Buscas na TAP por indemnização a Alexandra Reis

  • Lusa e ECO
  • 23 Setembro 2025

Em causa estão suspeitas da prática de crimes de administração danosa, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, participação económica em negócio e abuso de poder.

A TAP está a ser alvo de buscas esta terça-feira no âmbito de um inquérito à indemnização paga a uma ex-administradora da companhia aérea, anunciou o Ministério Público. O ECO sabe que essa administradora é Alexandra Reis. Em causa estão suspeitas da prática de crimes de administração danosa, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, participação económica em negócio e abuso de poder.

As buscas abrangem ainda um “escritório de advogados em Lisboa” e “pesquisas em equipamentos informáticos da Secretaria-Geral do Governo”, refere, numa nota, a Procuradoria da República da Comarca de Lisboa. Segundo avança a RTP3, a firma de advogados em causa é a SRS Legal, que representou a TAP no caso da elaboração do contrato de rescisão da antiga administradora da TAP.

Segundo o Observador, também são visados no inquérito o antigo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, o ex-secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Mendes, bem como os respetivos chefes de gabinete. O jornal online confirmou que nenhum deles estão a ser alvo de buscas.

Em reação às buscas, a companhia aérea portuguesa assume que está a colaborar com as autoridades, mas afirma “não comentar processos judiciais”.

“As diligências, que têm em vista a apreensão de documentação, são presididas por procuradores da República e juiz de instrução, coadjuvados por inspetores da Polícia Judiciária (PJ), órgão de polícia criminal que coadjuva o Ministério Público na investigação”, refere a PGR.

Em 2022, a TAP esteve envolvida numa polémica devido ao pagamento de uma indemnização de 500 mil euros à então administradora Alexandra Reis pela sua saída da companhia, por mútuo acordo entre as partes.

A TAP divulgou, no Sistema de Difusão de Informação (SDI) da CMVM, em 4 de fevereiro de 2022, um comunicado no qual informava que “tendo sido nomeada pelos anteriores acionistas, e na sequência da alteração da estrutura societária da TAP, Alexandra Reis, vogal e membro do Conselho de Administração e Comissão Executiva da TAP” tinha apresentado naquele dia “renúncia ao cargo”, decidindo encerrar aquele capítulo da sua vida profissional e “abraçando agora novos desafios”.

A companhia aérea e Alexandra Reis celebraram um acordo de cessação de relações contratuais, por iniciativa da TAP, que implicou o pagamento de uma indemnização de cerca de 500.000 euros brutos à administradora.

O caso tornou-se público numa altura em que Alexandra Reis era já secretária de Estado do Tesouro da equipa do ministro Fernando Medina, levando à sua demissão.

O Governo pediu a avaliação da Inspeção-Geral de Finanças, que em março de 2023 considerou nulo o acordo de rescisão por violar a legislação e obrigou Alexandra Reis a restituir garante parte da indemnização recebida. A então CEO, Christine Ourmières-Widener, e o chairman, Manuel Beja, foram demitidos.

A indemnização motivou a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito, onde foi escrutinado o papel dos gestores e dos membros do Governo, tendo as conclusões sido remetidas ao Ministério Público.

(Notícia atualizada às 12h39)

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Buscas na TAP por indemnização a Alexandra Reis

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião