Weidmann fora da corrida. Quem vai suceder a Draghi no BCE?

Draghi termina mandato no outono do próximo ano, mas Angela Merkel já não pretende uma alemão à frente do banco central. Quer antes colocar um compatriota na liderança da Comissão Europeia.

O Governo alemão deixou cair o nome do presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, da corrida à sucessão de Mario Draghi na liderança do Banco Central Europeu (BCE), numa decisão que poderá representar uma maior moderação no ritmo de subida dos juros na Zona Euro. Um cenário, dizem os analistas, que vai beneficiar países mais endividados, caso de Portugal.

Segundo o jornal alemão Handelsblatt, Angela Merkel tem outras pretensões que já não passam pelo cargo de presidente do banco central, que se prepara para estar livre no outono do próximo ano com o fim do mandato do italiano.

Ao invés, a chanceler alemã pretende colocar um nome alemão na presidência da Comissão Europeia. Peter Altmaier, ministro dos Assuntos Económicos, ou Manfred Weber, líder do grupo do Partido Popular Europeu do Parlamento Europeu, estão entre os nomes citados pelo jornal germânico.

Com a saída de cena de Weidamnn ganham força os nomes de François Villeroy de Galhau (França) ou de Erkki Liikanen (Finlândia) para suceder a Mario Draghi. “O candidato que suceder não irá desviar-se fundamentalmente daquilo que foi a linha de atuação de Draghi de manter a união monetária unida também através da política monetária”, refere o economista chefe do Commerzbank, Jörg Kramer, numa nota divulgada esta quinta-feira.

Para Kramer, “com as causas da crise da dívida, particularmente em Itália, ainda por resolver, os governos da Zona Euro vão continuar a apoiar uma política monetária mais soft“. E, por essa razão, falcões como Weidmann teriam poucas hipóteses numa disputa pelo cargo de presidente do banco central, frisa.

É neste contexto que o economista alemão prevê que o BCE vai continuar a reinvestir as obrigações vencidas durante um longo período após o fim do programa de compras no final do ano.

Foi com Draghi que o banco central empreendeu uma agressiva política de compra de dívida pública na região desde 2015, a fim de conter a subida do risco e promover um maior dinamismo da economia e inflação. Mas este programa de estímulos vai agora terminar em dezembro, mantendo-se uma política de reinvestimentos dos títulos que atingirem a maturidade para lá dessa data.

“Como resultado destes reinvestimentos, o BCE vai deter quase um terço das obrigações dos governos durante anos, deprimindo de forma permanente as yields da dívida para o interesse dos países mais endividados“, explica.

“Além disso, não esperamos um verdadeiro ciclo de subida das taxas de juro, mesmo que o BCE aumente a sua taxa de depósito dos -0,4% para -0,3% em setembro de 2019″, sublinha ainda Jörg Kramer.

Draghi já prometeu uma subida dos juros durante o verão do próximo ano, se as condições económicas assim o permitirem.

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