Reclamações à Anacom sobem no semestre. Principal alvo: Meo

A Anacom recebeu 37.300 reclamações entre janeiro e junho, mais 17% do que no ano passado. A maioria centrou-se nas comunicações eletrónicas e a Meo foi a operadora mais reclamada, seguida pela Nos.

A Anacom recebeu 37.300 mil reclamações entre janeiro e junho, mais do que nos mesmos seis meses do ano passado. A maioria foi relativa a comunicações eletrónicas e a Meo foi o principal alvo das queixas. A operadora da Altice foi seguida de perto pela Nos que, ainda assim, conseguiu ser a única a reduzir a taxa de reclamações no semestre, em termos homólogos.

No relatório semestral das reclamações, publicado esta quarta-feira pelo regulador das comunicações, a Anacom informa que as 37.300 queixas no primeiro semestre deste ano representaram uma subida de 17% em relação ao mesmo período de 2016. Além disso, a entidade nota que, do total, 30.500 queixas diziam respeito a comunicações eletrónicas, um aumento de 13,5%.

Ora, neste campo, a Meo foi a operadora mais reclamada, de acordo com a Anacom — alvo de 38,5% das reclamações. Na lista segue-se a Nos com 36,2% das queixas. No terceiro lugar ficou a Vodafone, com 19,6% das reclamações e, de seguida, a Nowo, com 4,2%, lê-se no documento. “Entre os prestadores de maior dimensão, a Nos foi o único prestador que viu a sua taxa de reclamações diminuir face ao semestre homólogo”, escreve a entidade liderada por João Cadete de Matos.

Vendas e cancelamentos na base das queixas

A Anacom detalha ainda quais os principais motivos das queixas. Desde logo, os consumidores apresentaram reclamações, na maioria dos casos, por problemas com a “venda do serviço” e o “cancelamento” do mesmo. As reclamações por “alterações das condições contratuais pelo operador” foram as que mais aumentaram no período, subindo 58,5%, representando 7,3% do total de queixas. De notar que este relatório ainda não abrange o período das medidas corretivas impostas pela Anacom às operadoras este verão, devido aos aumentos irregulares de preços realizados no final do ano passado.

Mais: “Os serviços em pacote foram a oferta mais reclamada no primeiro trimestre do ano, representando 28,4% das reclamações, seguindo-se o serviço telefónico móvel, com 24,9%”, continua o regulador. Além do maior volume de reclamações, os pacotes registavam também a maior taxa: 2,4 reclamações por cada mil clientes. “A Nowo e a Nos registaram taxas de reclamações superiores à media no período em análise, 6,1 e três reclamações por mil clientes, respetivamente, seguindo-se a Meo, com 1,9 reclamações e a Vodafone, com 1,4 reclamações”, lê-se no resumo do documento.

Reclamações contra os correios subiram 26,5%

Em último lugar estão as reclamações sobre serviços postais, que foram 5.435 nos seis primeiros meses de 2017. Representou 14,6% do total e um aumento homólogo de 26,5%. Os CTT registaram quase a totalidade das queixas — os Correios foram alvo de 92% das reclamações, enquanto os CTT Expresso acumularam 4,5%. A maioria das queixas disse respeito a “problemas na distribuição de envios postais” e os assuntos mais reclamados foram o atendimento, o extravio ou atraso significativo na entrega e a falta de tentativa de entrega ao destinatário.

A Anacom termina dizendo que “as reclamações sobre os serviços da sociedade da informação”, como “subscrição de serviços ou conteúdos digitais pela internet” têm registado “um aumento muito expressivo” no número de reclamações, embora representem apenas 3% do total. Já o serviço de Televisão Digital Terrestre (TDT) foi alvo de 201 reclamações entre janeiro e junho.

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