Estado dá como perdido investimento no Hospital da Cruz Vermelha

Parpública reconheceu nova imparidade de quase cinco milhões de euros no ano passado relativo o investimento na sociedade gestora do hospital depois de falhada a venda.

O Estado dá como perdido o investimento que tem no Hospital da Cruz Vermelha, no valor de perto de 20 milhões de euros, isto depois de contabilizar uma nova perda por imparidade nas contas do ano passado, na sequência da venda frustrada do problemático hospital.

A Parpública adianta, no seu relatório e contas de 2024, que a participação de 45% que detém na sociedade gestora do hospital teve de ser reclassificada de “ativo não corrente detido para venda” para “investimento em associada”, por “deixaram de estar reunidos os critérios necessários para a sua alienação num futuro previsível”.

Ao mesmo tempo, acrescenta, foi realizado um teste de imparidade ao referido ativo e a sociedade gestora das participações do Estado foi obrigada a reconhecer “uma perda por imparidade total do valor contabilístico da participação”.

Isto significou que a Parpública teve de contabilizar uma perda por imparidade adicional no valor de 4,8 milhões de euros nas contas de 2024, elevando assim as perdas com o Hospital da Cruz Vermelha para os 19,6 milhões – que corresponde ao custo de aquisição da referida participação, segundo aponta no relatório.

No início deste ano, Parpública e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) — que controla outros 54,79% da sociedade gestora do hospital – abortaram os planos para vender o hospital porque as ofertas não tinham “as condições necessárias” para proteger o “interesse patrimonial” dos dois acionistas.

Na corrida pelo Hospital da Cruz Vermelha estiveram três grupos de saúde: a Sanfil Medicina, a Trofa Saúde e ainda o Lusíadas.

Acionistas injetam 6 milhões

A atravessar um quadro financeiro desafiante, o hospital – cuja comissão executiva é liderada por Pedro de Albuquerque Mateus, ex-CEO da Maló Clinic, desde março passado — teve de se socorrer junto dos dois acionistas para manter a atividade no ano passado.

A Parpública revela que injetou 3,9 milhões de euros na gestora do hospital a título de suprimentos (isto é, empréstimos realizados pelo acionista) e emprestou ainda 2,2 milhões à SCML — também ela a passar por dificuldades — “para assegurar os compromissos financeiros dos acionistas para com a referida sociedade gestora hospitalar”.

Nenhuma das partes respondeu às questões do ECO sobre este tema até à publicação do artigo, nomeadamente se o hospital continua a precisar de meios financeiros para manter as portas abertas. No relatório da Parpública é adiantado que a Santa Casa terá de reembolsar o empréstimo até final deste ano. O ECO sabe que esta dívida já foi saldada.

O Hospital da Cruz Vermelha voltou a apresentar resultados negativos no ano passado: -3,7 milhões de euros, após os prejuízos de 4,2 milhões em 2023. Desde 2019 acumula prejuízos de 30 milhões, mas prevê este ano uma melhoria ao ponto de atingir o breakeven.

As vendas e prestações de serviços atingiram os 34,8 milhões de euros em 2024, correspondendo a uma subida de 13% em comparação com o ano anterior. O hospital tem vindo a recuperar atividade nos últimos anos. Em 2021 estava a faturar 40% menos.

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