Francesa Engie interessada na EDP. Ações avançam 8%

O segundo maior grupo energético mundial, Engie, estará interessado na aquisição da elétrica nacional liderada por António Mexia. Ações da EDP sobem quase 8%.

O segundo maior grupo energético mundial, Engie, estará interessado na aquisição da elétrica nacional liderada por António Mexia, avança esta manhã de segunda-feira o jornal francês BFM. Segundo este, Isabelle Kocher, líder do grupo francês, e António Mexia já estiveram em contacto.

O jornal francês cita fontes próximas da empresa francesa para afirmar que a operação está a ser estudada há algumas semanas, sendo que nenhuma decisão será tomada até à tomada de posse do novo presidente da Engie, Jean Pierre Clamadieu, a 18 de maio.

“O patrão da EDP parece estar à procura de uma parceira industrial para controlar os apetites do seu principal acionista“, escreve ainda o BFM, referindo-se ao grupo China Three Gorges, que detém 28,25% da elétrica “Este teme que assumam o controlo do grupo. O Governo português também gostaria de evitar a compra por parte dos chineses”.

Ações da EDP em alta

A notícia fez disparar as ações da EDP, que abriu a sessão desta segunda-feira a valorizar quase 8%, o que representa máximos de mais de meio ano. Entretanto, a cotada liderada por António Mexia aliviou face ao disparo do arranque da sessão, com as suas ações a avançarem, neste momento, 4,47%, para os 3,225 euros EDP 0,51% . Já em França, as ações da potencial interessada caem 0,14% para 14,02 euros. Confrontada com a notícia, a elétrica francesa recusou comentar, avança a Reuters.

A EDP, contactada pelo ECO, começou por recusar qualquer comentário, para depois negar o interesse. “Face ao artigo hoje publicado no site de notícias Francês BFM Business, com o título ‘Engie lorgne Energias de Portugal’, a EDP vem esclarecer o mercado de que não foram estabelecidos quaisquer contactos, nem mantidas quaisquer negociações com vista a operações de consolidação“, apontou a elétrica em comunicado, publicado no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

O interesse da Engie pela EDP não é inédito na Europa. Recorde-se que houve uma investida da Gas Natural, mas também da Enel/Endesa que sinalizou o interesse em comprar a operação da EDP em Portugal, para uma fusão ibérica. Contudo, neste caso, a operação internacional ficaria nas mãos dos chineses. “Seria uma solução pior do que a que sucedeu com a Cimpor, a EDP seria destruída”, disse uma fonte ao ECO, sem desmentir, ainda assim, estas discussões.

Na semana passada, António Mexia foi reconduzido para o Conselho de Administração da elétrica, com uma maioria de 99,70%, algo que, segundo o gestor atesta “a confiança dos acionistas e da equipa” e confirma o “alinhamento de visões”.

A EDP é considerada um dos ativos mais procurados na Europa, sobretudo porque tem uma posição relevante na área das energias renováveis, e porque na Europa o momento é de consolidação do setor da energia. Fechou o ano de 2017 com lucros de 1.113 milhões de euros, um aumento de 0,16% face a 2016.

(Notícia atualizada pela última vez às 10h42 com a resposta da EDP)

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