CGTP endurece discurso e exige atualização anual de salários

Arménio Carlos disse, numa entrevista à SIC Notícias, que a atualização anual dos salários "é uma exigência" e que "necessariamente terá de aparecer" na proposta do OE2018.

Na reta final das negociações do Orçamento do Estado para 2018, o secretário-geral da CGTP aumenta a pressão sobre o Governo, sobretudo na questão da atualização anual dos salários dos trabalhadores da Administração Pública. Numa entrevista à SIC Notícias, Arménio Carlos apresentou a subida das remunerações como uma exigência, numa altura em que a Frente Comum, afeta à CGTP, já agendou uma greve geral para 27 de outubro.

“Inevitavelmente, o Governo vai ter de evoluir na sua proposta. Há uma questão de fundo que tem de ser considerada e que o Governo ainda não assumiu: o princípio do direito constitucional da atualização anual dos salários. Essa é uma proposta que não apareceu, essa é uma proposta que necessariamente terá de aparecer. Neste caso concreto não é uma esperança só, é uma exigência. Vamos ver”, disse à estação de Carnaxide.

Arménio Carlos defendeu ainda que “qualquer entidade patronal, seja pública ou privada, que não tenha em consideração a atualização anual dos salários dos seus trabalhadores é uma entidade patronal que não está a respeitar direitos fundamentais dos seus trabalhadores”. E acrescentou: “O Governo tem de dar o bom exemplo, tratar bem os seus trabalhadores e por esta via dar um sinal ao setor privado para que faça o mesmo. O aumento dos salários é sempre um investimento com retorno”.

PS está a acomodar-se ao poder

O líder da CGTP teceu ainda algumas críticas ao Governo, que insiste em não ceder nesta matéria. Questionado sobre se está desiludido com a atuação do executivo, Arménio Carlos indicou que já teve oportunidade de “dizer o que pensa” a António Costa, e reiterou: “O primeiro-ministro sabe que está à frente de um Governo que é minoritário, que precisa de acertar posições e consensos. Se quer dar sequência a um processo que foi saudado pela maioria dos trabalhadores, é preciso que não se esqueça que este processo é evolutivo. Não pode estagnar. Tem de dar sinais de avançar.”

Ora, face às sondagens favoráveis ao PS, os bons resultados conseguidos nas autárquicas, os dados económicos “interessantes” e os “sinais envenenados” vindos da Europa, Arménio Carlos largou a bomba: “No meio disto tudo, começa a haver aqui alguma acomodação ao poder”, atirou.

CGTP tem “mais margem de manobra” na Autoeuropa

O terceiro tema tratado na entrevista foi a questão da Autoeuropa. Questionado se o facto de a lista da CGTP ter pedido nas eleições para a Comissão de Trabalhadores (CT) não é um sinal de que as pessoas não queiram seguir a linha da CGTP, Arménio Carlos afirmou que os sinais são, na verdade, “em sentido contrário” a essa ideia.

“Alguns comentadores diziam que a greve na Autoeuropa era um suicídio, mas a greve na Autoeuropa já conseguiu duas coisas: primeiro, afirmar a dignidade dos trabalhadores, que têm razão. Segundo, dizer à empresa que a Autoeuropa que dizia que não mexia naquele horário que queria impor, mas já mexeu. Está a dizer individualmente aos trabalhadores que podem manter a semana de segunda a sexta, com os sábados sem imposição de os trabalhadores trabalharem, até abril de 2018. Não chega, mas já mexeu. E já mexeu porque houve greve”, disse.

A foi ainda mais além: “As eleições para a CT o que deram foi uma subida significativa do número de votos na lista que integrava dirigentes da CGTP. Passámos de cerca 600 votos para cerca de 1.000 votos. Entendemos que agora há mais margem negocial, até porque não há maioria absoluta de ninguém”, acrescentou.

Deixou, por fim, duas notas. A primeira é a de que “está provado que o carro se vai produzir em Portugal”. A segunda é a de que, é preciso começar a discutir com a Volkswagen a transição para uma realidade “em que os motores de combustão vão ser substituídos por motores elétricos”

“O que nós temos de fazer é o que os alemães já fizeram: um acerto entre a Volkswagen e o Governo em que, daqui a alguns anos, os carros a combustão sejam substituídos por carros com motores elétricos. E temos de Perguntar ao Governo o que já foi feito para perguntar à Volkswagen qual é o papel da Autoeuropa neste processo”, concluiu.

(Notícia atualizada às 10h16 com mais informação)

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

CGTP endurece discurso e exige atualização anual de salários

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião