Trump quer que Hillary faça teste antidoping antes do último debate

  • Marta Santos Silva
  • 17 Outubro 2016

O candidato republicano sugeriu que Hillary Clinton estaria sob o efeito de drogas no último debate: "Devíamos fazer um teste antidoping porque eu não sei o que se passa com ela".

À medida que se aproxima a data da eleição que vai decidir o próximo presidente dos Estados Unidos, a campanha de Donald Trump tem-se visto a braços com escândalo após escândalo — a começar pela gravação recém-divulgada do candidato a gabar-se de beijar e tocar em mulheres sem o seu consentimento. Este fim de semana, dias antes do último debate frente-a-frente antes das eleições, que está marcado para esta quarta-feira, Trump optou por atacar o desempenho de Hillary sugerindo que esta teria tomado drogas para conseguir enfrentá-lo.

“Acho que devíamos fazer um teste antidoping antes do debate”, afirmou o candidato republicano à Casa Branca num comício em Portsmouth, no estado do New Hampshire, este sábado. “Devíamos fazer um teste antidoping porque eu não sei o que se passa com ela. No início do último debate ela estava cheia de energia e no fim era mais: ‘Ai, ajudem-me a descer’. Mal conseguia chegar ao carro. Por isso acho que devíamos fazer um teste de drogas”.

Não é a primeira vez que Donald Trump insinua que Hillary Clinton não tem capacidade nem energia para o enfrentar na corrida à Casa Branca. No primeiro debate em que os dois se defrontaram, Trump reiterou uma vez mais não acreditar que Clinton tenha resistência para enfrentar a presidência, o que lhe valeu uma resposta pronta: “Bem, quando ele viajar para 112 países e negociar um acordo de paz, um cessar-fogo, uma libertação de dissidentes, a abertura de novas oportunidades em nações por todo o mundo, ou passar sequer 11 horas a depor para um comité do congresso, então pode vir falar-me de vigor“, respondeu a candidata democrata.

Trump também não tem fugido a atacar Clinton por se ter sentido mal nas comemorações do 11 de setembro em Nova Iorque, quando a candidata tinha pneumonia e foi filmada a tropeçar ao entrar numa carrinha. Um anúncio de campanha de Trump divulgado na semana passada usava essas imagens para descredibilizar a adversária.

A campanha de Clinton já reagiu à nova acusação de que a candidata estaria sob o efeito de drogas, assim como às declarações de Trump de que a eleição deste novembro estará a ser manipulada. “Aquilo que é fundamental no sistema eleitoral americano é ser livre, justo e aberto a todos”, disse o representante da campanha de Clinton, Robby Mook, à imprensa. “A participação no sistema — em particular o ato de ir votar — deve ser encorajada, e não sabotada porque um candidato acha que vai perder”.

Trump cai nas sondagens

As sondagens mais recentes continuam a mostrar o empresário multimilionário a cair nas sondagens. A três semanas das eleições, o site especializado em análise de dados FiveThirtyEight resume diferentes sondagens, conduzidas pela NBC News com o Wall Street Journal e pela ABC News com o Washington Post, que ambas mostram Clinton à frente por vários pontos percentuais. O FiveThirtyEight conclui que Clinton tem neste momento 86% de hipóteses de vencer a eleição.

A acusação de que Hillary Clinton terá tomado drogas antes do debate mais recente contra Trump, no qual este saiu a perder, embora se tenha declarado o vencedor, é só a mais recente de muitas que o candidato tem dirigido à adversária. Na semana passada, Trump prometeu que, se fosse eleito, escolheria um procurador-geral para investigar Clinton pelo seu uso de um servidor privado de email durante o seu tempo enquanto secretária de Estado de Barack Obama. “Hillary Clinton deveria estar na prisão”, afirmou. Clinton já foi exonerada após uma investigação do FBI.

Mas mesmo deixando de fora as acusações do adversário, Hillary Clinton não tem escapado à controvérsia. Também na semana que passou, a Wikileaks divulgou alguns dos discursos pagos que a candidata democrata fez para o banco de investimento Goldman Sachs, dando novo alento às críticas dos opositores que afirmam que Clinton está demasiado próxima de Wall Street para conseguir trabalhar para uma maior regulação do sistema bancário.

Editado por Paulo Moutinho

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