Sporting e Benfica garantem ‘oxigénio financeiro’ de 125 milhões na Champions

Cofres mais recheados com apuramento direto dos leões e acesso das águias ao play-off, garantidos com vitórias nos descontos. Receitas da Liga dos Campeões valem um terço dos rendimentos operacionais.

ECO Fast
  • Os clubes portugueses Sporting e Benfica garantiram vitórias cruciais na Liga dos Campeões, resultando em receitas significativas que impactam as finanças.
  • O Sporting arrecadou 66,6 milhões de euros e o Benfica 58 milhões, com a diferença explicada por coeficientes históricos, pontuação na primeira fase e classificação final.
  • A participação na Champions League é vital para a saúde financeira das SAD, sendo muitas vezes a diferença entre lucro e prejuízo, estabilidade e crise.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

No final da jornada épica para os dois clubes portugueses na Liga dos Campeões, com ambos a arrancarem vitórias decisivas frente aos rivais espanhóis no período de compensação dos jogos em Bilbau e em Lisboa, os jogadores festejaram no relvado e os adeptos vibraram na bancada, mas os diretores financeiros das SAD dos dois clubes, Francisco Salgado Zenha (Sporting) e Nuno Catarino (Benfica) rasgaram sorrisos ao somar mais uns milhões à receita já garantida.

De acordo com cálculos feitos pelo ECO, a participação dos verdes-e-brancos de Alvalade — garantiram o apuramento direto para os oitavos-de-final da Champions League — e dos encarnados da Luz — ficaram com a última vaga para disputar o play-off que lhe poderá dar acesso a essa fase da prova rainha do futebol europeu — já renderam quase 125 milhões de euros em prémios da UEFA. Para já, o bolso da SAD dos leões (66,6 milhões) está mais pesado que o da SAD dos encarnados (58 milhões).

  • A entrada na chamada Fase de Liga, que agora terminou, vale um prémio de participação fixo de 18,62 milhões de euros, que é igual para todas as equipas.
  • Há depois um montante que combina o coeficiente histórico e o mercado televisivo, que no caso do bicampeão nacional rondou os 15,5 milhões de euros e para o rival da Segunda Circular foi bem mais chorudo: 28,5 milhões de euros.
  • Já a performance desportiva ao longo dos últimos meses ajudou a acrescentar mais dinheiro: 11,2 milhões de euros pelas cinco vitórias e pelo empate alcançados pelos comandados por Rui Borges; e 6,3 milhões de euros pelas três vitórias dos pupilos de José Mourinho.
  • Por outro lado, terminada esta fase da prova, a UEFA paga uma “fatia” de 275 mil euros por cada posição na tabela (contadas de baixo para cima, num total de 36 clubes). Assim, o 7º lugar do SCP valeu 8,25 milhões e o 24º do SLB 3,57 milhões.
  • Finalmente, o golo tardio de Allison fez com que o Sporting conseguisse ainda um bónus extra de 2 milhões de euros por se ter classificado entre os oito primeiros, e garantiu de imediato os 11 milhões pelo apuramento para a fase seguinte. Um montante que o Benfica só irá encaixar se vier a superar o Real Madrid ou o Inter de Milão. Para já, ‘apenas’ tem direito ao bónus de 1 milhão pelo lugar no play-off de acesso aos oitavos, garantido pelo golo de Trubin.

O Benfica beneficiou de um pilar de valor significativamente superior ao do Sporting (estimado em cerca de 13 milhões de euros a mais), reflexo do seu melhor coeficiente histórico. Na época anterior, o Benfica ocupou o 13º lugar no ranking de coeficientes entre os 36 participantes, enquanto o Sporting ficou-se pelo 23º posto.

De acordo com os relatórios e contas das duas SAD, referentes ao exercício de 2024/25, as receitas da UEFA Champions League pesaram cerca de um terço dos rendimentos operacionais.

O Benfica enfrentará agora um playoff a duas mãos para aceder aos oitavos de final, defrontando Inter de Milão ou Real Madrid (o sorteio realizar-se-á esta sexta-feira). Se ultrapassar esta eliminatória, as águas adicionarão 12,5 milhões de euros aos cofres, elevando o total arrecadado na edição deste ano da competição para cerca de 70,5 milhões de euros.

Para igualar ou superar os cerca de 75 milhões de euros arrecadados na época em que chegou aos quartos-de-final (2022/23), José Mourinho terá de levar a equipa precisamente até essa fase em que, dependendo do sorteio e vencendo o próximo adversário, poderá até defrontar o Sporting.

Champions é oxigénio financeiro das SAD

Os montantes das receitas geradas na liga milionária não são apenas números para celebrar numa noite de festa europeia. Representam uma fatia determinante do equilíbrio financeiro de ambas as sociedades anónimas desportivas.

De acordo com os relatórios e contas das duas SAD, referentes ao exercício de 2024/25, as receitas da UEFA Champions League pesaram cerca de um terço dos rendimentos operacionais: no caso do Benfica, os 72,8 milhões de euros de prémios UEFA da época anterior representaram 31,6% dos rendimentos operacionais totais de 230,6 milhões; já no Sporting, os 49,4 milhões de euros alcançados na época anterior representaram cerca de um terço das receitas operacionais.

Mas o impacto vai muito além de uma proporção estatística. A presença na Liga dos Campeões é, muitas vezes, a diferença entre lucro e prejuízo, entre estabilidade e crise. Na época anterior, por exemplo, a SAD do Benfica alcançou, pela primeira vez em sete épocas consecutivas, um resultado operacional positivo sem contar com as vendas de jogadores — mas o valor foi residual, de apenas 3,9 milhões de euros.

Este feito deveu-se em grande medida ao impacto líquido positivo de 17,1 milhões provenientes da participação no Mundial de Clubes e à melhor performance nas competições europeias, que superou em 23,8 milhões de euros a anterior participação. Ou seja: sem estas receitas extraordinárias, o resultado operacional da SAD encarnada teria voltado a terreno negativo, como aconteceu nas sete épocas anteriores.

Os golos tardios de Allison, em Bilbau, e de Trubin, na Luz, valeram muito mais do que a passagem de fase na liga milionária. Representaram a diferença entre a tranquilidade financeira e a turbulência.

No Sporting, a dependência é igualmente evidente. Na época 2023/24, quando os leões disputaram a Liga Europa em vez da Champions, os rendimentos das competições UEFA caíram de 35,4 milhões de euros para apenas 10,4 milhões de euros.

Esta quebra traduziu-se num resultado operacional sem transações de jogadores negativo de 14,5 milhões de euros. Já na época seguinte, com o regresso à Champions, esse indicador disparou para os 45,4 milhões positivos. Um swing operacional de cerca de 60 milhões de euros que ilustra de forma inequívoca o peso da prova milionária nas contas leoninas.

Este círculo vicioso, em que a ausência de receitas europeias limita a capacidade de investimento, o que por sua vez dificulta o acesso futuro à competição, torna a gestão das SAD portuguesas um permanente exercício de equilíbrio precário.

Os golos tardios de Allison, em Bilbau, e de Trubin, na Luz, valeram muito mais do que a passagem de fase na liga milionária. Representaram a diferença entre a tranquilidade financeira e a turbulência nas contas das duas SAD. Para Benfica e Sporting, a Champions League deixou há muito de ser apenas uma questão de prestígio desportivo, mas é um pilar que sustenta todo o edifício financeiro.

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