DBRS diz que reguladores estão mais confiantes com bancos portugueses
Reguladores bancários estão a aliviar os requisitos de capital às instituições financeiras nacionais devido ao reforço da rentabilidade e à melhoria da qualidade dos ativos e dos níveis de capital.
A Morningstar DBRS destaca que os reguladores estão a demonstrar maior confiança em relação aos bancos portugueses. Para esta conclusão, a agência de notação de risco indica que os supervisores estão a aliviar os requisitos de capital às instituições financeiras nacionais devido ao reforço da rentabilidade e à melhoria da qualidade dos ativos e dos níveis de capital.
Em causa está o chamado Pilar 2, um requisito de capital específico para cada banco (em função da perceção de risco) e que é definido no âmbito do Processo de Análise e Avaliação pelo Supervisor (SREP), sendo um requisito complementar ao capital mínimo exigido aos bancos no âmbito do Pilar 1.
No caso dos bancos portugueses, a exigência do Banco Central Europeu (BCE) em relação ao Pilar 2 tem vindo a aliviar nos últimos anos, segundo observa a Morningstar DBRS, o que reflete uma maior credibilidade do sistema nacional junto dos supervisores.
“O requisito de Pilar 2 médio para o capital total dos maiores bancos portugueses diminuiu de 2,38% para 2,29% dos ativos ponderados pelo risco (RWA) entre o final de 2022 e junho de 2025. As revisões em baixa para bancos específicos durante este período variaram entre 10 e 30 pontos base”, aponta a agência de rating.
Para os analistas da Morninstar DBRS, mais do que magnitude da redução do requisito de Pilar 2, o mais relevante é mesmo a “tendência decrescente em todo o sistema”.
“O nível de requisito de Pilar 2 para muitos bancos tem ainda de diminuir ainda mais para que o sistema português convirja com os países pares. Mas, na nossa opinião, a melhoria constante reflete a perceção regulatória de que os perfis de risco dos bancos portugueses — em comparação com há apenas alguns anos — se fortaleceram devido à rendibilidade robusta e à melhoria da qualidade dos ativos”, frisam.
Dos seis maiores bancos em questão, apenas o Santander Totta registou um agravamento do requisito de Pilar 2, enquanto o do BPI se manteve nos 2% entre 2022 e o primeiro semestre de 2025. Já Montepio, Novobanco, BCP e Caixa viram os seus requisitos baixarem neste período.

Apesar da evolução positiva, a Morningstar DBRS nota que os requisitos de Pilar 2 exigidos à banca portuguesa continuam a ser mais apertados do que em relação aos pares europeus (2,29% contra 1,96%). A agência acredita que os bancos nacionais irão reduzir esta diferença.
“Esperamos que esta diferença convirja ao longo do tempo, uma vez que a melhoria dos fundamentos bancários continua a reduzir a perceção de risco dos bancos em Portugal. A resiliência de capital dos maiores bancos portugueses foi também evidente no sólido desempenho no teste de stress da Autoridade Bancária Europeia (EBA) de 2025, em que os bancos participantes reportaram um esgotamento de capital comparativamente baixo no cenário adverso da EBA”, aponta a DBRS.
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