Operação Irmandade. Diretor da PJ alerta que crimes de ódio aumentaram sete vezes nos últimos anos

Um elemento da PSP e um militar estão entre os 37 detidos na operação da Polícia Judiciária (PJ) que visou o desmantelamento de um grupo de ideologia neonazi.

O diretor da Polícia Judiciária (PJ) Luís Neves afirmou que a organização criminosa desmantelada esta terça-feira foi fruto de um “trabalho árduo” e assume que a PJ tem um compromisso “muito sério” contra os crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas.

“Durante os últimos anos passamos de uma dezena de crimes de ódio, quase sempre com assento na questão racial e religiosa, para sete vezes mais. Depois de uma investigação iniciada há relativamente pouco tempo, foi possível identificar uma associação criminosa ligada a este tipos de crimes. Uma associação criminosa que tem fundadores, que tem chefias, que tem membros, apoio logístico e distribuição de funções. Estamos a falar de uma estrutura com um conjunto alargado de pessoas”, referiu Luís Neves numa conferência de imprensa.

Estas declarações surgem após uma vasta operação policial ter decorrido esta terça-feira no país com a finalidade de desmantelar uma organização criminosa responsável pela prática de diversos crimes. No total, foram realizadas 67 buscas domiciliárias e não domiciliárias, detidos 37 suspeitos, com vastos antecedentes criminais e com ligações a grupos de ódio internacionais, e constituídos 15 arguidos. A operação, apelidada de “Irmandade” contou com cerca de 300 elementos de diversas unidades da PJ.

Um elemento da PSP e um militar estão entre os 37 detidos na operação da Polícia Judiciária (PJ) que visou o desmantelamento de um grupo de ideologia neonazi, indicaram hoje fontes policiais e ligadas à investigação.

Em comunicado, a PSP adianta que o polícia detido pertence ao efetivo do Comando Distrital de Setúbal, aguardando a força de segurança a indicação dos crimes de que o suspeito está indiciado para desenvolver “os procedimentos disciplinares adequados e preventivos”. Fonte ligada à investigação disse por sua vez à Lusa que o outro dos dois elementos não civis detidos na operação “Irmandade” é um militar.

“Quem trabalha neste tipo de criminalidade, procura sempre que se investigue e se ponha termo à atividade criminosa no momento em que não há ainda crimes de resultado. É nossa obrigação, missão e responsabilidade defender a integridade física das pessoas e, sobretudo, a vida. Temos vários homicídios cometidos, temos pessoas que ficaram com gravíssimas sequelas…”, sublinhou.

Segundo a PJ, os detidos, com idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos, adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes.

“Os visados são suspeitos de terem fundado uma organização criminosa com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à discriminação, ao ódio e à violência racial, tudo isto no seio de uma estrutura hierárquica e fortemente estabelecida, com distribuição de funções“, refere a instituição em comunicado.

No âmbito da operação foi também apreendido um vasto material de propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema direita violenta, nomeadamente neonazi, bem como armas diversas e equipamento tático.

Os detidos serão presentes na quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para primeiro interrogatório judicial, tendo em vista a aplicação das respetivas medidas de coação.

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