Dona do Portal da Queixa vai entrar em Itália

A Consumers Trust, onde os brasileiros da Reclame Aqui têm 30%, decidiu entrar no mercado italiano, segundo a Mergermarket. O CEO da empresa diz ao ECO que o investimento será decidido este trimestre.

A empresa portuguesa Consumers Trust, dona do Portal da Queixa, decidiu entrar em Itália com o negócio das reclamações online e admite fazer aquisições neste mercado, refere a Mergermarket e confirmou o ECO.

A decisão final vai ser tomada em reunião do conselho de administração neste primeiro trimestre, onde se irá também perceber qual o orçamento disponível para realizar este investimento além-fronteiras, explicou o CEO da Consumers Trust ao ECO. “Vamos começar a analisar em conjunto a questão de Itália. É um mercado embrionário que ainda está por explorar. Provavelmente, fá-lo-emos através da procura de um parceiro ou uma espécie de franchise [franquia]”, detalha Pedro Barros Lourenço.

Pedro Barros Lourenço explica que será a abordagem de entrada em Itália será diferente de França, por exemplo, onde já existiam concorrentes, portanto, a empresa conseguiu integrar o portal Réclame Ici no grupo — composto também por outros estrangeiros, como o Libro de Quejas (Espanha) e o Complaints Book (África do Sul e Reino Unido). Questionado sobre os assessores, uma vez que a Abreu Advogados esteve a cargo da última transação, afirmou que não há um escolhido.

A Consumers Trust tem capital disponível para estes movimentos no mercado, uma vez que, no início de dezembro, a brasileira Reclame Aqui comprou uma participação de 30% na empresa com o objetivo de aportar valor, obter mais recursos e dar mais capacidades à nova dona no Brasil. Porém, a porta ficou aberta para que essa posição seja reforçada. “Para não desequilibrar decidiram negociar assim os 30% numa fase inicial. A entrada de outros investidores também é uma hipótese”, referiu Pedro Barros Lourenço ao ECO.

Quando esse negócio ficou fechado, houve um exit (saída do investimento) dos investidores anjo (business angels), entre os quais sul-africanos e o ‘tubarão’ Tim Vieira, que foi um dos jurados no programa de televisão para empreendedores à procura de investimento Shark Tank.

Segundo a Mergermarket, o alvo são empresas que operam em marketing, comércio eletrónico (e-commerce), consultoria ou entidades ligadas aos direitos do consumidor, associações de consumidores e relação entre marcas e consumidores. Qualquer aquisição seria financiada com fundo de maneio, embora se considere uma abertura do capital social a mais investidores a partir de 2026.

A Consumers Trust detém o Portal da Queixa em Portugal, uma plataforma digital para apresentação de queixas às empresas e obtenção de respostas. Funciona como uma rede social entre consumidores e marcas e tem mais de dez milhões de interações mensais, entre visualizações e queixas às 20 mil marcas presentes. Em 2023, antes do reforço do acionista brasileiro, o volume de negócios rondava os 700 mil euros, de acordo com a consultora Informa DB.

A Reclame Aqui, acionista desde 2021, nasceu em 2000 e tornou-se na maior plataforma online de reclamações da América Latina com cerca de 30 milhões de acessos por mês, mais de um milhão de queixas mensais, 25 milhões de utilizadores registados e aproximadamente 700 mil empresas referenciadas. A taxa de resolução das denúncias é de 75%.

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Portugueses vão a Davos falar de energia, IA e competências

António Guterres, Cláudia Azevedo, Miguel Stilwell, Graça Carvalho, Pedro Reis, Paulo Rangel, Rui Teixeira, Ana Luísa Virgínia e Luís Valente são alguns dos portugueses que marcam presença em Davos.

Davos volta a ser o palco dos grandes decisores mundiais da economia, política e diplomacia. Sob o lema “Colaboração para a Era Inteligente”, o encontro vai contar com mais de 900 personalidades, entre as quais haverá pelo menos 12 portugueses, alguns já repetentes e com direito a intervir em alguns painéis.

É o caso da ministra do Ambiente e da Energia. Maria da Graça Carvalho é uma das oradoras no segundo dia de trabalhos a quem é colocada a questão: “Num cenário geopolítico e tecnológico cada vez mais volátil, onde devem os líderes concentrar a sua atenção para moldar eficazmente a geoeconomia da energia e dos materiais?” Com Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia; Muhammad Taufik, CEO da Petronas; Kgosientso Ramokgopa, ministro da Eletricidade e Energia da África do Sul; Jonathan Price, CEO da Teck Resources e Meghan O’Sullivan diretora do Centro Belfer para a Ciência e Assuntos Internacionais da Universidade de Harvard, a ministra portuguesa vai analisar o contexto energético internacional num momento em que a procura de energia tem vindo a aumentar e os investimentos em energias limpas deverão atingir os dois mil milhões de dólares em 2024.

Mas Graça Carvalho não é o único elemento do Executivo português que estará presente. O ministro do Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, acompanhado por um adjunto, também vai marcar presença na estância de ski, “onde terá encontros bilaterais e participará em eventos fechados”, avançou ao ECO fonte oficial das Necessidades. E o ministro Pedro Reis vai participar num evento com o presidente executivo da EDP, Miguel Stilwell, e a nova comissária europeia da Concorrência, a espanhola Teresa Ribera. Miguel Stilwell, como habitualmente, não vai sozinho. Este ano será acompanhado do seu CFO, Rui Teixeira, avançou ao ECO fonte oficial da elétrica.

As empresas portuguesas estarão ainda representadas pela CEO da Sonae. Cláudia Azevedo vai tentar dar pistas sobre o esforço colaborativo necessário para colmatar as lacunas de competências dos trabalhadores e desbloquear os benefícios para a competitividade, o crescimento e a produtividade das empresas. Ao seu lado terá Joe Ucuzoglu, CEO global da Deloitte, e Jayant Chaudhary, ministro indiano da Educação, entre outros, para falar da necessidade de continuar a apostar nos recursos humanos, porque estes escasseiam, mesmo com as empresas a investir mais de 240 mil milhões de dólares por ano em inteligência artificial.

A inteligência artificial é, aliás, um dos temas que vai dominar o encontro de Davos este ano. A comitiva de empresários portugueses vai ainda contar com Ana Luísa Virgínia, CFO do Grupo Jerónimo Martins, Tiago Pitta e Cunha, presidente executivo da Fundação Oceano Azul, e Luís Valente, CEO da iLoF, uma startup que quer “ajudar a desenvolver medicamentos personalizados”, como contou o próprio ao ECO. Convidado para participar num dos eventos paralelos, Luís Valente vai falar da sua empresa que já está a dar cartas graças ao processo não invasivo de análise, através de uma plataforma de inteligência artificial, lamentando que os preços pouco acessíveis de Davos afastem outros empresários e os impeçam de viver esta experiência.

Também vai marcar presença Inês Ayer que foi “selecionada como uma das 50 Youth Voices para representar o Global Shapers Lisbon Hub, uma iniciativa do World Economic Forum”, contou ao ECO a designer que foi nomeada para a lista 30 Under 30 da Forbes em 2024. “Terei ainda a oportunidade de participar como speaker no painel sobre Urban Identity, em diálogo com Hans Ulrich Obrist, diretor da Serpentine Gallery, e Ana Claudia Rossbach, diretora da UN-Habitat”, acrescentou a “designer humanista”, como gosta de se apresentar, que tem usado o design como ferramenta transformadora da sociedade.

O naipe de portugueses é ainda composto por António Guterres, que, fruto do cargo máximo que desempenha nas Nações Unidas, marca presença todos os anos.

No entanto, António Costa, o novo presidente do Conselho Europeu, não vai estar em Davos, porque a sua pesada agenda internacional não o permite, confirmou ao ECO fonte oficial do seu gabinete

Uma presença habitual que este ano também não irá a Davos é o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, confirmou o ECO.

Quem vai ‘regressar’ este ano é Donald Trump, já no papel de Presidente dos Estados Unidos, mas a sua intervenção será por videoconferência, já que decorrerá três dias depois da sua tomada de posse. Trump será um dos 60 Chefes de Estado e de Governo neste edição de 2025, onde se inclui também o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que intervirá na sessão de terça-feira 21 de janeiro.

Entre outras presenças confirmadas em Davos na próxima semana, está a do vice-primeiro-ministro chinês, Ding Xuexiang, da presidente da Comissão Europeia, Ursula con der Leyen, e do novo ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria na sequência da queda do regime de Bashar al-Assad, Asaad al-Shaibani. Entre os 350 responsáveis políticos aguardados, contam-se ainda o chanceler alemão, Olaf Scholz, o Presidente da Argentina, Javier Milei, o chefe de Governo espanhol, Pedro Sánchez, e o Presidente de Israel, Isaac Herzog, assim como vários líderes de organizações, entre os quais o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.

Criado em 1971, o Fórum Económico Mundial reúne todos os anos milhares de participantes, entre empresários, líderes políticos e representantes da sociedade civil, numa estância de esqui nos Alpes Suíços transformada em centro de conferências internacionais durante uma semana, tendo este ano sido mobilizados cinco mil militares para garantir a segurança em torno do evento, anunciou o Governo suíço na segunda-feira.

Esta reunião anual ocorre num momento marcado por um nível de incerteza global maior do que aquele a que assistimos numa geração, impulsionado por tensões geopolíticas, fragmentação económica e aceleração das alterações climáticas. Neste clima mais instável, a única forma de enfrentar desafios urgentes e desbloquear novas oportunidades é através de abordagens inovadoras e cooperativas”, disse o presidente do Fórum Económico Mundial, o norueguês Borge Brende, durante a apresentação da 55ª edição do Fórum esta semana.

Notícia atualizada às 17h53 com a informação da participação de Paulo Rangel e novamente atualizada com a participação de Pedro Pitta e Cunha e Inês Ayer.

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“Almofada” das pensões ganha 5,9% em 2024 e alcança valor histórico de 36 mil milhões de euros

O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social teve o segundo ano seguido de ganhos à boleia do bom desempenho das ações, fechando 2024 com um valor recorde de quase 13% do PIB.

O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) teve mais um ano positivo. Depois de em 2023 ter valorizado 9,1%, José Vidrago e a sua equipa de pouco mais de 30 pessoas foram capazes de gerar ganhos líquidos de transferências de 5,9% no ano passado, elevando com isso o FEFSS para o máximo histórico de 35,9 mil milhões de euros.

Este montante representa quase 13% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e equivale a mais de 184% dos gastos previstos com pensões em 2024 (aproximadamente 22 meses), que segundo as estimativas de execução orçamental do Governo para 2024 publicadas no Orçamento do Estado para 2025 deverão atingir os 19,5 mil milhões de euros, ficando assim mais perto da meta de cobrir despesas previsíveis com pensões por um período mínimo de dois anos.

A sustentar o desempenho do FEFSS em 2024 voltou a estar novamente a exposição do fundo a ações, que por imposições legais não pode ir além dos 25%.

Numa entrevista exclusiva ao ECO, José Vidrago revela que o FEFSS fechou 2024 com uma alocação de 22,06% da sua carteira exposta a ações num valor de mercado superior a 8,1 mil milhões de euros que alcançou uma rendibilidade de 19% no ano passado.

Destaque particularmente para os ganhos de 17,6% gerados pelas ações de empresas de grande capitalização captados sobretudo pela exposição aos fundos cotados iShares Core S&P 500 ETF e Vanguard Institutional Index Fund, dois ETF que replicam o principal índice acionista dos EUA, o S&P 500, e que no final do ano passado agregavam mais de 9% dos ativos do FEFSS.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Em oposição ao bom desempenho da carteira de ações esteve a classe de obrigações, particularmente a carteira de dívida pública, que voltou a penalizar o desempenho da “almofada” da Segurança Social por conta de representar quase 52% dos ativos da carteira do fundo. Somente a exposição de 17,4 mil milhões de euros a obrigações do Tesouro no final do ano passado da carteira do FEFSS (representativa de 48,5% da carteira do fundo) valorizou apenas 3%, e a carteira de obrigações não portuguesas fechou o ano com uma perda marginal de 0,04%.

A penalização dos títulos da dívida nacional na carteira do FEFSS é de tal ordem que, segundo estimativas da equipa de José Vidrago, a rendibilidade do fundo em 2024 excluindo a carteira de dívida portuguesa foi de 8,89%, cerca de 3,02 pontos percentuais mais face aos 5,87% de rendibilidade nominal global do fundo. Esta realidade não é nova.

Além do valor acrescentado aportado pela equipa de gestão no ano passado, que se traduziu em quase 2 mil milhões de euros, o crescimento do FEFSS em 2024 foi novamente impulsionado por significativas transferências do Estado, que se traduziram em dotações de mais de 4,1 mil milhões de euros.

Segundo o Instituto de Gestão do Fundo de Capitalização da Segurança Social (IGFCSS), a entidade responsável pela gestão do FEFSS, a obrigação legal de o fundo manter pelo menos 50% da sua carteira em títulos de dívida pública portuguesa custou ao FEFSS mais de 2 pontos percentuais por ano nos últimos cinco anos terminados em 2023, num montante equivalente a cerca de 3 mil milhões de euros.

Destaque ainda para a carteira de ativos imobiliários, que fechou 2024 com ganhos de 5,1%, mas que, por conta da pouca expressão na carteira do FEFSS (apenas 0,27%, num valor de pouco mais de 95 milhões de euros), não teve grande impacto no desempenho do fundo em 2024.

O mesmo sucedeu com a carteira de reserva estratégica, que inclui participações nos sub-fundos do Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado (FNRE). Apesar de ter valorizado 20% no ano passado (após ter perdido 18,5% em 2023), como representa apenas 0,003% na carteira do FEFSS (cerca de 830 mil euros) não teve qualquer expressão.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir a tabela.

Mais uma transferência milionária para os cofres do FEFSS

Além do valor acrescentado aportado pela equipa de gestão no ano passado, que se traduziu em quase 2 mil milhões de euros, o crescimento do FEFSS em 2024 foi novamente impulsionado por significativas transferências do Estado, que se traduziram em dotações de mais de 4,1 mil milhões de euros. Este valor inclui 3,5 mil milhões de euros do saldo do sistema previdencial da Segurança Social, 449 milhões de euros da consignação do IRC, 148 milhões de euros do Adicional do IMI e ainda 38 milhões de euros do Adicional de Solidariedade sobre o setor bancário.

A importância das contribuições do Estado para o crescimento do FEFSS é de tal forma relevante que somente nos últimos três anos foram transferidos cerca de 11,8 mil milhões de euros, aproximadamente um terço do valor total do FEFSS no final de 2024. E estes números não ficarão por aqui.

De acordo com declarações recentes da ministra da tutela, Maria do Rosário Palma Ramalho, o FEFSS irá receber já em fevereiro 4 mil milhões de euros, numa transferência recorde do saldo do sistema previdencial da Segurança Social. A este montante é necessário ainda somar 669 milhões de euros da consignação do IRC, do Adicional do IMI e do Adicional de Solidariedade sobre o setor bancário, segundo estimativas do Governo publicadas no anexo Orçamento do Estado de 2025, e de eventuais outras transferências que possam ocorrer, como, por exemplo, receitas resultantes da alienação de património.

Significa que, depois de um ano recorde de transferências do Estado para o FEFSS em 2023 num montante superior a 4,5 mil milhões de euros, o FEFSS prepara-se para em 2025 receber mais um cheque “chorudo” do Estado que, para já, ascende a quase 4,7 mil milhões de euros.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

O desempenho do FEFSS em 2024 e o seu crescimento contínuo são particularmente relevantes no contexto das projeções do Governo para os próximos anos. Segundo o relatório sobre a sustentabilidade financeira da Segurança Social anexo ao Orçamento do Estado para 2025, espera-se que o fundo continue a crescer, atingindo 41,2 mil milhões de euros em 2025, o que representaria 207,4% da despesa anual com pensões do sistema previdencial.

As projeções de longo prazo são ainda mais ambiciosas, com o Governo a antecipar que o FEFSS possa alcançar 68,4 mil milhões de euros em 2030 (21,4% do PIB) e 113,7 mil milhões em 2040 (33% do PIB). Para 2070, o horizonte mais distante das estimativas, prevê-se que o fundo atinja 166,8 mil milhões de euros, correspondendo a 32,5% do PIB.

Estas projeções baseiam-se num cenário de crescimento económico moderado e numa gestão prudente do fundo. O Governo assume uma taxa de rendibilidade média anual de 4,12% para o FEFSS nos próximos 40 anos, um objetivo que pode ser considerado ambicioso tendo em conta o desempenho histórico do fundo.

Apesar do resultado positivo de 5,9% em 2024 e de 9,1% em 2023, a rendibilidade anualizada do FEFSS no longo prazo é muito menos animadora. A dez anos é de apenas 2,7% e a 25 anos é de 3,9%. Mesmo alargando o horizonte para o início do lançamento do fundo, em 1989, apesar da rendibilidade anualizada do fundo nestes 35 anos ter sido de 5,7%, em termos reais (descontando a inflação) foi de apenas 2,3%.

O crescimento contínuo do FEFSS e a sua capacidade de gerar retornos positivos são cruciais para a sustentabilidade do sistema de Segurança Social. À medida que a população envelhece e as pressões sobre o sistema de pensões aumentam, o papel do FEFSS como “almofada financeira” torna-se cada vez mais importante.

No entanto, o desempenho do fundo enfrenta muitos desafios, incluindo as limitações impostas à sua política de investimento. Desde logo a começar na obrigação de aplicar pelo menos metade das transferências que recebe do Estado na compra de dívida pública nacional e de pelo menos 50% da carteira do fundo manter-se aplicada em títulos de dívida pública portuguesa que, ano após anos, têm penalizado o fundo como também já referiram o Conselho das Finanças Públicas, o Tribunal de Contas e mais recentemente a Comissão para a Sustentabilidade da Segurança Social no decorrer da publicação do “Livro Verde sobre a sustentabilidade do sistema Previdencial”.

Estas restrições, embora visem garantir estabilidade no curto prazo, limitam fortemente o potencial de retorno do fundo e conferem um risco “perigoso” à carteira do FEFSS. Em caso de crise das finanças públicas, justamente quando o fundo seria mais necessário para apoiar a Segurança Social, o valor dos títulos de dívida pública nacional cairiam drasticamente, como aconteceu durante a crise da dívida soberana que levou ao resgate de Portugal em 2011. Esta situação provocaria um rombo na carteira do FEFSS, podendo com isso comprometer seriamente a capacidade do FEFSS de cumprir a sua função de “almofada” financeira, porque teria de acorrer ao mercado para traduzir essa exposição (altamente pressionada pelos investidores) em liquidez para, por exemplo, acudir ao pagamento das pensões.

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Parlamento dos Açores aprova estudo para avaliação dos manuais digitais

  • Lusa
  • 16 Janeiro 2025

Parlamento açoriano aprovou proposta da bancada do PS que recomenda ao Governo a realização de um estudo de avaliação do processo de implementação dos manuais digitais nas escolas da região.

A Assembleia Legislativa dos Açores aprovou esta quinta-feira, por maioria, uma proposta da bancada do PS que recomenda ao Governo a realização de um estudo de avaliação do processo de implementação dos manuais digitais nas escolas da região.

“Este processo avançou sem estar devidamente consolidado”, acusou Inês Sá, deputada do PS no parlamento açoriano, lembrando que “há professores que se sentem perdidos com as novas tecnologias” e que não têm o devido acompanhamento por parte da tutela, situação que se aplica também a muitos alunos.

A iniciativa socialista propõe que a Secretaria Regional da Educação apresente, num prazo de nove meses, os resultados de um estudo sobre o impacto da aplicação desta medida, que foi introduzida, como experiência-piloto, no ano letivo e 2021/2022, em apenas duas turmas do 6.º e 9.º anos de escolaridade.

A titular da pasta da Educação no arquipélago, Sofia Ribeiro, explicou em plenário que o Governo Regional de coligação (PSD/CDS-PP/PPM) está a ultimar o caderno de encargos para lançar a concurso a realização de uma avaliação externa aos manuais digitais, mas que só ficará concluída no próximo ano letivo.

“Esperamos que ao final de nove meses, possamos ter um primeiro relatório a dar-nos nota dessa avaliação, e ao final de 18 meses, termos então aí um relatório final, para fazermos essa comparação”, justificou a governante, adiantando tratar-se de “um estudo muito completo”.

Délia Melo, deputada da bancada do PSD, explicou aos deputados que o estudo que o Governo de direita está agora a preparar é “mais completo” e “mais abrangente” e, como tal, deverá demorar mais tempo a conhecerem-se os seus resultados.

“Para fazer esse estudo com uma avaliação externa, implica a recolha de dados para análise comparativa, que implica a observação, aplicação de inquéritos, questionários, tratamento de dados, que não se fazem no período de tempo que o grupo parlamentar do PS propõe”, ressalvou a deputada social-democrata.

Opinião semelhante manifestaram também os deputados Catarina Cabeceiras (CDS), Hélia Cardoso (CH) e João Mendonça (PPM), que entendem que, para se fazer uma avaliação “bem feita”, o prazo de nove meses, proposto pelo PS, “é curto”.

Durante a discussão da proposta socialista, Nuno Barata, deputado da Iniciativa Liberal, levantou muitas dúvidas sobre a utilidade dos manuais digitais nas escolas dos Açores, lembrando que os resultados alcançados pelos alunos do ensino secundário, onde não há ainda manuais digitais, revelam que, afinal, o papel ainda é uma boa ferramenta de estudo.

“São aqueles que estudaram em manuais em papel, que fizeram o seu percurso académico no secundário sem terem utilizado os manuais digitais, que estão a ter os resultados que agora se conhecem”, insistiu o parlamentar liberal.

Já António Lima, do Bloco de Esquerda, manifestou preocupação com o futuro dos manuais digitais, que foram adquiridos com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência, (PRR), mas cuja substituição, não está ainda assegurada.

A proposta do PS foi aprovada por todos os partidos com assento parlamentar, à exceção dos deputados das três formas políticas que formam o executivo açoriano (PSD, CDS-PP e PPM), que se abstiveram.

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Gouveia e Melo demarca-se da associação que apoia a sua candidatura às Presidenciais

  • Lusa
  • 16 Janeiro 2025

Gouveia e Melo demarcou-se da associação que está a apoiar a sua candidatura presidencial, afirmando não sentir qualquer responsabilidade nas ações dos seus membros.

Henrique Gouveia e Melo demarcou-se esta quinta-feira da associação que está a apoiar a sua candidatura presidencial (MAAP), afirmando não sentir qualquer responsabilidade nas ações dos seus membros.

“Informo para os devidos efeitos que o cidadão Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo, Almirante e antigo Chefe de Estado Maior da Armada, na reserva, e no exercício pleno dos seus direitos civis, não está ligado à criação da associação MAAP e não sente qualquer responsabilidade pelas ações dos seus membros, muito menos poderá escrutinar todos as pessoas que através deste, ou doutro modo o venham apoiar”, esclarece num comunicado enviado à Lusa.

No texto, Gouveia e Melo defende “de forma clara que qualquer cidadão deve ter o direito à defesa do seu bom nome e reputação até ser condenado” e garante não querer “participar em qualquer atividade que fira esse princípio da liberdade individual”.

O comunicado do ex-chefe do Estado-Maior da Armada surge 24 horas após ter sido oficializada a constituição do Movimento de Apoio ao Almirante à Presidência (MAAP) e alguns dias após a publicação de uma sondagem que o coloca como o candidato mais bem posicionado para suceder a Marcelo Rebelo de Sousa na chefia do Estado.

O esclarecimento do almirante acontece também no dia em que o Correio da Manhã publicou uma notícia de que um dos elementos do MAAP, José Mateus, é acusado pelo Ministério Público de corrupção passiva no processo Operação Triângulo, em que é arguido.

A comissão organizadora do MAAP, de acordo com a escritura que a formaliza, é composta por António Brás Monteiro, José Manuel Anes e Paulo Azevedo Noguês. Cristina Valente e Manuel Ferreira Ramos são também membros fundadores do movimento, esclareceu na quarta-feira o movimento em comunicado.

José Mateus, da associação “Círculo de Estratégia D. João II”, além de José Manuel Anes e Paulo Noguês, diretor e administrador, respetivamente, da revista Segurança e Defesa, marcaram presença na escritura que oficializou o movimento na quarta-feira.

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Governo cria estrutura para coordenar negociação do novo aeroporto

Estrutura de Gestão vai fazer o acompanhamento técnico do contrato de concessão e coordenar a negociação sobre a construção do novo aeroporto de Lisboa e as obras na Portela.

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira a criação de uma estrutura para o acompanhamento técnico do contrato de concessão com a ANA, as obras no Humberto Delgado e o projeto do novo aeroporto. Será liderada pelo presidente do Instituto Português da Mobilidade (IMT), João Jesus Caetano, e prestará apoio ao ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.

A Estrutura de Gestão e Acompanhamento dos Projetos de Aeroportos (EGAPA) “tem como principal objetivo assegurar o acompanhamento técnico, jurídico e financeiro das obrigações contratuais decorrentes dos Contratos de Concessão Aeroportuários celebrados com a ANA – Aeroportos de Portugal”, afirma o comunicado do Conselho de Ministros.

Esta entidade irá também coordenar, em representação do Estado, a negociação com a concessionária sobre a construção do Aeroporto Luís de Camões, bem como os procedimentos subsequentes. O mesmo se aplica às obras de expansão do Aeroporto Humberto Delgado. A estrutura é criada um dia antes de o Governo se pronunciar sobre a proposta inicial apresentada pela ANA.

A EGAPA será presidida pelo presidente do IMT, João Jesus Caetano, “e contará também com um coordenador geral e equipas de especialistas”, e prestará apoio ao “membro do Governo responsável pelas infraestruturas nas negociações e decisões estratégicas relacionadas com os projetos aeroportuários”.

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+M

Podcast do ECO na nova grelha da CNN

  • ECO
  • 16 Janeiro 2025

'O Mistério das Finanças', um podcast do ECO com os jornalistas António Costa e Pedro Santos Guerreiro, vai passar para a nova grelha da CNN Portugal ao fim de semana,

O podcast ‘O Mistério das Finanças’ com vai passar a integrar a nova grelha da CNN ao fim de semana. Os jornalistas António Costa, diretor do ECO, e Pedro Santos Guerreiro, diretor-executivo da CNN Portugal, vão convidar semanalmente decisores económicos e empresariais para “resolver mistérios da nossa economia — e do seu impacto nas vidas dos portugueses”.

Nascido em 2019 enquanto podcast, vai saltar agora para a televisão numa parceria entre o ECO e a CNN para “decifrar e revelar temas, desde finanças pessoais à gestão de empresas, de políticas públicas e mercados financeiros”. É uma das novidades da nova grelha do canal líder de informação em Portugal, apresentado esta quinta-feira.

O mais importante são sempre as notícias”, começou por afirmar Nuno Santos, diretor da CNN Portugal e também diretor de informação da TVI. No entanto, a CNN quer apostar na diversificação da sua oferta, tanto em termos de abordagem como de conteúdo. “Isto significa que nós, sendo líderes, não queremos adormecer à sombra dessa liderança e queremos marcar o passo“, afirmou o responsável ao ECO/+M, à margem de um evento de apresentação de novidades do canal.

No ano passado, a CNN Portugal foi líder entre os canais de informação, tendo fechado 2024 com 2,4% de share e 50,5 mil espetadores. O canal do grupo Media Capital ficou assim à frente da SIC Notícias (share 1,9% e média por 40,9 mil telespectadores) e RTP3 (share de 0,7% e 15,6 mil telespectadores).

Queremos manter a posição de liderança, por um lado. Por outro, acreditamos que a quota com a qual fechamos o ano é relevante, também do ponto de vista do mercado publicitário, e apontamos este ano para uma quota muito semelhante“, disse Nuno Santos ao ECO/+M.

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PGR vai monitorizar as investigações para serem mais rápidas

Um conjunto de objetivos estratégicos foi revelado pela PGR esta quinta-feira e possui diversas medidas para os mais variados órgãos. Órgão quer monitorizar o tempo de duração das investigações.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) quer monitorizar o tempo de duração das investigações criminais e pretende identificar os principais motivos dos seus constrangimentos, procurando soluções para ultrapassar o problema. Estes são alguns dos objetivos estratégicos para o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) no triénio 2025-2027, apresentados esta quinta-feira.

Mas a PGR, liderada por Amadeu Guerra, vais mais longe e tenciona também “melhorar os índices de perdimento a favor do Estado dos instrumentos, produtos e vantagens do crime, bem como, quando aplicável, do património incongruente”. Para tal, quer identificar logo na fase de inquérito e o impulso, “no momento adequado, à aplicação das medidas de garantia necessárias e adequadas”.

Entre os objetivos está ainda a melhoria da articulação entre os magistrados no DCIAP e os magistrados na fase de julgamento, prestando apoio, “sempre que necessário”, à sua preparação e realização e a melhoria da comunicação com a sociedade, de forma “atempada” e “clara” — “dentro do quadro legal e com rigoroso respeito pelo segredo de justiça”.

O conjunto de objetivos estratégicos, revelado esta quinta-feira, tem diversas medidas para os mais variados órgãos, desde o DCIAP até ao Gabinete de Cibercrime e Procuradorias da República das Comarcas.

Tomada de posse do Procurador-Geral da República Amadeu Guerra - 12OUT24
Amadeu Guerra, Procurador-Geral da RepúblicaHugo Amaral/ECO

No documento, a PGR assume que entre os principais pilares está o reforço da confiança do cidadão na Justiça, a qualidade na ação e a qualidade organizacional e condições de trabalho.

Melhorar a qualidade da informação e dos canais de comunicação com o cidadão dinamizando e simplificando a informação disponível online, assim como “implementar uma comunicação proativa, em linguagem clara e simples para garantir a compreensibilidade e transparência das decisões e respetivos fundamentos”, são outros dos pontos elencados. O órgão sublinha que pretende também melhorar as condições e a qualidade do atendimento ao público.

No que concerne à qualidade na ação, o objetivo é promover e definir estratégias de articulação e coordenação entre magistrados da 1.ª e 2.ª instância e entre jurisdições, e identificar constrangimentos, principalmente na fase de inquérito, de forma a reduzir o prazo da conclusão das investigações e “desenvolver planos de ação específica para a conclusão dos processos pendentes há mais tempo”.

Consagrar e implementar a autonomia financeira do Ministério Público (MP), incluindo o quadro orçamental da gestão das Procuradorias Gerais Regionais nos Tribunais da Relação e do Ministério Público na Jurisdição Administrativa e Fiscal” é outra das metas.

Numa era marcada pela digitalização, o órgão quer ainda apostar na formação tecnológica dos juízes, modernizar os sistemas informáticos e redefinir a distribuição dos recursos humanos face à real dimensão da atividade de cada unidade territorial.

Aposta no combate ao cibercrime

Criado em 2011, o Gabinete do Cibercrime coordena a área de criminalidade, pugnando pela formação específica e o estabelecimento de canais de comunicação com fornecedores de serviço de acesso às redes de comunicação, que “permitam facilitar a sua colaboração na investigação criminal”.

Para este gabinete, a PGR quer continuar a explorar a possibilidade de realização de perícias informáticas em instituições universitárias e dar continuidade à criação, junto da Google, de contas na plataforma LERS, que “permitem aos magistrados do MP solicitar informações, de forma direta, àquele operador de serviços” na internet.

“Privilegiar a comunicação direta com magistrados do Ministério Público, por via telefónica e de correio eletrónico, com o propósito de os apoiar nas suas concretas atividades relacionadas com a investigação de cibercrime e de obtenção de prova digital”, refere.

Para além de dinamizar a Rede Cibercrime, a PGR quer apostar na formação ao longo do ano e promover a “articulação com redes internacionais de combate ao cibercrime”, nomeadamente a CiberRede/CiberRed e o Fórum Lusófono sobre Cibercrime e Prova Digital. “Prevê-se para o ano 2025 a realização, em Lisboa, de um grande evento internacional que congregue representantes de ambas”, acrescenta.

Objetivo é equilibrar a distribuição de processos

No que concerne às Procuradorias da República das Comarcas, a PGR pretende reforçar a intervenção do magistrado do Ministério Público Coordenador na promoção da agilização e articulação da atividade de todos os magistrados da comarca, na criação de redes de contacto e circuitos informais de partilha de informação e de boas práticas, e na promoção da reflexão conjunta sobre as melhorias da atuação do MP.

“Avaliar a adequação da organização dos departamentos e secções de investigação e ação penal à estrutura da criminalidade na comarca e eventuais propostas de alteração dirigidas aos Procuradores-Gerais Regionais visando, nomeadamente, o melhor equilíbrio da distribuição processual e privilegiando a especialização, designadamente quanto aos crimes de corrupção e à criminalidade económico financeira, à violência doméstica, aos abusos sexuais de crianças e à cibercriminalidade“, aponta.

Entre as medidas definidas estão ainda a promoção e desenvolvimento de metodologias de definição do objeto do inquérito, da estratégia de investigação e de gestão processual; a melhoria, organização e monitorização dos procedimentos de articulação com os órgãos de polícia criminal; e a melhoria dos procedimentos de ligação entre as fases de inquérito, instrução e julgamento (incluindo o recurso).

Mas o que pretende mais a PGR nas comarcas?

  • Melhorar e organizar a ligação e articulação com a fase de execução das penas e com as instâncias superiores;
  • Organizar e monitorizar procedimentos que promovam a melhoria da qualidade da intervenção em julgamento;
  • Continuar a promover a aplicação dos institutos de simplificação processual suspensão provisória do processo;
  • Reduzir pendências excessivas mediante identificação das secções com volume excessivo de pendência e adoção de medidas de gestão processual e/ou de gestão de recursos humanos no sentido da redução da pendência para os níveis médios da comarca.

Relativamente à proteção das vítimas, um dos objetivos é o desenvolvimento de procedimentos processuais e organizacionais para uma efetiva proteção e informação da vítima de crime, designadamente das mais vulneráveis, com uma especial atenção à prestação de depoimentos e à necessidade de “evitar a revitimização”.

Sobre a execução de penas, a PGR quer reforçar a articulação entre os tribunais de julgamento e a jurisdição de execução de penas e reforçar a presença e o acompanhamento do MP nos estabelecimentos prisionais.

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Bancos com milhares de pedidos para crédito com garantia pública, mas contratos ainda são poucos

  • Lusa
  • 16 Janeiro 2025

Já há pelo menos 1.300 pedidos entre CGD, BPI e Novo Banco, mas os créditos efetivamente concedidos são poucos.

Os bancos já têm milhares de pedidos de clientes jovens para crédito à habitação com garantia do Estado, mas ainda são poucos os concedidos, pois o regime só está operacional desde início do ano.

Informações obtidas pela Lusa junto dos principais bancos indicam que já há pelo menos 1.300 pedidos entre CGD, BPI e Novo Banco, mas há grandes bancos que não revelam informação e, além disso, instituições de média dimensão e mais pequenas também podem fazer empréstimos à habitação com garantia pública.

Fontes contactadas pela Lusa do setor bancário indicaram ainda que, apesar dos pedidos, os créditos efetivamente concedidos são poucos pois a entrada em vigor em pleno da medida é recente e é preciso cumprir formalidades que tomam tempo antes das escrituras.

O Novo Banco disse à Lusa que “a adesão tem estado a correr de forma muito positiva” e que tem “já cerca de 300 propostas e a crescer diariamente”. Já o BPI “recebeu 200 pedidos num montante total superior a 40 milhões de euros“, segundo fonte oficial.

Esta semana, no parlamento, o administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) José João Guilherme afirmou que o banco público já recebeu 800 pedidos. Estes correspondem a um valor total de crédito solicitado de 141 milhões de euros, pelo que se todos forem aprovados ficam já atribuídos cerca de 20 milhões de euros da garantia pública. Contudo, é provável que nem todos sejam uma vez que ainda estão em análise.

O Bankinter disse, em comunicado na quarta-feira, que “já concede crédito habitação ao abrigo da garantia pública” e que já registou “um interesse significativo por parte de clientes”, mas sem indicar o número de pedidos.

O BCP, por seu lado, justificou com ser um banco cotado para diferir essa informação para quando apresentar dos resultados de 2024. O Santander Totta não respondeu à Lusa até ao momento.

A garantia pública para o crédito à habitação concedido a jovens até 35 anos foi criada em julho passado pelo Governo, segundo justificou, como medida para facilitar o acesso a casa própria por jovens quando se vive uma crise de habitação (já em vigor desde agosto estão as isenções de IMT e Imposto do Selo na compra da primeira habitação própria e permanente por pessoas até 35 anos).

Apesar de o decreto-lei que criou este regime ser de julho, a sua efetiva operacionalização tardou pois faltavam vários passos, desde logo regulamentos e protocolos (entre Estado e bancos), pelo que só desde início do ano está a funcionar.

Quando a medida da garantia pública foi lançada, a reação dos banqueiros foi contida. O presidente executivo do Santander Totta considerou, em agosto, que o impacto seria “muito limitado” e que era necessário “ajustar as expectativas” porque “não vai permitir a todos os jovens, de repente, começarem a comprar casa”, mas sim apenas àqueles que têm capacidade para pagar a prestação ao banco.

O presidente do BPI disse, em final de julho, que é uma “medida positiva” mas com um efeito relativamente reduzido, pois o problema principal problema na habitação é que “não há casas” e não o crédito.

Um banqueiro ouvido pela Lusa esta semana, que pediu para não ser identificado, considerou que esta é, sobretudo, “uma medida-cartaz” que serve mais fins políticos do que tem grande impacto.

A garantia pública aplica-se a contratos assinados até final de 2026 e permite ao Estado garantir, enquanto fiador, até 15% do valor da transação.

Beneficiam desta garantia quem tenha entre 18 e 35 anos de idade (inclusive) e que esteja a comprar a primeira de habitação própria permanente cujo valor não exceda 450 mil euros. Os beneficiários não podem ser proprietários de prédio urbano ou fração de prédio urbano e não podem ter rendimentos superiores ao do oitavo escalão do IRS (cerca de 81 mil euros de rendimento coletável anual).

Na prática e conjugando esta garantia com as regras para a concessão de crédito à habitação, a medida permite que os jovens consigam obter 100% do valor da avaliação da casa, em vez dos 90% de limite que vigoram para a generalidade dos clientes.

O problema, segundo vários especialistas dos setores bancário e imobiliário, é que mesmo com a garantia muitos jovens não têm rendimento suficiente e não conseguem cumprir critérios para aceder ao crédito.

A questão da taxa de esforço dos clientes tem sido um dos constantes alertas do Banco de Portugal face a esta medida. Desde o início que o regulador e supervisor bancário tem avisado que, mesmo com a garantia, os bancos não podem aliviar o cumprimento das regras de concessão de empréstimos quer para garantir que os clientes conseguem no futuro pagar o crédito quer para preservar a estabilidade do sistema financeiro.

O montante máximo da garantia pública está definido em 1.200 milhões de euros, sendo distribuída uma quota a cada banco, podendo este valor ser reforçado no futuro se os bancos o esgotarem.

Segundo o despacho de dezembro das Finanças, o Santander Totta tem a maior fatia do valor que o Governo destinou à garantia pública, com 259 milhões de euros. A CGD tem 257 milhões de euros, o BCP 185 milhões de euros e o BPI quase 150 milhões de euros.

O Bankinter tem 60 milhões de euros, o BIC 20,8 milhões de euros, o Abanca 20,6 milhões de euros, o Novo Banco 20 milhões de euros, a Caixa Central do Crédito Agrícola 10 milhões de euros, os CTT 9,7 milhões de euros e o banco Montepio 5,0 milhões de euros.

Há também bancos ainda mais pequenos com acesso à garantia pública. O Novo Banco dos Açores tem um milhão de euros, a Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo tem 400 mil euros, a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Leiria tem 306 mil euros, a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Mafra tem 388 mil euros, a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras tem 240 mil euros, o Banco Invest 200 mil euros e a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Bombarral tem 200 mil euros.

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Taxa de esforço trava acesso de jovens à garantia estatal no crédito à habitação

  • Lusa
  • 16 Janeiro 2025

Profissionais do setor dizem que alguns jovens não conseguem aceder aos 100% de financiamento por ‘esbarrarem’ no critério da taxa de esforço (que não pode ir além dos 35%).

O critério da taxa de esforço está a impedir alguns jovens de usar a garantia do Estado para comprar casa e há bancos que aumentam o spread quando o empréstimo é com garantia, disseram à Lusa profissionais do setor.

Dirigida a jovens entre os 18 e 35 anos de idade, a garantia pública, que ficou operacional no início deste ano, aplica-se a contratos de crédito à habitação assinados até final de 2026 e permite ao Estado garantir até 15% do valor da transação.

Apesar dos escassos dias de aplicação da medida, Catarina Matos, diretora adjunta da DS Intermediários de Crédito, disse à Lusa que as lojas da mediadora já fizeram três escrituras de compra de casa através de empréstimo com a garantia pública e tem várias marcadas.

“A procura pela medida tem sido muito grande. Estamos a registar uma grande adesão por parte de jovens casais”, precisou Catarina Matos, notando, contudo, há também muitas situações em que os pedidos vêm recusados pelo banco.

Algumas destas recusas, refere, englobam pessoas que conseguiriam ter o empréstimo aprovado se se tratasse de um processo normal – ou seja, se estivessem a pedir até um máximo de 90% da avaliação da casa – mas que, com o recurso à garantia e consequentemente até 100% de financiamento, não cumprem o critério da taxa de esforço.

Também Ana Paula Silva, da Century21, refere ter já registo de vários casos em que os jovens não conseguem aceder aos 100% de financiamento por ‘esbarrarem’ no critério da taxa de esforço (que não pode ir além dos 35%).

Na prática e conjugando esta garantia com as regras para a concessão de crédito à habitação, a medida permite que os jovens consigam obter 100% do valor da avaliação da casa, em vez dos 90% de limite que vigoram para a generalidade dos clientes.

“O que estou a detetar é que muitas pessoas não têm noção do rendimento que é necessário para acederem aos 100%, porque se mantém a questão da taxa de esforço e a maioria dos casos não têm viabilidade”, afirmou a consultora da Century21.

Das cerca de dezenas de situações que tratou desde o início do ano, apenas cerca de uma dezena tem condições para aceder aos 100% do financiamento, diz Ana Paula Silva, acrescentando que daquilo que até agora tem observado, os 100% apenas vêm ajudar quem já antes tinha condições para comprar casa – faltava-lhe era a reserva de poupança para dar de ‘entrada’ porque em muitos casos são pessoas que começaram a trabalhar há pouco tempo.

Outra das situações que apontam é uma ligeira subida do spread (margem de lucro do banco) por parte de alguns bancos quando a simulação do crédito é com a garantia estatal.

“Há uma ou outra situação em que, quando dizemos ao banco que é um empréstimo com garantia pública, o spread é agravado“, disse Catarina Matos, notando que esta é também das explicações para que alguns ultrapassem o limite da taxa de esforço.

Ana Paula Silva disse à Lusa que até agora, nos casos que lhe passaram pelas mãos, tem conseguido manter os spreads, mas adianta ter já ouvido situações em que houve agravamento.

O presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Paulo Caiado, sublinhou, por seu lado, algumas das “falhas de informação” sobre a medida por parte dos jovens.

“Há um número muito significativo que fica surpreendido com a forma como funciona a garantia estatal porque estavam convencidos de que haveria algum tipo de financiamento do Estado para a entrada’ da casa, referiu Paulo Caiado.

Considerando que a informação sobre a garantia estatal “não passou da forma mais eficaz”, Paulo Caiado assinala que há jovens que acham que a parcela do empréstimo ao abrigo da garantia pública não conta parta a taxa de esforço.

O presidente da APEMIP reitera ainda que, apesar do impacto da medida ser pequeno – porque os jovens não são o grupo maioritário dos que compram casa –, veio criar ainda mais pressão num mercado sem oferta de casas a preços acessíveis.

“Se estamos a criar medidas que levam as pessoas a ir às compras, facilmente se incrementam os preços”, acentuou.

A diretora de comunicação e conteúdos do Dr. Finanças, Sara Antunes, reporta uma situação algo diferente, avançando à Lusa que, apesar de ainda não ter números sobre os processos que lhe chegaram com recurso à garantia estatal, estes não são a maioria.

“Não houve uma ‘corrida’ à garantia, pelo menos até agora”, disse, salientando que muitas pessoas fizeram a escritura no final do ano passado, sem esperar pela medida.

“A garantia pública possibilita que não se dê ‘entrada’. Mas fizemos muitas escrituras no final do ano passado e [as pessoas] não esperaram pela garantia porque tinham capitais próprios para avançar”, disse.

A garantia estatal pode ser usada por quem esteja a comprar a primeira de habitação própria permanente cujo valor não exceda 450 mil euros. Os beneficiários não podem ser proprietários de prédio urbano ou fração de prédio urbano e não podem ter rendimentos superiores ao do oitavo escalão do IRS (cerca de 81 mil euros de rendimento coletável anual).

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Há mais uma empresa chinesa na mira das autoridades americanas

Fundada por veteranos da Huawei, a BaiCells é pouco conhecida, mas tem sido seguida pelo menos desde 2019 pelo FBI. Há duas investigações em curso nos EUA por possíveis riscos de segurança.

O nome BaiCells Technologies diz pouco, mas não para as autoridades norte-americanas, que se encontram a investigar este fornecedor de equipamentos de telecomunicações por possíveis riscos de segurança, avançou a Reuters esta quinta-feira.

A tecnológica de origem chinesa foi criada por veteranos da Huawei e está na mira não de uma, mas de duas entidades federais, o Departamento do Comércio e o FBI, avançou a agência, que obteve a informação junto de fontes e documentos.

As informações são escassas. Mas a Reuters garante que o Departamento do Comércio já enviou intimações à empresa e que, apesar de não ser claro o foco da investigação do FBI, esta entidade tem seguido de perto a BaiCells desde 2019, pelo menos.

A BaiCells foi fundada em 2014 na China e entrou nos EUA no ano seguinte, alegando no seu site que já forneceu equipamentos de telecomunicações para 700 redes móveis comerciais em todos os Estados norte-americanos.

“A BaiCells não acredita que existam quaisquer riscos de segurança associados aos seus produtos rádio”, reagiu à Reuters o chairman e CEO da empresa, Sun Lixin, que tem no currículo uma passagem de mais de 12 anos e meio pela Huawei, entre novembro de 2001 e maio de 2014.

A Huawei é outra fornecedora de equipamentos de telecomunicações na mira das autoridades, incluindo em Portugal: em maio de 2013, um organismo do Estado português deliberou excluir algumas empresas das redes 5G em Portugal, por riscos de segurança, numa decisão que está a ser contestada em tribunal pela gigante sedeada em Shenzhen.

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Autarcas reclamam mais troços de autoestrada sem portagens

Autarcas de Baião e de Aveiro, e conselheiro nacional do PSD Firmino Pereira, pedem ao Governo que isente de pagamento mais portagens das autoestradas A4, A41 e A25.

Saída da A4 – Baião16 janeiro, 2025

Persistem as contestações de autarcas e políticos em relação às portagens nas autoestradas. O presidente da câmara de Baião, Paulo Pereira, já sensibilizou o Governo para a importância da abolição de portagens na Autoestrada 4 (A4), incluindo o lanço que serve o concelho e a sub-região do Baixo Tâmega. Também o conselheiro nacional do PSD Firmino Pereira solicitou a isenção na autoestrada A41, conhecida por Circular Regional Exterior do Porto (CREP).

O autarca da câmara socialista de Baião enviou uma missiva ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, e ao ministro-adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, a contestar o facto de a recente abolição de portagens em várias autoestradas, a 1 de janeiro deste ano, “ter deixado de fora territórios de baixa densidade, como Baião, que enfrentam desafios socioeconómicos significativos”.

Entre as razões apresentadas por Paulo Pereira para eliminar as portagens em todo o curso da A4 consta “a ausência de vias alternativas, o que torna indispensável a sua utilização para alcançar serviços como o Hospital Padre Américo, em Penafiel, localizado a até 60 minutos de algumas áreas do concelho”. Acresce a competitividade económica uma vez que, assinala, “os elevados custos de deslocação penalizam empresas e residentes, dificultando o desenvolvimento económico e a convergência com áreas metropolitanas como a do Porto”.

Existe disparidade de tratamento entre Baião e outras regiões abrangidas pela abolição de portagens, como os concelhos servidos pela A28, que apresentam indicadores de desenvolvimento mais elevados.

Paulo Pereira

Presidente da Câmara Municipal de Baião

A necessidade de combater o despovoamento, atraindo mais população, e potencializar investimentos locais e regionais são mais alguns dos motivos apontados por Paulo Pereira.

O edil questiona ainda a “disparidade de tratamento entre Baião e outras regiões abrangidas pela abolição de portagens, como os concelhos servidos pela A28, que apresentam indicadores de desenvolvimento mais elevados”.

Outra reivindicação de abolição de portagens, desta feita da A41, chega esta quinta-feira pela voz do conselheiro nacional do PSD Firmino Pereira, num pedido feito ao ministro das Infraestruturas. À agência Lusa, este antigo deputado à Assembleia da República (AR) sublinha que a medida poderá mitigar o congestionamento na Via de Cintura Interna (VCI) do Porto, ficando para a A41 — designada de Circular Regional Exterior do Porto (CREP) –, “a função de drenar todo o trânsito”.

Firmino Pereira defende, contudo, que “não é suficiente isentar o transporte pesado na A41, como anunciou esta semana o presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP), Eduardo Vítor Rodrigues”.

Esta segunda-feira, o líder da AMP avançou que o Governo deverá anunciar, “dentro de dias”, a solução definitiva para o caos diário e congestionamento da VCI e que, entre outras medidas, poderá passar pelo desvio dos pesados para a CREP.

A este propósito, a presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Luísa Salgueiro, já informou que o ministro das Infraestruturas tem reunido com os autarcas sobre o tema e que em breve deverá apresentar propostas.

A A25 nunca teve, nem tem, objetivamente, alternativa em todo o seu traçado e muito em especial no município e na região de Aveiro.

Ribau Esteves

Presidente da Câmara Municipal de Aveiro

As fronteiras para abolição de portagens no início deste ano também não agradam ao presidente da câmara de Aveiro. O social-democrata Ribau Esteves já veio a público contestar o facto de a isenção de portagens na A25, em vigor desde 1 de janeiro deste ano, não abranger a totalidade do trajeto entre a região de Aveiro e Vilar Formoso. Nos três primeiros pórticos, em Aveiro e Albergaria-a-Velha, continuam a ser cobradas portagens.

Ribau Esteves diz que “a A25 nunca teve, nem tem, objetivamente, alternativa em todo o seu traçado e muito em especial no município e na região de Aveiro”.

“A questão da isenção das portagens na A25, de Vilar Formoso a Albergaria-a-Velha, agora aplicada desde 1 de janeiro de 2025 por imposição de Lei da Assembleia da República, vem dar uma dimensão injusta, absurda e até ridícula ao facto de em apenas 13 quilómetros da A25 existir pagamento de portagem, numa via com quase 200 quilómetros”, explana. Recorde-se que a A25 ficou isenta de portagens no troço do Nó Esgueira em Aveiro ao Nó da A1 em Albergaria-a-Velha, com três pórticos de cobrança em 6,5% do traçado da A25.

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