Exclusivo Investidor francês salva lojas da Claire’s e 200 empregos em Portugal
Apesar da insolvência nos EUA, Reino Unido e Irlanda, marca vai manter as 31 lojas e os 200 empregos em Portugal. Tribunal de Lisboa encerrou processo esta semana após investimento de Julien Jarjoura.
A operação da Claire’s em Portugal e em toda a Europa foi salva por um investidor da Suíça, apesar de decorrer um processo de insolvência nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Irlanda. Julien Jarjoura comprou o negócio europeu da marca de bijuteria, acessórios e brinquedos infantojuvenil, o que permitiu manter os 200 trabalhadores a nível nacional.
Os administradores da insolvência, Pedro Pidwell e Bruno da Costa Pereira, conseguiram negociar as dívidas com credores e manter as obrigações da Claire’s em Portugal, nomeadamente os salários dos funcionários e o valor das rendas das dezenas de estabelecimentos comerciais que a insígnia tem no país. No entanto, no último trimestre, cinco lojas consideradas menos estratégicas e sustentáveis fecharam portas.
O Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa decidiu esta segunda-feira encerrar o processo de falência da sociedade Whiteclaire’s Acessórios Portugal, após o investimento de Julien Jarjoura e das negociações que viabilizaram o funcionamento das 31 lojas da Claire’s em Lisboa, no Porto e noutras cidades portuguesas nas quais está presente.
Julien Jarjoura é um gestor e investidor francês, com uma holding registada em Zurique, na Suíça, para investimentos em retalho, tendo sido presidente da marca de joias gaulesa Une Ligne Paris.
O caso remonta a 6 de agosto de 2025, quando a Claire’s Holdings LLC iniciou um processo voluntário de recuperação judicial nos Estados Unidos, que culminou na declaração de insolvência. No Reino Unido, as lojas Claire’s e The Original Factory Shop, ambas detidas pela Modella Capital, estão à beira da falência e com 2.550 empregos em risco, como escreveu na segunda-feira o jornal britânico The Guardian.
De Chicago para a Europa nos anos 1960
No mercado há mais de 60 anos, a Claire’s tem sede nos subúrbios de Chicago, apresenta-se como a “melhor amiga das raparigas” e tem mais de 2.000 lojas da marca espalhadas por 17 países da América e da Europa.
O grupo contava ainda com 190 lojas nos Estados Unidos através da insígnia Icing, além dos aproximadamente 300 franchises localizados sobretudo no Médio Oriente e na África do Sul. Em 2018, aquando da primeira declaração de insolvência, tinha cerca de 7.500 lojas em mais de 40 geografias.
A história da Claire’s começou nos anos 1960, quando o empresário Rowland Schaefer fundou uma marca chamada Fashion Tress Industries que sobressaiu no negócio das perucas, enquanto na zona de Chicago ia crescendo uma outra cadeia de lojas de acessórios com o nome Claire’s Boutiques.
A ideia era ter um público-alvo de adolescentes e mulheres jovens que, por não terem capacidade financeira para acessórios de gamas mais altas, podiam apostar em brincos, pulseiras, bandoletes mais acessíveis que elevassem o look sem ter de comprar roupas novas.
A oferta acabou por aumentar para outras bugigangas – inclusive elásticos e ganchos à medida que as senhoras deixam os cabelos falsos nas prateleiras – e levar Rowland Schaefer a comprar a empresa e, no início da década de 70, mudou o nome da sua Fashion Tress Industries para Claire’s Stores.
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