Maiores fortunas da bolsa engordam 2,5 mil milhões de euros em 2025
Bom desempenho da bolsa aumentou o património dos mais ricos da bolsa. Fortuna dos Azevedo foi a que mais cresceu, à boleia dos ganhos da Sonae e da Nos. Já os Amorim perderam na Galp e na Corticeira.
A bolsa portuguesa fechou o último ano com a maior subida desde 2009, um desempenho que se refletiu positivamente no património das maiores fortunas da bolsa, cujo valor cresceu mais de 2,5 mil milhões de euros. Num ano de ganhos para a maioria das ações, a família Azevedo viu o valor dos seus ativos crescer, enquanto os Amorim sofreram com a desvalorização das ações da Galp e da Corticeira Amorim.
O índice de referência PSI fechou 2025 com um ganho de 29,58%. Trata-se da subida mais expressiva desde 2009, quando escalou 33,47%, após a crise do subprime, e um dos melhores desempenhos a nível europeu. Num ano em que quase todos ganharam em Lisboa – apenas quatro cotadas terminaram com sinal negativo (Corticeira Amorim, Altri, Navigator e Galp) – o principal motor dos ganhos da bolsa foi o BCP, que disparou 92,86%, e a Sonae, com uma subida de 76,37%.

A dona do Continente, que fechou os primeiros nove meses com lucros históricos de 200 milhões de euros, tem conquistado a confiança dos investidores e dos analistas, com o forte desempenho apresentado pelas várias unidades de negócio do grupo, com o retalho alimentar à cabeça. O forte desempenho da “holding” da família Azevedo resultou numa valorização da posição detida na cotada superior a 740,6 milhões de euros, um valor ao qual acrescem os 62,8 milhões de euros arrecadados em dividendos.
Aos ganhos acumulados na Sonae há ainda que acrescentar as mais-valias na Nos, onde a Sonaecom detém uma participação de 37,37%. A valorização de 20,6% dos títulos da operadora “renderam” cerca de 186 milhões, entre dividendos e subida das ações. Tudo somado, a família Azevedo viu o seu património aumentar em cerca de 989 milhões de euros no último ano para 2,4 mil milhões.
A família Soares dos Santos, que controla a Jerónimo Martins, foi outra das fortunas da bolsa que cresceu, em 2025. A dona do Pingo Doce fechou o ano com uma subida próxima de 10%, que aumentou o valor da participação dos Soares dos Santos na cotada em 639 milhões de euros. Tendo em consideração ainda os 370,8 milhões em dividendos recebidos em dividendos relativos ao exercício anterior, o património da família engordou 847,8 milhões de euros para 7,16 mil milhões de euros.

Outro dos “clãs” da bolsa que ficou mais rico este ano foram os Mota. No ano em que a família se despediu de António Mota, as ações escalaram 70%, elevando o valor da posição da família Mota na construtora para 608,6 milhões de euros, mais 250,2 milhões que no final de 2024. Juntamente com os dividendos arrecadados no ano passado, o património dos Mota engordou 268,6 milhões de euros para 608,6 milhões.
A família Queiroz Pereira, que controla a Semapa, que por sua vez é a maior acionista da Navigator, também viu o valor da sua fortuna crescer, muito graças à valorização da Semapa (47,4%), após a empresa ter informado a venda da Secil. Entre os cerca de 42 milhões pagos em dividendos e ganhos nas ações, o valor do património da Filipa, Mafalda e Lua Queiroz Pereira cresceu 488,3 milhões de euros para 1,4 mil milhões.
A angolana Isabel dos Santos, a quem é imputada a posição de 26,075% da ZOPT na Nos, “valia” mais 145,7 milhões de euros no final do ano, contabilizando a evolução bolsista e os dividendos.
Já Manuel Champalimaud, um dos maiores acionistas dos CTT, com mais de 14% das ações da empresa de correios, reforçou o valor da sua posição em 40 milhões para 146,7 milhões, um “ganho” ao qual há que somar 3,3 milhões em dividendos.
Perdas na Galp e na cortiça pressionam Amorim
Num ano em que apenas quatro cotadas perderam valor, duas delas — Galp Energia e Corticeira Amorim — pertencem ao universo Amorim, com impacto negativo no património daquela que é uma das famílias mais ricas da bolsa, liderada por Paula Amorim (na foto).
Enquanto a posição na petrolífera é controlada apenas pelas herdeiras do empresário Américo Amorim, o capital da corticeira liderada por António Rios de Amorim está nas mãos dos herdeiros de António Ferreira de Amorim e das herdeiras de Américo Amorim: a mulher Fernanda e as três filhas Paula, Marta e Luísa Amorim.

A posição na Galp — família Amorim controla 55% da Amorim Energia, que por sua vez tem 33,34% do capital da petrolífera — desvalorizou-se 200,7 milhões de euros para 2,22 mil milhões de euros, num ano em que a ação da companhia baixou para 14,63 euros, face aos 15,95 euros no final de 2024. Já a Corticeira Amorim, que encabeçou a maior desvalorização do PSI, com uma queda de 17,9%, pressionada pelo contexto global adverso, ditou uma quebra de 136,7 milhões no valor da posição dos Amorim na empresa de cortiça.
O impacto das “quebras” determinadas pela descida dos títulos foi atenuado pelos dividendos de 124,7 milhões de euros recebidos. Tudo somado, o património do clã Amorim reduziu-se em 212,8 milhões de euros, em 2025.
Ana Mendonça, João Borges de Oliveira e Paulo Fernandes, três dos empresários que integram o núcleo de acionistas da Altri e Ramada, depois de terem vendido a Greenvolt aos norte-americanos da KKR em 2024, também viram o valor do seu património baixar no último ano, devido à descida das ações da papeleira, que fechou o ano com uma desvalorização de 15,6%, isto apesar do ganho de 6,9% da Ramada.
A empresária Ana Mendonça, através da Promendo Investimentos, “perdeu” 14,8 milhões em 2025, apesar dos dividendos recebidos na Altri e na Ramada. Já o património de João Borges de Oliveira (Caderno Azul) e Paulo Fernandes (Actium Capital) encolheu 13,4 e 12,5 milhões de euros.
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