Primark aproveita fim dos “minimis” para abrir mais lojas nos EUA

  • Joana Abrantes Gomes
  • 28 Outubro 2025

Fim da isenção de impostos para pequenas encomendas prejudicou concorrentes como a Shein e a Temu. Primark vê oportunidade para aumentar número de lojas nos EUA e está a investir mais em publicidade.

A Primark está a acelerar a abertura de lojas e a intensificar o marketing nos Estados Unidos, apostando que a decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de acabar com a isenção de impostos sobre encomendas via comércio eletrónico vai afastar dos seus concorrentes como a Shein e a Temu os consumidores preocupados com os preços e os levará de volta às compras em loja.

Em maio, a Casa Branca decidiu revogar a isenção de impostos alfandegários para pequenas encomendas (conhecidas como “de minimis”), o que prejudicou plataformas online de fast-fashion como as chinesas Shein e Temu, forçando-as a aumentar os preços nos EUA.

Por outro lado, a medida favoreceu retalhistas como a Primark, que vendem em lojas físicas e importam produtos em grandes quantidades para armazéns nos Estados Unidos.

Embora os preços da Primark também tenham aumentado devido às tarifas adicionais de Donald Trump, a empresa está agora mais competitiva em relação aos concorrentes do comércio eletrónico, que pela primeira vez são tributados ou com a mesma taxa que os restantes produtos do país de origem, ou com uma taxa específica consoante o tipo de produto e a sua origem.

Sem entregas ao domicílio, a Primark tem 475 lojas espalhadas por 18 países e gera cerca de 11,4 mil milhões de euros em vendas por ano e mais de 1.142 milhões de euros em lucros.

Tendo conquistado uma clientela fiel na Europa, a Primark vê agora uma oportunidade de entrar no mercado norte-americano, acreditando que o seu foco nos preços baixos pode ajudá-la a ter sucesso. Atualmente, os EUA representam cerca de 5% das vendas globais da retalhista.

Desde que entrou no mercado dos EUA em 2015, com uma loja em Boston, a empresa opera agora 33 lojas em 13 estados, apoiadas por centros de distribuição na Pensilvânia e na Florida.

“Achamos que temos uma oferta muito relevante lá. Sabemos apenas que poucos consumidores nos conhecem. Por isso, o passo lógico é aumentar o peso das comunicações”, disse em setembro o CEO da AB Foods, George Weston, à Reuters.

Entre abril e setembro, os gastos em publicidade digital da Primark aumentaram, em média, 175%, numa comparação com março, segundo dados da empresa de pesquisa de mercado Sensor Tower.

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