Endividamento da economia dá maior salto desde a pandemia

Estado, empresas e famílias tiveram um aumento do seu endividamento em 9,4 mil milhões em setembro, na maior subida desde abril de 2020, após o confinamento por conta da pandemia.

Desde a pandemia que o endividamento da economia não registava um crescimento tão acentuado. Em setembro, a dívida do setor não financeiro — administrações públicas, empresas e particulares — deu um salto de 9,4 mil milhões de euros, a maior subida desde abril de 2020, após o confinamento decretado pelo Governo para contrariar a crise pandémica.

Nesse mês de abril de 2020 o endividamento da economia deu um salto de 11,4 mil milhões de euros, correspondendo em grande medida ao esforço público para apoiar famílias e empresas afetadas pelo confinar da uma boa parte da atividade económica.

O Banco de Portugal adianta esta sexta-feira que o aumento registado em setembro se deveu sobretudo ao setor público, onde o endividamento cresceu 6,7 mil milhões de euros. Uma evolução que não constitui uma novidade depois dos dados da dívida pública terem mostrado um disparo naquele mês, situação que obrigou o Ministério das Finanças a vir a público para assegurar que tem tudo sob controlo — pelo menos no que toca ao cumprimento do objetivo de redução do rácio da dívida pública.

No que toca ao setor privado, observou-se um aumento de 2,6 mil milhões de euros, com o banco central que tal evolução se deveu às famílias que pediram mais dinheiro ao banco para comprar casa (+1,0 mil milhões) e também às empresas, que sentiram necessidade de se financiarem junto da banca naquele mês (+800 milhões de euros).

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Novo recorde em termos absolutos, mas pesa o mesmo

O Banco de Portugal dá conta ainda de dois indicadores que parecem contradizer-se entre si. Com o salto de 9,4 mil milhões de setembro, o endividamento da economia atingiu os 866,4 mil milhões de euros, o que constitui um novo recorde em termos absolutos.

Ainda assim, o seu peso em termos da riqueza produzida pelo país praticamente estabilizou no terceiro trimestre: o rácio do endividamento da economia baixou para 287,3% do Produto Interno Bruto (PIB), uma descida muito ligeira (nem 0,1 pontos percentuais) em relação ao trimestre anterior.

Embora a dívida tenha subida, o bom andamento da economia naquele período compensou, resultando numa variação quase nula do peso do endividamento no PIB – de resto, o gráfico acima demonstra esse comportamento divergente entre as duas variáveis nos últimos anos.

O valor mais elevado deste rácio foi atingido no primeiro trimestre de 2021, durante o período da pandemia, quando o endividamento da economia alcançou os 384% do PIB. Desde então tem vindo a cair progressivamente, tendo estabilizado desde o início deste ano.

(notícia atualizada às 11h41)

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