Desemprego desce para 6% em 2025 e fica abaixo de todas as previsões

A taxa de desemprego em Portugal fixou-se em 6% em 2025, abaixo da previsão do Governo (6,1%). Esse é mesmo o valor mais baixo desde 2011, de acordo com o INE.

O ano de 2025 foi sinónimo de uma nova queda do desemprego em Portugal. De acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituo Nacional de Estatística (INE), a taxa fixou-se em 6,0%, recuando 0,4 pontos percentuais face ao registado em 2024. O Governo estava a contar com uma taxa de desemprego de 6,1% em 2025 e a Comissão Europeia apontava mesmo para 6,3%.

“A taxa de desemprego de 2025 situou-se em 6,0%, diminuiu 0,4 pontos percentuais em relação a 2024 e correspondeu à taxa de desemprego anual mais baixa desde 2011“, informa o gabinete de estatísticas.

Na proposta de Orçamento do Estado para 2026, o Governo tinha indicado que estava a contar que o desemprego ficasse em 6,1% em 2025, recuando face aos 6,4% registados em 2023. Porém, não foi isso que aconteceu: a taxa de desemprego caiu mais do que apontava a projeção do Executivo de Luís Montenegro, mostram os dados agora divulgados.

A previsão do Ministério das Finanças já era das mais otimistas e, ainda assim, o mercado de trabalho nacional conseguiu um desempenho melhor do que o perspetivado. Por exemplo, o Fundo Monetário Internacional previa uma taxa de desemprego de 6,4% em Portugal em 2025, e a Comissão Europeia antecipava uma taxa de 6,3%.

De acordo com a nota publicada pelo INE, no ano de 2025, a média anual da população desempregada foi de 337,1 mil pessoas, o correspondente a um recuo de 4% (menos 14 mil pessoas) face ao ano anterior.

“Para a variação anual da população desempregada contribuíram, principalmente, os decréscimos nos seguintes grupos populacionais: homens (9,7 mil; 5,8%); pessoas dos 16 aos 24 anos (7,3 mil; 8,9%); que completaram, no máximo, o 3.º ciclo do ensino básico (18,4 mil; 13,6%); à procura de novo emprego (9,0 mil; 3,0%); e desempregados há menos de 12 meses (8,7 mil; 3,9%)”, frisa o gabinete de estatísticas.

De notar que também a taxa de desemprego jovens — um dos “entorses” de um mercado de trabalho que continua a dar provas de resiliência — caiu em 2025, mas menos do que a taxa global. Situou-se em 19,5%, menos 2,1 pontos percentuais do que em 2024.

Outro dado relevante é que o desemprego de duração (pessoas que estão nessa situação há, pelo menos, 12 meses) recuou para 36,8% em 2025, sendo que mais de metade dessas pessoas (54,4%) estavam nessa situação há 24 meses ou mais.

Quanto às diferenças entre as várias regiões do país, o gabinete de estatística avança que, no ano de 2025, “as taxas de desemprego da Península de Setúbal (8,0%), do Norte (6,3%) e da Grande Lisboa (6,3%) superaram a média nacional (6,0%), enquanto as taxas das restantes seis regiões ficaram abaixo daquele limiar”. “A taxa mais baixa, de 4,9%, foi observada na Região Autónoma dos Açores“, observa o INE.

Emprego em máximos de mais de 20 anos

Por outro lado, no que diz respeito ao emprego, os dados mostram que em 2025 a média anual da população empregada foi estimada em quase 5,3 milhões de pessoas, tendo aumentado 3,2% (mais 163 mil pessoas) face ao ano anterior. Este total é, de resto, o valor mais elevado desde 2011.

“Para a variação anual da população empregada contribuíram, principalmente, os acréscimos do emprego nos seguintes segmentos populacionais: homens (87,5 mil; 3,4%); pessoas dos 25 aos 34 anos (59,6 mil; 6,0%); com ensino secundário e pós-secundário (115,9 mil; 7,0%) e ensino superior (116,4 mil; 6,7%); empregados no setor dos serviços (158,7 mil; 4,3%), sobretudo no conjunto das secções de atividade G (comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos), H (transportes e armazenagem) e I (alojamento, restauração e similares), cujo aumento (50,8 mil; 3,9%) representou 32,0% da variação do setor; trabalhadores por conta de outrem (124,3 mil; 2,9%), com contrato sem termo (142,6 mil; 3,9%); e empregados a tempo completo (164,7 mil; 3,5%)”, detalha o INE.

Contas feitas, em 2025, a taxa de emprego situou-se em 57,3%, o equivalente a uma subida de 0,9 pontos percentuais em relação a 2024.

Com as referidas trajetórias do emprego e do desemprego, a população ativa aumentou 2,7% em relação a 2024, abrangendo agora 5,6 milhões de pessoas. “A taxa de atividade da população em idade ativa situou-se em 61,0%, mais 0,8 pontos percentuais do que em 2024”, observa o INE.

Já a população inativa total foi estimada em quase 5,2 milhões pessoas, tendo diminuído 0,3% em relação ao ano anterior, e correspondendo à segunda média anual mais baixa desde 2011 depois da registada em 2023. “A taxa de inatividade foi de 40,0%, tendo diminuído 0,7 pontos percentuais em relação a 2024. Esta estimativa correspondeu à taxa de inatividade mais baixa desde 2011”, sublinha o gabinete de estatísticas.

Por fim, no que diz respeito à subutilização do trabalho, o destaque publicado esta manhã aponta para uma taxa de 10,2% em 2025, o correspondente a um recuo e também ao valor mais baixo de 2011.

Desemprego estável no fim do ano

O destaque publicado esta manhã pelo INE pormenoriza também como se comportou o mercado de trabalho nos últimos três meses de 2025. No que diz respeito ao desemprego, a taxa situou-se em 5,8%, estável face ao trimestre anterior e inferior em 0,9 pontos percentuais ao período homólogo.

Já a população empregada (cerca de 5,3 milhões de pessoas) aumentou 0,1% em relação ao trimestre anterior e 3,7% relativamente ao trimestre homólogo de 2024.

“A proporção da população empregada em teletrabalho, isto é, que trabalhou a partir de casa com recurso a tecnologias de informação e comunicação, foi de 21,2%“, isto é, cerca de 1,1 milhões de pessoas. O peso do teletrabalho aumentou 1,8 pontos percentuais face ao do terceiro trimestre de 2025 e 0,7 pontos percentuais em relação à do quarto trimestre de 2024.

A taxa de subutilização do trabalho, estimada em 9,9%, igualou a do trimestre anterior e diminuiu 1,2 pontos percentuais em termos homólogos. A população inativa com 16 e mais anos (3 730,1 mil) aumentou 0,7% (26,5 mil) em relação ao trimestre anterior
e diminuiu 0,2% (7,2 mil) relativamente ao homólogo”, acrescenta o INE.

(Notícia atualizada às 11h45)

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