Lucro semestral do Novobanco cresce 17% para quase 435 milhões de euros
Quebra da margem financeira foi compensada pelo serviço a clientes e outros resultados de exploração, levando o produto bancário a melhorar 6% no semestre em que foi vendido ao Groupe BPCE.
O Novobanco lucrou 434,9 milhões de euros no primeiro semestre de 2025, um resultado que fica 17,4% acima do alcançado nos mesmos seis meses do ano passado. A informação foi divulgada pelo próprio banco através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a primeira divulgação de resultados desde a venda do Novobanco aos franceses do BPCE.
Apesar de a margem financeira ter encolhido 6,1% neste período, para 558,8 milhões de euros — num cenário em que a média da taxa Euribor a seis meses desceu 152 pontos base, tendo sido compensada por “uma estratégia de cobertura pró-ativa” –, a receita do serviço a clientes subiu mais de 11%, para 179 milhões de euros, destaca a instituição.
Não tendo sido suficiente para impedir uma quebra de 2,4% no produto bancário comercial (ver tabela) — com os proveitos com comissões a dispararem mais de 11% –, a soma dos resultados de operações financeiras e de outros resultados de exploração permitiu ao Novobanco fechar o semestre com uma melhoria de 6% no produto bancário total, que ficou muito próximo dos 800 milhões.
Apesar do agravamento dos custos operativos em 7,6%, para 261,2 milhões de euros no mesmo período, o resultado operacional ficou, ainda assim, 5,3% acima do alcançado pelo Novobanco na primeira metade de 2024, o equivalente a 537,2 milhões de euros.

Esta é a primeira vez que o Novobanco apresenta resultados desde que, no dia 13 de junho, o seu maior acionista — o fundo norte-americano Lone Star — assinou um Memorando de Entendimento para vender o banco ao francês Groupe BPCE, transação que avaliou a instituição em 6,4 mil milhões de euros. O Estado português detém 25% através do Fundo de Resolução (13,54%) e da Direção-Geral do Tesouro e Finanças (11,46%).
“Os resultados do primeiro semestre de 2025 continuam a demonstrar a força e a resiliência do nosso modelo de negócio”, defende Mark Bourke, CEO do Novobanco, citado em comunicado. O gestor frisa também que a venda ao BPCE “permitirá ao Novobanco expandir a sua presença e capacidade de atuação, proporcionando os recursos necessários para continuar a apoiar as empresas e famílias“. E acrescenta: “Com esta aquisição, estamos não só a aumentar a nossa solidez financeira, mas também a fortalecer a nossa capacidade de oferecer soluções inovadoras e personalizadas aos nossos clientes.”
[A venda ao BPCE] permitirá ao Novobanco expandir a sua presença e capacidade de atuação, proporcionando os recursos necessários para continuar a apoiar as empresas e famílias.
Analisando a atividade do Novobanco no semestre, constata-se que o crédito a empresas aumentou 3,5% no semestre, para 14,38 mil milhões de euros, enquanto o crédito a particulares subiu 4,5%, para 12,63 mil milhões. O crédito à habitação em concreto aumentou 3,5%, para 10,511 mil milhões. Já as imparidades desceram 22,6% no semestre, ou 243 milhões, cifrando-se em 833 milhões.
Enquanto isso, os recursos totais aumentaram para 45,93 mil milhões de euros, mais 8% do que no final do ano passado. Destaca-se o crescimento de 4,1% nos depósitos, superando a fasquia dos 30 mil milhões.
Quanto à liquidez, no final do semestre o Novobanco apresentou um rácio CET 1 de 16,8%, menos do que os 20,8% de dezembro, e um rácio de solvabilidade de 19,7%, abaixo dos 23,6% de dezembro. Ainda assim, o Novobanco sublinha que este desempenho “evidencia a capacidade de geração de capital” do seu modelo de negócio e “a disciplina na alocação de capital”.
(Notícia atualizada pela última vez às 8h46)
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