Exclusivo CP prevê arrancar com TGV português em 2032
Empresa de comboios pretende alinhar o arranque da sua operação com a inauguração dos primeiros troços da nova linha de Alta Velocidade em 2032. Material circulante terá de chegar bem antes disso.

O Governo espera que o concurso internacional da CP para a aquisição de 12 automotoras para a alta velocidade ferroviária avance ainda este ano. Plano da empresa prevê que os comboios cheguem até 2032, para que o serviço na linha Porto-Lisboa arranque nesse ano.
A empresa de transportes já recebeu do Governo a autorização para avançar com uma despesa de 584 milhões de euros. E até ao final do ano deverá haver novidades. “A CP, que atua em mercado liberalizado, escolherá o momento ideal para lançar o concurso. Porém, é expectável que o concurso seja iniciado em 2026“, respondeu ao ECO o Ministério das Infraestruturas.
Quanto ao início da operação do TGV português, o ministério liderado por Miguel Pinto Luz informa que “a CP pretende alinhar o arranque da sua operação com a inauguração dos primeiros troços da nova Linha de Alta Velocidade em 2032“. Para que isso aconteça, “tendo em conta as necessárias certificações e formações, o material circulante terá de chegar antes desta data“.
Na resolução do Conselho de Ministros publicada segunda-feira em diário da República, a despesa de 584,28 milhões pela CP está calendarizada para acontecer entre 2027 e 2032, com os montantes mais elevados em 2030 (117,6 milhões) e 2031 (246,96 milhões). Aquele montante global incluiu 45 milhões para o desenvolvimento do parque oficinal ou a modernização de infraestrutura de manutenção, que serão investidos entre 2029 e 2030.
Para fazer face a estes investimentos e por operar num mercado liberalizado, a CP terá de encontrar formas de financiamento que não dependam do Orçamento do Estado. Ou seja, terá de passar por fundos europeus e empréstimos no mercado. Segundo o ministério das Infraestruturas, “a CP está a trabalhar com vários parceiros para apresentar à tutela a melhor opção de financiamento“.
A empresa de transportes propôs ao Governo um Plano de Negócios para a Oferta de Serviços de Alta Velocidade, “que se desenvolverá em várias fases de acordo com a execução da infraestrutura ferroviária em Portugal e Espanha”. O ECO questionou quando está previsto o equilíbrio financeiro da operação. O ministério liderado por Miguel Pinto Luz respondeu que considera, neste momento, o Plano como “informação confidencial, cuja gestão deve caber à CP – Comboios de Portugal”.
Salienta, no entanto, que “o facto de operar de forma liberalizada teve por base um pressuposto exigente de sustentabilidade”, acrescentando que “a melhoria na qualidade do serviço prestado, comparando com serviços atuais, permitirá atrair novos passageiros para o transporte ferroviário com impactos positivos na sustentabilidade do sistema”.
A CP começará por receber 12 comboios, e fica com a opção de compra adicional de até 8 automotoras, mediante autorização expressa dos Ministérios das Infraestruturas e das Finanças, bem como obtenção da respetiva autorização de despesa.
O número de automotoras poderá não ficar por aqui. Segundo a resolução, “numa segunda fase, de acordo com a evolução da infraestrutura nacional e internacional, prevê-se o lançamento de um segundo concurso para o estabelecimento de uma segunda frota vocacionada para o transporte internacional, composta por e até 6 automotoras, totalizando assim uma frota de 26 automotoras (transporte nacional e internacional)”.
O primeiro serviço de alta velocidade a entrar em serviço em Portugal será a ligação entre o Porto e Lisboa, de forma faseada, o que permitirá reduzir o tempo de viagem de 2h48 para 1h15, quando a linha estiver concluída. O Executivo afirma que o lançamento atempado do concurso pela CP permitirá “mitigar o risco” decorrente de um eventual não alinhamento entre a execução da infraestrutura e a aquisição do material circulante. Além desta linha, estão também a avançar os procedimentos para as ligações Porto-Vigo e Lisboa-Madrid.
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