Portugal é um dos cinco países da UE menos exposto às tarifas americanas
Portugal, França, Malta, Croácia e Estónia são os países menos expostos às tarifas americanas, em contraste com a Alemanha, Eslováquia, Grécia, Áustria, Itália e Suécia, estima a Comissão Europeia.
Portugal é um dos cinco países da União Europeia (UE) menos exposto às tarifas norte-americanas, não só porque tem taxas mais baixas, como as vendas para terras de ‘Uncle Sam’ são limitadas. É esta uma das conclusões da Comissão Europeia, divulgadas esta segunda-feira, nas quais também assinala que o bloco europeu enfrenta a quarta menor taxa efetiva, depois do Canadá, México e Reino Unido.
Nas previsões económicas de outono, as segundas desde que a Administração Trump anunciou as alterações às tarifas aplicadas aos bens que os Estados Unidos importam, a Comissão Europeia destaca que as taxas efetivas de tarifas (ETR, na sigla em inglês) enfrentadas pelos Estados-membros da UE variam dependendo da sua estrutura de exportações — de 3,2% para a Irlanda a 29,5% para o Luxemburgo.
Neste sentido, os países cujas principais exportações são aço, alumínio, ferro, veículos médios e pesados e máquinas enfrentam taxas efetivas mais elevadas, enquanto os países que exportam principalmente bens atualmente isentos de tarifas dos EUA, como aviões e produtos farmacêuticos, encontram-se na extremidade inferior do ranking.
Contudo, Bruxelas vai ainda mais longe e calcula a exposição real dos países às tarifas dos EUA, com base na multiplicação da ETR de um país pela participação das exportações de bens destinadas aos EUA no Produto Interno Bruto (PIB) — ou seja, ajusta a taxa efetiva à importância relativa das exportações para os EUA em determinada economia. Nesta ótica aponta para um impacto de 0,3% das tarifas americanas no PIB da União Europeia.
Desde modo, exemplifica que países como o Luxemburgo, Roménia, Bulgária, Eslovénia e Dinamarca têm altas taxas de exportação, mas, como as as vendas para os Estados Unidos representam uma pequena parte da economia, a exposição às tarifas americanas é relativamente baixa. Por outro lado, Irlanda, Bélgica e Holanda têm taxas de exportação relativamente baixas, mas, como as exportações para os Estados Unidos representam uma parte considerável das economias, estão mais expostas.
Já a Alemanha, Eslováquia, Grécia, Áustria, Itália e Suécia são os países mais expostos, dado que não só enfrentam taxas de exportação elevadas, como as economias dependem fortemente das exportações para os EUA, uma vez que que exportam grandes quantidades de produtos altamente tributados, como aço, alumínio, veículos, produtos químicos e máquinas.
Paralelamente, Portugal, Malta, Croácia, Estónia e França estão menos expostos, pois têm taxas de exportação baixas e exportações limitadas para os EUA.

A Comissão Europeia destaca ainda que apesar de ter taxas efetivas mais altas do que o Canadá, México e Reino Unido, a União Europeia beneficia de taxas tarifárias médias ponderadas pelo comércio mais baixas nas exportações para os EUA.
Na análise, o executivo comunitário salienta que alguns destes países combinam taxas efetivas altas nas exportações para os EUA com uma quota relativamente elevada nas importações de bens dos EUA. “Nomeadamente, a China enfrenta uma taxa efetiva de tarifa de 32,1% e os países da ASEAN de 21,8%, representando cerca de 13% e 11% do total das importações de bens dos EUA, respetivamente. Estes países poderiam potencialmente transferir uma grande parte das suas exportações de mercadorias dos EUA para outras regiões, incluindo a UE”, pode ler-se.
Impacto indireto para a UE das tarifas americanas a outros países
A Comissão Europeia calcula que as tarifas americanas sobre países terceiros, isto é que não pertencem ao bloco, podem levar a perdas económicas de curto prazo à União Europeia, mas ter um impacto benéfico a longo prazo.
“No curto prazo, os efeitos negativos predominam, com o desvio de comércio a aumentar a queda nas exportações líquidas e no PIB real da UE, gerada pelo impacto direto das tarifas americanas sobre os bens da UE. Com o tempo, porém, à medida que as quotas de mercado nos EUA aumentam gradualmente, o impacto do desvio de comércio torna-se positivo“, considera o executivo comunitário.
Com base numa simulação — que estima o impacto do desvio de comércio isoladamente, sem considerar outros fatores, como o impacto do desvio de comércio isoladamente, sem considerar outros fatores como a queda na confiança dos consumidores ou a procura da China por outros mercados — Bruxelas prevê assim que há consequências económicas para a UE que poderiam seriam mitigadas.
Neste cenário, o desvio de comércio reduz a inflação na UE e gera um ganho nos termos de troca. “Além disso, os preços das importações também diminuem, decorrentes de uma taxa de câmbio nominal efetiva mais forte e da queda dos preços das exportações estrangeiras“, explica. Paralelamente, pode assistir-se a um fortalecimento do euro em termos ponderados pelo comércio, apesar de cair face ao dólar americano – a moeda do país que impõe as tarifas –, uma vez que este último efeito é “compensado pela depreciação nominal dos países terceiros afetados pelas tarifas, que representam uma parcela maior dos fluxos comerciais da UE”.
A Comissão calcula que a queda na procura externa desses países, induzida pelas tarifas, exerce gradualmente pressão descendente sobre os preços da exportações e “preços de importação mais baixos para a UE aumentam o poder de compra dos consumidores europeus e contribuem para o aumento do rendimento real”.
Num cenário alternativo, calcula a fixação de preços na moeda dominante, o que se traduz em maiores dificuldades nos ajustamentos de preços relativos internacionais, levando a quedas mais acentuadas no comércio global e no PIB. “Isto limita a capacidade dos preços relativos de se ajustarem para compensar o impacto das tarifas na redução do comércio, afetando, assim, mais a atividade económica global”, explica.
Desta forma, a faturação comercial em dólares, os efeitos indiretos do desvio de comércio são mais prejudiciais para a UE, devido a uma recessão global mais acentuada. Com uma redução da procura de importações de países terceiros, as exportações da UE são inferiores às do cenário anterior, apesar de uma menor valorização dos termos de troca.
“O desempenho mais fraco das exportações também afeta o PIB da UE, reduzindo a procura de importações a tal ponto que estas diminuem – apesar da valorização dos termos de troca da UE”, estima.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Portugal é um dos cinco países da UE menos exposto às tarifas americanas
{{ noCommentsLabel }}