Marcelo: “Sempre que alguém usou o Presidente como arma de arremesso, não ficou bem”

Marcelo reagiu à entrevista de Maria Luís Albuquerque, dizendo que "sempre que alguém utilizou o Presidente como arma de arremesso, não ficou bem". Alertas ao PSD, aos quais nem Passos Coelho escapou.

“Sempre que alguém utilizou o Presidente como arma de arremesso, não ficou bem. Saiu-se mal.” É assim que Marcelo Rebelo de Sousa reage às declarações de Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças, que disse numa entrevista que, em matéria de sustentabilidade das contas públicas, “o Presidente da República não é uma entidade independente e técnica”.

Palavras que não caíram bem junto de Marcelo Rebelo de Sousa. Em declarações aos jornalistas, em Valpaços, disse esta tarde que a função do Presidente da República é “pensar nos portugueses”. “Há meses também houve dirigentes do PSD, do PCP e da CGTP que criticaram o Presidente. É assim. Num ano eleitoral, faz parte do jogo partidário o querer partidarizar ou envolver na luta de parceiros o Presidente”.

O antigo comentador esclareceu que “foi eleito para estar acima disso”. “Compreende-se estas lutas. Fazem parte da vida. Os partidos têm de lutar pela vida, os candidatos têm de lutar pela vida, as confederações têm de lutar pela vida. Mas o Presidente está fora desse tipo de luta. Não quer dar razão ao partido A, B ou C, nem quer dar razão à confederação A, B ou C”, acrescentou.

Indireta para o PSD: “Sou daqueles que ficam felizes com aquilo que é bom para o país”

Questionado se espera que Portugal saia do Procedimento por Défices Excessivos (PDE), o Presidente da República acabou por lançar mais algumas indiretas ao PSD. “Espero que sim, mas ninguém tem a certeza”, disse, depois de o primeiro-ministro ter dito na noite de quinta-feira que Portugal deve sair do PDE antes do verão.

E acrescentou: “Se vier [a sair], é uma grande alegria. Sou daqueles que ficam felizes com aquilo que é bom para o país. Acho que todos os portugueses devem ficar felizes se o país sair do PDE — não era líquido há um ano. Gente muito qualificada e muito inteligente disse que era matematicamente impossível. E foi possível chegar a este défice“, referiu, numa clara alusão às posições tomadas pelo anterior primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, agora líder da oposição.

“Se há saída [do PDE], o Presidente é o primeiro a ficar feliz. É uma satisfação patriótica. E acho que os portugueses devem ficar felizes, pois é puxar o país para cima”, concluiu Marcelo Rebelo de Sousa.

Venezuela não pode servir para “aproveitamento político”

Por fim, Marcelo Rebelo de Sousa foi confrontado com o alegado silêncio perante a situação de grandes tensões políticas, económicas e sociais na Venezuela. Respondeu: “Toda a gente percebe que, nesta altura, as autoridades portuguesas estão a fazer o que podem e o que não podem para ajudar os portugueses [na Venezuela].”

No entanto, “uma coisa é fazer isso e outra coisa é andar nos jornais a dizer o que se faz”. E acrescentou também: “Há duas maneiras de fazer política: uma é apregoar que se vai fazer qualquer coisa e depois não se fazer. Outra é fazer sem andar a apregoar.” Para o Presidente, “deve-se agir criando formas de apoio, formas de acompanhamento. Mas isso é uma coisa. Outra é estar a usar isso para aproveitamento político público”.

Marcelo Rebelo de Sousa foi ainda questionado acerca do último debate das eleições presidenciais francesas, cuja última volta se disputa este domingo entre Marine Le Pen e Emmanuel Macron. Contudo, recusou-se a comentar quem ganhou ou perdeu o debate francês, argumentando que “o Presidente da República vai ter de se dar bem com o vencedor dessas eleições, pois é um país amigo e irmão no sentido em que lá estão muitos portugueses”.

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