EDP volta ao mercado de dívida este ano se BCE subir juros

Nuno Alves, administrador financeiro da EDP, diz que elétrica deverá voltar a emitir dívida este ano caso do BCE sinalize no próximo mês uma subida das taxas de juro de referência.

Nuno Alves, administrador financeiro da EDP, ganhou o prémio de melhor CFO.Paula Nunes / ECO

A EDP EDP 1,25% deverá voltar ao mercado de dívida ainda este ano caso o Banco Central Europeu (BCE) dê sinais de que vai começar a subir a taxa de juro de referência no próximo ano, disse ao ECO o administrador financeiro da elétrica portuguesa, Nuno Alves. Isto apesar da folga de liquidez conferida pela venda do negócio do gás natural em Espanha.

“Uma nova emissão de dívida não está planeada, mas também não está excluída. Ainda não decidimos. Vendemos o negócio do gás natural em Espanha e temos o acordo para vender o gás em Portugal… É mais uma questão de saber como deverão evoluir as taxas de juro no próximo ano”, sublinhou Nuno Alves.

Vamos “antecipar a emissão se acharmos que daqui a um mês o BCE começa a subir as taxas”, referiu ainda o responsável financeiro da EDP ao ECO à margem dos prémios IRGA da Deloitte. Nuno Alves foi distinguido com prémio de melhor CFO.

A venda do negócio de gás natural em Espanha por 2,6 mil milhões de euros veio reforçar o balanço da empresa portuguesa, considerou Nuno Alves. “Ganhamos uma flexibilidade que não tínhamos até hoje. O balanço está muito mais forte”, frisou.

Cerca de 800 milhões de euros desta transação serviriam para financiar a oferta pública de aquisição sobre a EDP Renováveis, mas EDP só gastou 280 milhões na operação. De acordo com Nuno Alves, os restantes 520 milhões “serviram imediatamente para pagar a dívida”. Ainda assim, sobrou dinheiro.

"Uma nova emissão de dívida não está planeada, mas também não está excluída. Ainda não decidimos. Vendemos o negócio do gás natural em Espanha e temos o acordo para vender o gás em Portugal… É mais uma questão de saber como deverão evoluir as taxas de juro no próximo ano.”

Nuno Alves

Administrador financeiro da EDP

“O conselho de administração e os acionistas irão decidir o que fazer com esse excesso de dinheiro. Atingimos os rácios de dívida mais cedo do que era esperado o que não quer dizer que não se possa fazer alguma coisa. Baixar o rácio para um nível três vezes o EBITDA era para ser feito mais lentamente, até 2020. O que aconteceu é que metade do caminho ficou feito já. Agora o caminho é mais fácil até chegar a esse objetivo”, disse.

Melhoria de rating é boa para o país

Para Nuno Alves, a EDP não deverá beneficiar da melhoria do rating da República pela Standard & Poor’s para um nível fora de “lixo” porque a dívida da elétrica nacional já é considerada um investimento de qualidade pelas agências de notação financeira. Ainda assim, o administrador financeiro não deixa de sublinhar que se trata de uma decisão importante para as empresas nacionais.

“A melhoria do rating da República é sempre importante, nem que seja pela confiança dos investidores internacionais. Em termos de taxa de juro, não vai afetar muito a EDP porque já tinha esse rating, já beneficia do grau de investimento”, disse Nuno Alves.

“Mas é sempre melhor termos uma série de investidores que não olharia para Portugal e passam a olhar. E é sempre bom para as empresas nacionais”, revelou ainda.

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