Banco de Portugal revê em alta crescimento da economia para 2% este ano e 2,3% em 2026

Instituição liderada por Álvaro Santos Pereira revê em alta de 0,1 pontos percentuais a projeção de crescimento divulgada em junho. Espera mais investimento e elogia resiliência da economia.

O Banco de Portugal está mais otimista sobre o desempenho da economia portuguesa e reviu em ligeira alta as previsões de crescimento para 2% este ano e 2,3% em 2026, alinhando assim com as estimativas do Governo.

No “Boletim Económico de dezembro”, publicado esta segunda-feira, a instituição liderada por Álvaro Santos Pereira melhora em 0,1 pontos percentuais as projeções inscritas no relatório de junho (desenvolvido ainda durante o mandato de Mário Centeno) para 2025 e 2026.

As taxas de crescimento agora esperadas igualam as do Governo e tornam o regulador bancário a instituição económica mais otimista. Para 2025, o Conselho das Finanças Públicas (CFP), Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE) e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apontam para uma taxa de 1,9%.

Para 2026, as projeções das restantes instituições variam entre 1,8% (CFP) e 2,2% (CE e OCDE), com o FMI a esperar um crescimento de 2,1%.

No boletim, o primeiro apresentado publicamente por Álvaro Santos Pereira, o Banco de Portugal destaca que “a economia portuguesa continua a crescer a um ritmo robusto num enquadramento externo marcado por tensões comerciais, incerteza elevada e apreciação do euro”.

Segundo o Banco de Portugal, o impacto destes choques tem sido amortecido pelo alívio das condições financeiras, pelo aumento dos fundos da União Europeia e por uma política orçamental expansionista.

“A atividade económica em Portugal deverá crescer 2% em 2025, 2,3% em 2026, 1,7% em 2027 e 1,8% em 2028, e a inflação deverá estabilizar em torno de 2% no horizonte de projeção”, pode ler-se na análise.

Fonte: “Boletim Económico de dezembro”, Banco de Portugal

A expectativa do Banco de Portugal é que o crescimento económico se mantenha “elevado” no quarto trimestre de 2025, beneficiando do impacto das medidas orçamentais sobre o rendimento das famílias. Depois de uma contração em cadeia do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,3% no primeiro semestre, de uma recuperação para 0,7% no segundo e de 0,8% no terceiro, o regular estima um crescimento de 1% na reta final do ano.

Entre as principais componentes do PIB, o consumo privado cresce 3,6% este ano e 2,3% em 2026 e as exportações 1,1% este ano e 2,6% em 2026. O investimento projetado é agora mais elevado do que anteriormente, com o Banco de Portugal a apontar para uma taxa de 4% este ano e 6% no próximo, contra 3% e 5,3% em junho.

Já a inflação deverá recuar para 2,2% em 2025 e 2,1% em 2026, estabilizando em 2% nos dois anos seguintes, em linha com as perspetivas para a Zona Euro.

Entre as principais componentes do PIB, o consumo privado cresce 3,6% este ano e 2,3% em 2026, o investimento 4% este ano e 6% no próximo e as exportações 1,1% este ano e 2,6% em 2026.

Numa análise global, o supervisor aponta que o crescimento económico é mais apoiado na procura interna do que na média do período 2020 a 2024. Neste sentido, indica que “o PIB deverá crescer a uma taxa média anual de 2% em 2025–28, um valor próximo do observado em 2020–24, com contributos (líquidos de conteúdos importados) de 1,5 pp. da procura interna e de 0,5 pp. das exportações (1,0 pp e 0,9 pp, respetivamente, em 2020–24).

A procura interna beneficia da robustez do mercado do trabalho e do impulso da política orçamental e dos fundos europeus, em particular em 2025–26. Em 2027–28, o investimento perde dinamismo com o fim do PRR. Os constrangimentos demográficos sobre a oferta de trabalho implicam também menores aumentos do emprego ao longo do horizonte de projeção, com reflexos no rendimento disponível das famílias e no consumo privado”, pode ler-se na análise.

O Banco de Portugal identifica, contudo, riscos “predominantemente negativos” para a projeção, entre os quais um agravamento de tensões comerciais e geopolíticas, o impacto das tarifas e correção abrupta dos mercados financeiros e a “possibilidade de um investimento inferior ao projetado, caso o financiamento total do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) não seja executado.

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