Ginásios tiveram quebra de faturação de mais de 75%

  • Lusa
  • 29 Maio 2020

Dos 1.200 associados da AGAP, 440 responderam e os resultados mostram que 62% dos espaços sofreram uma forte quebra na faturação e que 85% optaram por recorrer ao ‘lay-off' para diminuir encargos.

Mais de metade dos ginásios em Portugal tiveram uma quebra na faturação de mais de 75% desde o começo da pandemia de covid-19, revela um questionário da Associação de Ginásios e Academias de Portugal (AGAP).

A maior parte dos clubes não estão a cobrar a mensalidade na totalidade e, hoje em dia, a faturação vem também de serviços como PT (Personal Trainers) ou nutrição, que também não estão a acontecer. Não vendermos esses serviços explica a redução significativa que este estudo mostra”, disse à Lusa José Carlos Reis, presidente da AGAP.

Face a 2019, quase todos os clubes que responderam ao inquérito confirmam que a faturação é menor do que em abril de 2019, mas os números também mostram que nem por isso recorreram ao financiamento disponibilizado pelas linhas da pandemia covid-19.

O presidente da AGAP explica que o setor é predominantemente composto por micro e pequenas empresas e que muitas não conseguiram sequer aceder a estes apoios.

“A maior parte dos clubes são pequenos e o acesso ao financiamento é muito difícil. Bastava uma pequena divida à Segurança Social para não se poder concorrer e a banca não empresta a todas as entidades, além de que muitas empresas concorreram e não lhes foi atribuído financiamento“, revela o presidente da AGAP.

Apesar das dificuldades, os números da AGAP relatam que apenas uma minoria dos ginásios que respondeu ao inquérito dispensou os seus colaboradores e quase todos os 440 que responderam (84%) estão prontos para abrir portas em 1 de junho, algo que José Carlos Reis considera “essencial”.

“Temos salientado nas conversas com o Governo que todos os dias estamos a perder clientes. Quanto mais tempo passar mais difícil vai ser os clubes reerguerem-se. Estamos há mais de dois meses encerrados e a situação é dramática: Há muitos cancelamentos e há ginásios à venda em todo o país. Se este encerramento perdurar no tempo, vai haver mais fecho de estabelecimentos no nosso setor“, assegura.

Quanto às novas soluções que a situação de pandemia fez emergir no setor, o presidente da AGAP elogia a capacidade de adaptação dos seus profissionais e diz que o modelo de negócio online veio para ficar, mas “nunca substituirá” o treino presencial.

“Vai ser mais um serviço dentro da mensalidade normal, mais um serviço que os clubes vão ter de oferecer e que agora foi uma forma de manter a ligação com os clientes. Acredito que no futuro vamos ter este serviço apenas para quando o cliente não pode vir ao clube“, avalia.

Ainda na expectativa do que o governo decidirá na reunião do Conselho de Ministros de hoje, o presidente da AGAP salienta que os empresários do setor que responderam às questões apresentadas pela AGAP continuam motivados e que 81 por cento pensa em recuperar os níveis de faturação no primeiro trimestre de 2021, havendo mesmo 15 por cento que afirmam que poderão fazê-lo ainda em 2020.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Ginásios tiveram quebra de faturação de mais de 75%

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião