Quem é Sara Leitão Moreira, a nova advogada de Sócrates?
Advogada em prática individual em Coimbra, Sara Leitão Moreira é também professora assistente na Coimbra Business School. Agora começa uma nova fase na sua carreira: a defesa de José Sócrates.
Será que à quarta é de vez? Após João Araújo, Pedro Delille e José Preto, José Sócrates tem uma nova defesa no processo Operação Marquês: Sara Leitão Moreira. Mas quem é a nova advogada do antigo primeiro-ministro?
Advogada em prática individual em Coimbra, Sara Leitão Moreira é também professora assistente na Coimbra Business School, desde 2011. Licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra, possui também uma pós-graduação no Curso de Direito Penal Económico Europeu do IDPEE da Universidade de Coimbra e um mestrado em Direito Penal, com uma tese sobre a responsabilidade criminal do médico estagiário. Atualmente encontra-se a fazer o doutoramento em Ciências Jurídico-Criminais.
A nova defesa de Sócrates, que viveu até aos 16 anos no Canadá, é ainda investigadora do Instituto Portucalense de Estudos Jurídicos para o Grupo de Estudos sobre as Dimensões dos Direitos Humanos. Enquanto advogada passou pela Inácio Peres & Associados.

Sara Leitão Moreira começa agora uma nova fase na sua carreira: a defesa de José Sócrates, que já pediu tempo para se inteirar do processo. O antigo primeiro-ministro, de 68 anos, está pronunciado de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo e o resort algarvio de Vale do Lobo. No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.
Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, no primeiro semestre deste ano, podem prescrever, segundo o tribunal, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo. José Sócrates e os restantes arguidos foram dispensados pelo tribunal de comparecer no julgamento, iniciado em 3 de julho de 2025, e têm estado todos ausentes das últimas sessões.
Esta nova etapa surge depois de Sócrates confirmar a renúncia do seu advogado, culpando o tribunal pelo facto e antecipando mais recursos para defender os seus direitos. José Preto, o segundo advogado nomeado por José Sócrates para a sua defesa neste julgamento — substituiu Pedro Delille, que renunciou por desentendimentos com a juíza — foi internado com uma pneumonia no final do último ano, motivando um atraso no retomar do julgamento no início do mês e que levou Susana Seca a nomear uma advogada oficiosa para evitar mais paragens no processo.
O advogado de Sócrates acabaria por renunciar, considerando estar em causa os direitos de defesa do seu cliente, forçado a ser representado por uma advogada nomeada, cujo trabalho até ao momento o ex-primeiro-ministro critica, acusando Ana Velho de “contemporização com o que não se pode contemporizar”, ao não contestar o prazo de cinco dias que lhe foi dado para consulta do processo –– com 300 mil folhas e 400 horas de gravações — e deixando críticas a que não tenha levantado uma cópia digitalizada do processo na secretaria do tribunal.
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