Comboio colide com grua em Espanha e faz três feridos

  • Lusa
  • 13:12

O comboio de via estreita que operava na rota Cartagena-Los Nietos colidiu com uma grua e fez três feridos. É o segundo acidente ferroviário em quatro dias.

Três pessoas ficaram feridas esta quinta-feira quando um comboio de passageiros colidiu com uma grua em Cartagena, Espanha, avançou o Centro de Coordenação de Emergências, quatro dias depois de um outro acidente ferroviário ter provocado 43 mortos em Adamuz.

O acidente desta quinta-feira aconteceu cerca das 12:00 locais (11:00 em Lisboa), quando o comboio de via estreita (com carris mais próximos, usado para linhas secundárias), que operava na rota Cartagena-Los Nietos, colidiu com uma grua, explicou a empresa gestora da infraestrutura ferroviária espanhola, Adif.

A colisão envolveu um comboio de passageiros, que não tombou nem descarrilou, segundo foi comunicado ao serviço de emergência 112 pelo Centro de Comando da operadora da rede espanhola de comboios Renfe.

Para o local foram mobilizados bombeiros e paramédicos, que assistiram três pessoas com contusões diversas.

O choque aconteceu quatro dias depois de um acidente considerado o mais grave de sempre a rede de alta velocidade de Espanha, a segunda maior do mundo, que provocou pelo menos 43 mortos.

No domingo, um comboio da empresa privada Iryo, procedente de Málaga e com destino a Madrid, descarrilou, e as três últimas carruagens invadiram a via contrária, por onde passou, 20 segundos depois, outro comboio de alta velocidade, um Alvia, da Renfe, que fazia a ligação Madrid-Huelva.

As duas primeiras carruagens do Alvia foram projetadas para fora dos carris depois do choque com os vagões do Iryo descarrilados.

Este é considerado o acidente mais grave de sempre na rede de alta velocidade de Espanha que, com cerca de 4.000 quilómetros, é a segunda maior do mundo, a seguir à da China.

Segundo avança esta quinta-feira a agência de notícias espanhola Europa Press, a Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), órgão responsável pela investigação do acidente em Adamuz (Córdoba), denunciou no ano passado “a falta de uma cultura de segurança” no setor, depois de ter constatado que, num incidente registado num dia de tempestade em 2024, foram tomadas “decisões arbitrárias sem suporte processual”.

Esse incidente aconteceu a 29 de outubro de 2024, dia da tempestade ‘Dana’, que afetou principalmente Valência, provocando um deslizamento de terras que cobriu os carris e fez descarrilar o comboio, embora ninguém tenha ficado ferido.

No entanto, a investigação da CIAF descobriu que o comboio que passou imediatamente antes, um outro comboio de alta velocidade da Renfe que fazia o percurso Málaga-Madrid, tinha reportado a presença de um buraco na via.

O relatório da CIAF refere ainda um outro descarrilamento em 2024, desta vez em Cáceres, num ponto da rede onde já tinha descarrilado outro comboio em 2023 e onde foram encontrados defeitos na via, com parâmetros “fora da tolerância”.

A comissão de investigação “realça a necessidade de reparar os defeitos nos carris para eliminar o risco de descarrilamento devido a esta causa e adotar medidas de gestão que previnam ou mitiguem os riscos”, recomendou.

A CIAF instou ainda a Adif a exigir, nos seus concursos para trabalhos de manutenção, o estabelecimento de condições e requisitos de segurança específicos, juntamente com os mecanismos de monitorização, bem como a garantia de coordenação com empreiteiros e a restante organização Adif.

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