deverá superar os 30% de participação no capital da maior seguradora nacional.

A mesma fonte explicou que não falta capital à Caixa, em resultado dos lucros acumulados nos últimos anos, e que o reforço da sua participação na Fidelidade seria assim uma forma de aumentar a rentabilidade. Por outro lado, também poderia beneficiar em termos de impacto no seu capital.

Este processo surge numa altura em que a Fidelidade retomou o plano para entrar na bolsa. O IPO deverá ter lugar no início do próximo ano, com a seguradora a procurar uma avaliação superior a três mil milhões de euros, segundo avançou a Bloomberg.

Ou seja, uma participação de 15% estaria avaliada em mais de 450 milhões de euros, tendo em conta o valor que Fosun tenta alcançar para a sua seguradora no âmbito do IPO.

ECOtalks: Jorge Magalhães Correia, presidente da Comissão Executiva da Fidelidade – 13DEZ18Hugo Amaral/ECO

Segundo a Bloomberg, a Fidelidade andou a sondar bancos e investidores nas últimas semanas para levar a cabo a operação de entrada em bolsa, mas ainda não tinha contratado os assessores.

A seguradora tinha apontado inicialmente o IPO para 2025, mas os planos atrasaram-se depois de ter abandonado a ideia de colocar a Luz Saúde na bolsa em 2024. Em vez disso, vendeu uma participação minoritária do grupo de hospitais aos australianos da Macquarie Group no ano passado, por cerca de 310 milhões.

Com mais de 14 mil trabalhadores, a Fidelidade é a maior seguradora em Portugal, com uma quota de cerca de 30% no mercado português. Registou lucros de 173 milhões de euros em 2024, mais 4% em relação ao ano anterior, com prémios brutos emitidos de 6,17 mil milhões de euros – dos quais 70% em Portugal e 30% nas operações internacionais.

Direta ou indiretamente, a companhia seguradora está presente em Espanha, em França, em Macau, em Angola, em Cabo Verde e em Moçambique. Tem ainda uma forte presença na América do Sul, designadamente no Peru, Bolívia, Chile e Paraguai, com planos para se expandir para outros mercados naquela região.

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